Mundo
01/05/2008 - 14h15

Polícia turca prende cerca de 500 pessoas em evento do Dia do Trabalho

Colaboração para a Folha Online

Cerca de 500 pessoas foram detidas nesta quinta-feira durante protestos realizados por ocasião do Dia do Trabalho em Istambul, na Turquia, conforme informou o Centro de Crise da Autoridade Provincial na capital turca.

A maior parte dos detidos acabou presa por realizar manifestações não autorizadas nos arredores da praça Taksim.

Milhares de policiais ocuparam as principais ruas próximas da praça para impedir que os sindicatos realizassem passeatas e reprimiram de forma dura os manifestantes, alguns dos quais jogaram pedras contra membros das forças de segurança.

As autoridades informaram também que 6 policiais ficaram feridos por pedradas, mas não deram informações sobre manifestantes atingidos pelo uso de gás lacrimogêneo na contenção dos eventos. A polícia usou também cacetetes e canhões de água para conter grupos de protestantes.

Emrah Dalkaya/AP
Texto: Workers use a banner reads that: "No to poverty and unjustice!" to protect themselves as riot police use water cannon during a Labor Day demonstration in Istanbul, Turkey, Thursday, May 1, 2008. Turkish riot police used clubs, tear gas and water cannons to break up crowds of workers and students trying to reach a main Istanbul square for a Labor Day rally banned by the government. Authorities said 505 demonstrators were detained and six police officers were injured. (AP Photo/Emrah Dalkaya)
Turcos usam faixa com frase "não à pobreza e à injustiça" para defender-se da polícia

Segundo a rede de televisão turca Haber Turk, 30 pessoas ficaram feridas durante o confronto.

A praça Taskim carrega um significado histórico para a capital turca pelo assassinato de 37 pessoas em manifestações do Dia do Trabalho em 1977.

Os sindicatos turcos, que convocaram uma concentração de 500 mil pessoas na praça, cancelaram as passeatas por causa da violência. Mesmo assim, alguns grupos de esquerda tentaram marchar em direção à praça com paus e pedras nas mãos e lenços cobrindo os rostos.

Dezenas de pessoas, inclusive idosos, mulheres e crianças que estavam perto da praça Taksim, foram hospitalizadas por intoxicação por gás lacrimogêneo e os médicos advertiram as autoridades sobre as graves conseqüências do uso de bombas de gás.

Confronto

Qualquer concentração na praça Taksim é proibida desde o golpe militar de 1980. O governo justifica a proibição citando os trágicos eventos de 1977 e alegando preocupação com a segurança dos cidadãos. Porém, todos os anos os sindicatos insistem em realizar manifestações no emblemático local, como protesto ao governo.

O governo reforçou a polícia de Istambul com policiais de outras cidades e um helicóptero que sobrevoou o centro da cidade durante todo o tempo. Os policiais fizeram barricadas dentro e ao redor da praça.

Os manifestantes gritavam as frases "Longa vida ao Primeiro de Maio" e "Todo lugar é Taskim", além de slogans denunciando o governo.

Policiais usando máscaras de gás dispersaram uma multidão que se reunia em frente ao escritório do sindicato dos trabalhadores com intenção de marchar até a praça Taskim.

Uma agência de notícias local afirmou que a polícia atirou balas de borracha em um distrito próximo à praça quando um grupo de protestantes jogou bombas em direção à polícia. Oficiais não se pronunciaram sobre o ocorrido.

Com Associated Press e Efe

 

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