Mundo
01/05/2008 - 17h24

Polícia austríaca afirma que Fritzl pode ter ameaçado filhos com gás

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Colaboração para a Folha Online

A polícia austríaca divulgou nesta quinta-feira que Josef Fritzl pode ter ameaçado matar com gás sua filha Elisabeth e os filhos que teve com ela caso tentassem fugir.

Helmut Greiner, porta-voz da polícia local, disse à imprensa que Fritzl é acusado de dizer a Elisabeth, seqüestrada e violentada por quase 24 anos, que, se "ocorresse algo" com ele, o porão se encheria de gás.

Police Niederoesterreich/AP
Fritzl, 73, que confessou manter a filha em cativeiro durante 24 anos
Fritzl, 73, que confessou manter a filha em cativeiro durante 24 anos

Greiner afirmou que investigadores estão checando para verificar se o dispositivo que poderia enviar gás para dentro do porão realmente existe, como Fritzl disse durante o primeiro interrogatório policial.

Especialistas também investigam outra afirmação de Fritzl, sobre a existência de um temporizador na porta, que a deixaria fácil de abrir após um determinado período para que os filhos conseguissem sair caso ele se mantivesse longe por muito tempo, afirmou Greiner.

Um homem que afirmou ser ex-inquilino de Fritzl disse ouvir ruídos suspeitos vindo do porão durante os 12 anos que viveu na casa, entre 1995 e 2007. Alfred Dubanovsky afirmou à agência Associated Press que perguntou a Fritzl se o barulho vinha do encanamento de gás e Fritzl teria dito que sim.

O engenheiro eletricista aposentado, que permanece em prisão preventiva, confessou ser o pai dos sete filhos de Elisabeth nascidos no porão em condições subumanas, dos quais um morreu com três dias de vida.

Férias

Fritzl também viajou duas vezes de férias à Tailândia e deixou sua filha sozinha durante semanas no cativeiro subterrâneo com três de seus filhos.

Reprodução
Austríaco que prendeu filha em porão recebe massagem durante férias na Tailândia
Austríaco que prendeu filha em porão recebe massagem durante férias na Tailândia

Isso foi narrado por um amigo alemão de Fritzl que o conhecia desde 1973 e que o acompanhou duas vezes à Tailândia, informou o jornal "Bild" em seu site.

Segundo o jornal gratuito "Heute", as autoridades austríacas centraram a investigação em uma viagem de Fritzl a Pattaya (Tailândia), praia conhecida pela grande oferta de turismo sexual, entre 6 de janeiro e 3 de fevereiro de 1998.

Nessas datas, de acordo com a reconstituição atual dos fatos, sua filha estava presa com três filhos no porão, fechado hermeticamente com uma porta maciça de aço e concreto.

Imagem

Enquanto isso, os arredores da casa de Fritzl, na rua Ybbsstrasse 40, se tornaram hoje novamente ponto de encontro para repórteres de todo o mundo e para turistas estrangeiros.

O possível dano para a imagem do país no exterior se transformou em preocupação inclusive da alta esfera política da república alpina, a apenas um mês do início da Eurocopa, que será realizada na Áustria e na Suíça.

Por ocasião do Dia do Trabalho, o primeiro-ministro austríaco, Alfred Gusenbauer, afirmou nesta quinta-feira em discurso que seu governo "não permitirá que o país inteiro, toda a população seja tomada como refém de um criminoso impiedoso".

"Vamos defender a imagem de nosso país, queridos amigos", disse Gusenbauer em Viena.

Também como conseqüência da grande repercussão do caso, um grupo de seguranças vigia nesta quinta-feira a entrada do hospital Amstetten-Mauer, onde Elisabeth e os seis filhos estão internados. Fotógrafos e repórteres já tentaram entrar na clínica, segundo o porta-voz dos centros de saúde regionais do Estado da Baixa Áustria, Klaus Schwertner.

Com Associated Press e Efe

 

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