Anunciado bloqueio de ruas contra referendo de Santa Cruz, na Bolívia
da Efe, em San Julián
Os moradores da localidade boliviana de San Julián, considerada o refúgio dos seguidores do governo de Evo Morales, anunciaram um bloqueio de estradas como medida de protesto contra o referendo autonomista deste domingo.
Após uma assembléia popular da qual participaram cerca de duas mil pessoas, os moradores decidiram impedir por meio do bloqueio de estradas a realização do referendo promovido por líderes políticos e cívicos de Santa Cruz.
No meio de palavras de ordem contra o estatuto autônomo, os líderes de São Julián apelaram pela não participação no referendo e anunciaram "castigos" para quem tentasse fazê-lo na localidade.
Na localidade de San Julián, a cerca de 150 quilômetros ao norte de Santa Cruz, os moradores decidiram impedir a consulta e desafiaram à União Juvenil Crucenhista, considerado um grupo de choque dos autonomistas, a entrarem na localidade para tentar instalar as urnas.
"Não temos medo deles", disseram em várias ocasiões os dirigentes, que subiram em um palanque improvisado situado no mercado central do povo.
O constituinte Armando Terrazas disse durante seu discurso que os habitantes de São Julián "vão saber castigar e sancionar" quem votar amanhã.
O líder sindical camponês Pedro Nuni denunciou em seu discurso que o referendo começou neste sábado, com votos em algumas empresas, cujos empregados querem jogar futebol no domingo.
"Vai correr sangue se vierem a San Julián", assegurou a dirigente camponesa Beatriz Medrano, que se referiu ao governador regional Rubén Costas como "maldito oligarca".
Em grande parte dos discursos, junto às críticas e insultos contra os promotores do referendo, também houve referências à imprensa, à qual acusaram de "mentir" e exigiram que "contem a verdade".
Um fotógrafo do jornal de La Paz "La Razón" foi agredido neste sábado na localidade de Yapacaní, também no departamento de Santa Cruz, por um grupo antiautonomia.
Segundo informaram à Agência Efe fontes do periódico, os agressores bateram no jornalista, que teve que ser atendido em um centro de saúde por causa de ferimentos no rosto, quando tentava fotografar incidentes provocados pelos grupos contra a autonomia da região.
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