Mundo
04/05/2008 - 09h08

Advogado diz que austríaco deve ir para instituição psiquiátrica

da Folha Online
da Efe, em Berlim

O advogado Rudolf Mayer, que defende o austríaco Josef Fritzl, 73, acusado de ter violentado e mantido aprisionada a própria filha em um porão durante 24 anos, afirma que seu cliente não é responsável pelos seus atos e que deve ir para uma instituição psiquiátrica.

"Minha opinião pessoal é que Josef Fritzl é um doente mental e portanto não é responsável por seus atos. Meu cliente não deve ser colocado em uma prisão, mas em uma instituição psiquiátrica", disse Mayer ao jornal "Bild am Sonntag".

28.abe.2008 - AP
Austríaco Josef Fritzl, 73, confessou ter mantido a filha em cativeiro durante 24 anos
Austríaco Josef Fritzl, 73, confessou ter mantido a filha em cativeiro durante 24 anos

O jurista, conhecido na Áustria por defender casos criminais especialmente complexos, adverte que, no caso do legista do Tribunal não ver o fato assim, "estuda" recorrer a um especialista próprio para que ratifique essa "opinião pessoal".

Segundo Mayer, seu cliente "não é um monstro, mas uma pessoa", embora para muitos o que ele fez seja incompreensível. Mayer também afirmou que sua primeira impressão quando visitou Fritzl na prisão onde está preventivamente foi que se tratava de um "patriarca".

O advogado afirma, além disso, ter recebido cartas ameaçadoras por sua decisão de defender o chamado "carcereiro de Amstetten", que manteve sua filha, Elisabeth, hoje com 42 anos, trancada e teve com ela sete filhos.

Mayer lembra que seu cliente admitiu as acusações de incesto e de ter trancado sua filha, mas que se defenderá de outros, como "assassinato por negligência".

Segundo "Bild", no caso de prosperar sua tese da não-responsabilidade Fritzl poderia ser condenado a no máximo 15 anos e sair em liberdade, em caso de boa conduta, muito antes.

DNA

No último dia 29, testes de DNA confirmaram que Fritzl é o pai dos seis filhos ainda vivos que Elisabeth teve no período em que ficou aprisionada em um porão sem janelas. Ele abusava sexualmente da filha desde que ela tinha 11 anos. Em uma das vezes que Elisabeth engravidou, ela deu à luz gêmeos, dos quais um morreu três dias após nascer.

De acordo com o chefe da Promotoria local, Peter Ficenc, citado pela Reuters, o austríaco está sendo investigado por homicídio por omissão de socorro. Ele confessou ter queimado a criança logo após ela ter morrido. Ficenc disse também que as investigações estão acontecendo por estupro, incesto e coerção.

O caso veio à tona no último dia 27, depois de a polícia ter prendido o suspeito e encontrado o porão onde ele mantinha a filha presa.

A investigação começou quando uma das supostas filhas dos dois, de 19 anos, ficou seriamente doente e foi levada ao hospital. Os médicos resolveram, então, apelar para que a mãe da menina aparecesse para fornecer mais detalhes sobre seu histórico clínico.

Elisabeth teria sido aprisionada pelo pai no dia 28 de agosto de 1984, quando tinha, então, 18 anos. Em depoimento à polícia, ela disse que seu pai atraiu-a ao porão do local em que viviam. Antes de aprisioná-la, ele a teria sedado e a algemado.

A polícia disse que uma carta escrita por Elisabeth aparentemente apareceu um mês depois de seu desaparecimento. Ela pedia aos pais que não procurassem por ela.

Filhos

Efe
Fotografia da polícia mostra o local onde filha e três crianças viviam em cativeiro
Fotografia mostra o local onde filha e três crianças viviam em cativeiro

Três de seus filhos, com 5, 18 e 19 anos, ficaram trancados no porão desde que nasceram e nunca viram a luz do sol. Os dois mais novos eram meninos e a mais velha, menina. As outras três crianças --duas meninas e um menino-- foram criadas por Fritzl e sua mulher.

