Mundo
04/05/2008 - 10h52

Manifestantes contrários ao referendo destroem urnas de votação na Bolívia

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da France Presse, em Santa Cruz
da Folha Online

Manifestantes contrários ao referendo sobre a autonomia de Santa Cruz destruíram neste domingo urnas de votação que seriam usadas na consulta popular, informou a televisão local.

Dezenas de camponeses foram até uma praça pública de San Julián --zona rural que é reduto do presidente Evo Morales-- para impedir o início do plebiscito, destruindo as urnas entregues pelo tribunal eleitoral departamental. O vandalismo dos camponeses foi registrado pela televisão local.

Andres Stapff/Reuters
Manifestantes contrários ao referendo sobre autonomia de Santa Cruz queimam urnas
Manifestantes contrários ao referendo sobre autonomia de Santa Cruz queimam urnas

Os manifestantes entraram em conflito com funcionários do tribunal eleitoral, atacando aqueles que tentavam montar as mesas de votação.

No povoado de Yapacaní, a noroeste de Santa Cruz, outro bolsão controlado pelo presidente Morales, grupos de camponeses queimaram urnas e impediram o início da votação.

O dirigente do sindicato de colonizadores da Bolívia, Fidel Zurco, havia alertado que os camponeses e indígenas ligados ao governo rejeitavam a consulta popular, já que foi convocada sem a aprovação dos habitantes do departamento e porque levará à divisão da Bolívia.

Enquanto urnas eram destruídas nas zonas rurais, outros incidentes foram registrados num local de votação do bairro Plano 3.000, onde grupos de moradores chegaram armados com pedras e paus para impedir o referendo.

Autoridades da Corte Departamental Eleitoral admitiram os distúrbios e anunciaram que, de acordo com o Código Eleitoral, as mesas de votação danificadas serão repostas nas próximas horas.

O departamento (Estado) de Santa Cruz vota neste domingo um polêmico referendo sobre a aprovação de um estatuto que determina mais autonomia em relação ao governo central.

O texto prevê que o departamento seja responsável em questões como direito de propriedade, administração, educação, transporte, distribuição de terras e hidrocarbonetos, atualmente controladas pelo governo de La Paz.

 

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