Mundo
01/05/2008 - 14h48

Manifestações marcam 1º de Maio pelo mundo

da Folha Online

Milhares de pessoas participaram nesta quinta-feira, em várias cidades do mundo, das comemorações do 1º de Maio. Em alguns países, como Turquia e Alemanha, as manifestações se tornaram violentas, foram registradas prisões e a polícia precisou intervir.

Em Hamburgo (Alemanha), milhares de pessoas se reuniram para pedir por mais direitos trabalhistas, enquanto manifestantes na Turquia foram reprimidos pela polícia com canhões de água.

Na Rússia, manifestantes pediram igualdade econômica e, em Cuba, os moradores esperavam que o presidente Raúl Castro anunciasse mais mudanças. Apesar de comparecer ao evento na praça da Revolução, o chefe de Estado cubano --que assumiu após a renúncia de seu irmão, Fidel Castro-- não fez discurso.

O 1º de Maio é conhecido mundialmente como o Dia internacional do Trabalho e é tipicamente marcado por demonstrações que podem, às vezes, se tornar violentas.

Turquia

Osman Orsal/Reuters
Policial turco detém manifestante em Istambul ao dispersar multidão no 1º de Maio
Policial turco detém manifestante em Istambul ao dispersar multidão no 1º de Maio

Em Istambul, a polícia turca usou cacetetes, gás de pimenta e canhões de água para dispersar a multidão de trabalhadores e estudantes que tentava alcançar a praça principal para comemorar o Dia do Trabalho, em uma manifestação que foi proibida pelo governo. Seis policiais ficaram feridos e ao menos 467 manifestantes foram detidos.

Após os sindicatos turcos dizerem que desafiariam o governo e fariam as celebrações do Dia do Trabalho na praça Taksim, em Istambul, que foi cenário de violentos protestos décadas atrás, milhares de policiais foram colocados nas ruas.

Eles também montaram barricadas na praça --as celebrações no local têm sido banidas desde 1977, quando homens armados não-identificados abriram fogo contra os manifestantes, matando 37 pessoas.

"Vida longa ao 1º de Maio" e "Todo lugar é Taksim" eram alguns dos gritos dos manifestantes desta quinta-feira, além de frases denunciando o governo.

Alemanha

Johannes Eisele/Reuters
Policiais passam por carros em chamas em manifestação realizada em Hamburgo
Policiais passam por carros em chamas em manifestação realizada em Hamburgo

Na Alemanha, protestos anticapitalistas realizados na noite anterior ao Dia do Trabalho, em Hamburgo, transformaram-se em atos de violência e vandalismo, informou a polícia nesta quinta-feira.

A polícia recorreu ao uso de cassetetes e jatos de água para conter os manifestantes de esquerda e os chamados "autônomos" ou radicais mais exaltados.

Em Berlim, a polícia prendeu ao menos 20 pessoas ontem à noite em uma festa violenta em Mauerpark, no local onde o Muro de Berlim foi construído.

Um policial ficou levemente ferido quando manifestantes jogaram garrafas de vidro e pedras, disse Hansjoerg Draeger, porta-voz da polícia de Berlim. Dois carros foram queimados. O número de prisões, no entanto, é bem menor que no ano passado, quando 120 pessoas foram presas no Mauerpark.

Moscou

AP
Russos participam de manifestação em comemoração ao 1º de Maio em Moscou
Russos participam de manifestação em comemoração ao 1º de Maio em Moscou

Em Moscou, cerca de 30 mil pessoas participaram de manifestações pela cidade, disseram policiais. Membros do partido Rússia Unida, apoiado pelo Kremlin, marcharam pela principal via de Moscou carregando cartazes escritos "Crescimento econômico não apenas para os ricos" e ´"Putin e Medvedev são os salvadores do ensino superior", entre outras frases.

O líder comunista Gennady Zyuganov, no entanto, liderou uma manifestação em que predominou o vermelho, bandeiras com a foice e o martelo, e fotos de Lênin e Stalin.

O feriado tem perdido muito do seu significado para a maioria dos russos desde a era soviética, quando o 1º de Maio era uma grande celebração de solidariedade trabalhista e do poder soviético. A maioria das pessoas, agora, usam o feriado para descansar.

Cuba

Sven Creutzman/Efe
O presidente cubano, Raúl Castro, participa de manifestação na praça da Revolução
O presidente cubano, Raúl Castro, participa de manifestação na praça da Revolução

Em Cuba, milhares de cubanos tomaram a praça da Revolução em Havana para um Dia do Trabalho permeado por esperanças de que o governo pudesse anunciar outras pequenas mudanças para a vida diária dos moradores da ilha.

Vestido com uniforme militar e sem pronunciar discurso algum, o chefe de Estado cubano, Raúl Castro, presidiu o desfile do Dia do Trabalho.

O único orador do dia foi o presidente da Central dos Trabalhadores Cubanos (CTC, sindicato único), Salvador Valdés, que reiterou o discurso oficial de "continuar o caminho traçado" pelo ex-presidente Fidel Castro "para um socialismo cada vez mais justo e eficiente".

É o segundo Dia do Trabalho que Fidel Castro, de 81 anos, não preside, pois não aparece em público desde 2006, em razão de uma doença intestinal.

Com agências internacionais

 

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