Segundo a polícia, Fritzl também admitiu ter queimado o corpo de uma das crianças, após ela ter morrido logo depois de nascer. Segundo a rede de TV CNN, a criança que morreu era gêmea de outra que sobreviveu.

Fritzl escondeu a entrada do cativeiro e somente ele sabia o código secreto para a porta de concreto reforçada, disseram oficiais. Algumas partes do local não tinham mais de 1,70 metro de altura.

As fotografias divulgadas no dia seguinte após o caso ter vindo à tona mostram uma estreita passagem ligando os ambientes que incluiam uma espécie de cozinha, um local para dormir e um pequeno banheiro com um chuveiro. Um cano fornecia a ventilação. Havia também portas à prova de som.

Com agências internacionais

Comentários dos leitores
Ellen . (23) 11/06/2008 15h45
Ellen . (23) 11/06/2008 15h45
MARILIA / SP
O termo "casta advocatícia" realmente representa bem nossa triste realidade. É lamentável ver como a nossa democracia funciona: 90% dos brasileiros não sabem o que é Constituição. Os poucos que têm acesso, como os profissionais formados em direito, seguem dois caminhos: ou vão para a área burocrática do Estado, em busca de estabilidade profissional, ou seguem o caminho mercadológico, atuando em empresas ou particulares.
Imaginem que um cidadão nasce e morre sem ao menos ter conhecimento de seus direitos básicos??
A mídia?Bom, esta apenas condena o povo à ignorância eterna, com novelas, programas de auditório, etc.
Brasileiros, há manifestações nos quatro cantos do mundo!!Não estamos no fim da história, no mundo cada um por si, ganhe dinheiro, endivida-se, seja feliz comprando, enriqueça os bancos.
Você ganha pouco?se mata de trabalhar pra enriquecer o patrão?Não tem um sistema de saúde de qualidade?seu filho não tem acesso à educação de qualidade?Oras, o importa?Se posso comprar à prestação meu novo celular, uma geladeira nova, etc?
Essas "necessidades" tecnológicas dão a falsa idéia de satisfação pessoal.As novelas mostram um mundo irreal.
Resultado: viramos apenas consumidores e perdemos nosso papel enquanto cidadãos. Conseqüência?Perdemos nossos direitos, as injustiças aumentam, a política serve ao mercado e regredimos na história!
sem opinião
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porfirio sperandio (317) 11/06/2008 13h12
porfirio sperandio (317) 11/06/2008 13h12
BRAGANCA PAULISTA / SP
Nao e' que banalizou. Oras se isso se tornou uma pratica social, deixou de ser crime .
Foi extamanete isso que ouvi de um advogado ...
Deveriamos criar oque pra melhorarmos a casta advocaticia !? Ela e' responsavel por essas hipocrisia social.
sem opinião
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Ellen . (23) 10/06/2008 10h09
Ellen . (23) 10/06/2008 10h09
MARILIA / SP
Caros,
A mídia "descobre" um caso, entre centenas de casos. No Brasil há demasiados casos semelhantes dos quais nunca saberemos. Pais que abusam de filhos, crianças que sofrem das mais variadas violências.
No caso da Áustria, como citou Vera Lúcia, os filhos jamais tiveram acesso à escola, ao médico, ao dentista ao parque, ao zoológico.
Oras, pra quê tanta perplexidade?Aqui no Brasil há 50 mil casos de crianças que trabalham em condições análogas ao de escravos. Temos milhares de crianças que nunca tiveram acesso ao dentista, ao médico. Temos centenas de casos de crianças que nunca tiveram acesso à escola. Inclusive encontramos com elas muitas vezes nas ruas diariamente.
Bom, mas isso aqui virou banalizou demais e hoje já é algo "comum'.
É exatamente esta a intenção de nossa mídia brasileira.: provocar o "horror' com acontecimentos como esse e banalizar os casos mais graves, com maiores proporções, que paulatinamente destroem a sociedade brasileira.
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