Mundo
01/05/2008 - 12h18

Cunhada diz que austríaco passava horas no porão todos os dias

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da Efe, em Amstetten
da Folha Online

Uma cunhada do austríaco Josef Fritzl, 73, afirmou que ele passava todos os dias horas no porão de sua casa, onde manteve a filha Elisabeth trancada por 24 anos, informa nesta quinta-feira o jornal "Österreich".

Em entrevista publicada pelo jornal, Christine R., 56, diz que "todas as manhãs às 9h Josef descia ao porão, supostamente para desenhar projetos para umas máquinas que queria vender".

Police Niederoesterreich/AP
Josef Fritzl, 73, que confessou manter a filha em cativeiro durante 24 anos
Fritzl, 73, que confessou manter a filha em cativeiro por 24 anos

"Às vezes também passava toda a noite lá. Agora sabemos o motivo", acrescenta a cunhada de Fritzl, em referência aos abusos sofridos por Elisabeth, agora com 42 anos.

Christine R., 56, afirma ainda que Fritzl humilhou sua irmã durante os 51 anos de casamento, e que sempre maltratou seus filhos, que em muitos casos se casaram jovens para deixar a casa da família.

"Minha irmã se casou com Josef quando tinha 17 anos, não tinha formação nem profissão, e ele se aproveitou dela de forma brutal durante 51 anos", relata. "Josef era déspota, sempre o odiei", acrescenta Christine, que lembra que há 40 anos o marido de sua irmã foi preso pela violação de uma mulher em Linz.

Fritzl e sua esposa, Rosemarie, tiveram sete filhos, dos quais uma, Elisabeth, ficou trancada por quase 25 anos no porão da casa da família, onde era violada por seu pai e teve sete filhos. Christine confirma ainda que Fritzl é muito vaidoso, a ponto de viajar a Viena para fazer um transplante de cabelo.

DNA

Nesta terça-feira (29), testes de DNA confirmaram que Fritzl é o pai dos seis filhos ainda vivos que Elisabeth teve no período em que ficou aprisionada em um porão sem janelas, informou a polícia. Ele abusava sexualmente da filha desde que ela tinha 11 anos. Em uma das vezes que Elisabeth engravidou, ela deu à luz gêmeos, dos quais um morreu três dias após nascer.

De acordo com o chefe da Promotoria local, Peter Ficenc, citado pela Reuters, o austríaco está sendo investigado por homicídio por omissão de socorro. Ele confessou ter queimado a criança logo após ela ter morrido. Ficenc disse também que as investigações estão acontecendo por estupro, incesto e coerção.

O caso veio à tona no último domingo (27), depois de a polícia ter prendido o suspeito e encontrado o porão onde ele mantinha a filha presa.

A investigação começou quando uma das filhas dos dois, de 19 anos, ficou seriamente doente e foi levada ao hospital. Os médicos resolveram, então, apelar para que a mãe da menina aparecesse para fornecer mais detalhes sobre seu histórico clínico.

Elisabeth teria sido aprisionada pelo pai no dia 28 de agosto de 1984, quando tinha, então, 18 anos. Em depoimento à polícia neste domingo, ela disse que seu pai, Josef Fritzl, atraiu-a ao porão do local em que viviam. Antes de aprisioná-la, ele a teria sedado e a algemado.

A polícia disse que uma carta escrita por Elisabeth aparentemente apareceu um mês depois de seu desaparecimento. Ela pedia aos pais que não procurassem por ela.

Filhos

Efe
Fotografia da polícia mostra o local onde filha e três crianças viviam em cativeiro
Fotografia mostra o local onde filha e três crianças viviam em cativeiro

Três de seus filhos, com 5, 18 e 19 anos, ficaram trancados no porão desde que nasceram e nunca viram a luz do sol. Os dois mais novos eram meninos e a mais velha, menina. As outras três crianças --duas meninas e um menino-- foram criadas por Josef e sua mulher.

Segundo a polícia, Fritzl também admitiu ter queimado o corpo de uma das crianças, após ela ter morrido logo depois de nascer. Segundo a rede de TV CNN, a criança que morreu era gêmea de outra que sobreviveu.

Fritzl escondeu a entrada do cativeiro e somente ele sabia o código secreto para a porta de concreto reforçada, disseram oficiais. Algumas partes do local não tinham mais de 1,70 metro de altura.

As fotografias divulgadas na segunda-feira (28) mostram uma estreita passagem ligando os ambientes que incluiam uma espécie de cozinha, um local para dormir e um pequeno banheiro com um chuveiro. Um cano fornecia a ventilação. Havia também uma porta à prova de som.

Com agências internacionais

Comentários dos leitores
antonio alves (3) 22/10/2008 17h47
antonio alves (3) 22/10/2008 17h47
Esse cara nasceu foi MUITO FEIO, ô homem feio Sô!!!! coitada da filha dele que teve que dar pra ele a vida inteira... 35 opiniões
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João Carlos Gagliardi (745) 22/10/2008 15h32
João Carlos Gagliardi (745) 22/10/2008 15h32
Já repararam como tem sempre um psiquiatra pronto para explicar o inexplicável, em se tratando do comportamento humano.
Essa monstruosidade apenas nasceu em um invólucro humano, mas a semelhança para por aí. Creio que a Áustria, não tem pena de morte, afinal países "civilizados" tem muito orgulho em deixarem animais como estes vivos.
Só a prisão perpétua seria o suficiente?
Isso ainda se não o internarem para tratamento, coitadinho...
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Ellen . (223) 11/06/2008 15h45
Ellen . (223) 11/06/2008 15h45
O termo "casta advocatícia" realmente representa bem nossa triste realidade. É lamentável ver como a nossa democracia funciona: 90% dos brasileiros não sabem o que é Constituição. Os poucos que têm acesso, como os profissionais formados em direito, seguem dois caminhos: ou vão para a área burocrática do Estado, em busca de estabilidade profissional, ou seguem o caminho mercadológico, atuando em empresas ou particulares.
Imaginem que um cidadão nasce e morre sem ao menos ter conhecimento de seus direitos básicos??
A mídia?Bom, esta apenas condena o povo à ignorância eterna, com novelas, programas de auditório, etc.
Brasileiros, há manifestações nos quatro cantos do mundo!!Não estamos no fim da história, no mundo cada um por si, ganhe dinheiro, endivida-se, seja feliz comprando, enriqueça os bancos.
Você ganha pouco?se mata de trabalhar pra enriquecer o patrão?Não tem um sistema de saúde de qualidade?seu filho não tem acesso à educação de qualidade?Oras, o importa?Se posso comprar à prestação meu novo celular, uma geladeira nova, etc?
Essas "necessidades" tecnológicas dão a falsa idéia de satisfação pessoal.As novelas mostram um mundo irreal.
Resultado: viramos apenas consumidores e perdemos nosso papel enquanto cidadãos. Conseqüência?Perdemos nossos direitos, as injustiças aumentam, a política serve ao mercado e regredimos na história!
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