Mundo
03/05/2008 - 02h55

OEA apóia integridade territorial da Bolívia mas não condena plebiscito

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da Efe, em Washington

A OEA (Organização dos Estados Americanos) expressou neste sábado seu respaldo à integridade territorial da Bolívia, e defendeu o dialogo para resolver o conflito gerado pelo plebiscito sobre autonomias regionais que acontecerá no próximo domingo no departamento de Santa Cruz.

A resolução, adotada na madrugada deste sábado, após sete horas de negociações, não inclui a rejeição ou a condenação da convocação do plebiscito, como pedia o governo de Evo Morales.

No texto, a OEA expressa seu respaldo ao governo boliviano, assim como às instituições democráticas e às autoridades eleitas, e pede que o Executivo e as autoridades de Santa Cruz "esgotem todas as instâncias de dialogo, para encontrar uma saída constitucional e democrática ao conflito".

A OEA também indicou que acolhe "com satisfação" as manifestações relativas à ordem constitucional e à integridade territorial, e rejeitou "qualquer tentativa de ruptura das mesmas".

O documento foi adotado por aclamação, depois de o secretário de Assuntos Políticos da OEA, o ex-chanceler argentino Dante Caputo, manifestar seu temor de que a crise na Bolívia possa acabar em violência.

"O problema da Bolívia hoje é humanitário. Meu temor é que a violência se transforme em tema central da política", disse Caputo ao apresentar um relatório sobre suas gestões para resolver o conflito ao Conselho Permanente da OEA, reunido em sessão extraordinária.

Pouco antes, o chanceler boliviano, David Choquehuanca, tinha reiterado a "vontade de diálogo" de seu governo, mas acusou as autoridades de Santa Cruz de recusar qualquer tipo de negociação.

"As portas do diálogo que o irmão presidente Evo Morales abriu foram bloqueadas", manifestou.

Nesta sexta-feira, mais de mil seguidores do governo de Evo Morales se concentraram em uma praça da cidade boliviana de Santa Cruz e ameaçaram não permitir a realização do referendo de autonomia marcado para o próximo domingo.

"Não queremos derramamento de sangue, mas os responsáveis serão o governador e os civis", disse à Agência Efe o dirigente camponês Fidel Surco, em referência ao próximo domingo.

A consulta acontecerá em meio a uma profunda crise entre a oposição autonomista e o Governo, que considera a votação ilegal e lançou um chamado à abstenção.

 

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