Mundo
02/05/2008 - 16h38

Agricultores argentinos voltam a protestar, mas sem bloquear estradas

Publicidade

da Efe, em Buenos Aires

As quatro organizações que representam os agricultores da Argentina resolveram reiniciar os protestos contra o governo nesta quinta-feira, mas sem bloquear estradas nem retomar a greve comercial que realizaram durante três semanas, que causou falta de alimentos em todo o país.

Os dirigentes agropecuários decidiram dar por encerrada a trégua declarada há um mês e voltar a fazer manifestações, mas "à beira das estradas", sem interromper o trânsito.

"Isso é o final de uma etapa, mas o início de outra forma de mobilização, mantendo-nos em estado de alerta, expressando a queixa, o mal-estar e a ansiedade que há entre as pessoas do campo, mas com a vontade de continuar discutindo com o governo", disse o presidente da Federação Agrária Argentina (FAA), Eduardo Buzzi.

As mesas diretoras da Confederação Intercooperativa Agropecuária (Coninagro), da FAA, das Confederações Rurais Argentinas (CRA) e da Sociedade Rural Argentina (SRA) decidiram também "comercializar o estritamente necessário" da produção agropecuária, pois, a seu entender, não há condições "claras" no mercado.

De qualquer forma, Buzzi disse que os agricultores não querem desabastecer ou "confrontar a sociedade".

Os produtores agropecuários realizaram uma greve comercial durante três semanas de março, com bloqueios de estradas, para reivindicar uma política agropecuária integral e a suspensão de um novo esquema de impostos às exportações de grãos.

Os protestos foram suspensos em 2 de abril pelo prazo de um mês, para permitir as negociações entre as entidades rurais e o governo, que foram marcadas pela tensão, passeatas e contramanifestações.

Na quarta-feira (30), o Governo se comprometeu a discutir na semana que vem o tema dos impostos sobre as exportações de soja, trigo, girassol e milho.

O governo também prometeu reabrir os registros para as exportações de trigo e carne bovina entre quinta e sexta-feira, algo que, por enquanto, não se concretizou.

Os dirigentes disseram que é necessário esperar até terça-feira (6), quando voltarão a se reunir com o chefe de Gabinete, Alberto Fernández, com um "cumprimento efetivo" do que foi prometido.

As organizações agrícolas também pedem uma política integral de médio e longo prazo para o setor, que não se limite apenas à carne bovina, grãos e leite.

Segundo eles, a medida deve abranger também a produção suína, as diversas economias regionais e uma solução para os cinco mil produtores que devem 800 milhões de pesos (R$ 441,5 milhões) ao Banco da Nación Argentina.

Os produtores ressaltaram que o tema "prioritário" continua sendo os impostos móveis às exportações de grãos, cuja implementação foi o que originou o protesto do campo.

O presidente das CRA, Mario Llambías, disse que, por causa do conflito, "há uma posição de não investimento" no setor, com a "economia parada no interior do país" e graves prejuízos para o transporte de cargas, portos e indústrias de alimentos.

Os dirigentes concordaram em dizer que se avançou "muito pouco" nos debates feitos com o governo no último mês, mas o presidente da Coninagro, Fernando Gioino, declarou que agora "não há prazos para a negociação", mas que avaliarão "como os fatos diários evoluem".

"As entidades pedem a todos os produtores uma atitude firme e digna e de permanente mobilização para defender o que nos prometem e não nos dão. É como uma vigília", disse Llambías.

Ele pediu aos agricultores independentes que se manifestem em assembléias e se mobilizem com suas máquinas, mas sem bloquear as estradas.

A Argentina é o maior exportador mundial de girassol, o segundo de milho, o terceiro de soja e o quarto de trigo, e também ocupa posições de relevância no comércio global de derivados (óleos e farinhas) destes grãos.

 

FolhaShop

Digite produto
ou marca