Filha mais velha de Elisabeth Fritzl segue internada em estado grave
da Efe, em Viena
A adolescente Kerstin Fritzl, um dos sete filhos que Josef Fritzl teve com Elizabeth --a filha que deixou em cativeiro por 24 anos-- segue internada em estado de saúde grave, enquanto as autoridades tentam desvendar os detalhes de um dos maiores crimes da história da Áustria.
O delicado estado de saúde de Kerstin e sua entrada na emergência do hospital da cidade de Amstetten, no último dia 19, tornou públicos a manutenção do cativeiro no porão da casa de Fritzl e os contínuos abusos sexuais que o eletricista aposentado fazia sua filha Elisabeth passar.
Kerstin, que com 19 anos de vida jamais havia visto a luz do sol por ter sido mantida em cativeiro por Fritzl, é a mais velha entre os sete filhos frutos dos abusos sexuais sofridos por Elizabeth.
Kerstin se encontra em coma induzido na Unidade de Terapia Intensiva do hospital de Amstetten devido a uma doença ainda não identificada.
Segundo o porta-voz dos centros médicos da Baixa Áustria, Klaus Schwertner, ela segue em estado grave e precisa de respiração artificial, embora sua situação esteja um pouco mais controlada.
Alguns especialistas em genética austríacos afirmam que a estranha doença de Kerstin pode ter origem em problemas causados pelo incesto, o que ainda não foi confirmado pelo hospital.
Kerstin apresentava, além disso, uma grande despigmentação e problemas dentais e musculares, devido à falta de vitamina D pela ausência de luz solar e pelo limitado espaço que tinha disponível no cativeiro que dividia com sua mãe e outros dois irmãos, Stefan, de 18 anos, e Felix, de cinco.
Os filhos de Josef Fritzl e Elisabeth se encontram em um local isolado no hospital, atendidos por uma equipe de profissionais e com vidros escuros nas janelas para os que não estão acostumados com a luz solar.
O edifício é vigiado por forte aparato de segurança, que se intensificou nos últimos dias para evitar a entrada de fotógrafos.
Os jornais austríacos relatam neste domingo que um fotógrafo disfarçado de policial foi detido quando tentava entrar no centro médico na última sexta-feira.
Além disso, os policiais tiveram que deter os fotógrafos que, de cima das árvores, tentavam captar alguma imagem da família Fritzl.
Diante dessa situação, o primeiro passeio ao ar livre das vítimas não pôde acontecer, não só por uma adaptação paulatina à luz pela qual devem passar, mas também pelo assédio da mídia.
O chefe da Polícia Criminal encarregado da investigação do caso, Franz Polzer, confirmou neste domingo que Elisabeth passou os primeiros nove meses de seu longo seqüestro de 24 anos presa com uma corrente que limitava seus movimentos.
Polzer lamentou o vazamento de alguns detalhes da investigação, divulgados no sábado pela revista alemã 'Der Spiegel', e disse temer que se faça mais revelações.
Josef Fritzl pode enfrentar uma condenação de até 15 anos de prisão por abuso sexual, embora seja possível uma sentença maior caso seja também acusado de 'homicídio por omissão de auxílio' na morte de um de seus filhos.
Dos sete filhos que teve com Elisabeth, Fritzl colocou três na porta de sua casa, como se tivessem sido abandonados por sua filha que, na versão que Fritzl contou para sua esposa, havia fugido para se juntar a uma seita religiosa.
Os outros três seguiram vivendo em cativeiro até serem libertados há poucos dias, e um outro morreu logo depois de nascer e foi queimado por Fritzl em uma caldeira de calefação.
Na edição de hoje do jornal alemão 'Bild', o advogado de Josef Fritzl, Rudolf Mayer, diz que seu cliente 'não deveria estar na prisão, mas em um hospital psiquiátrico'.
Segundo ele, Fritzl, que já confessou os crimes, é "um homem doente e, portanto, não é responsável por seus atos".
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