Mundo
07/05/2008 - 22h38

Duas vezes premiê de Israel, Yitzhak Rabin foi assassinado a tiros

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Colaboração para a Folha Online

O ex-premiê israelense Yitzhak Rabin nasceu em Jerusalém, em 1922, e estudou na Faculdade de Agricultura Kadoorie, onde se graduou com distinção.

Sua carreira militar começou em 1940, quando se juntou ao "Palmach" (força de combate de elite), em Haganah. Durante a Guerra de Independência de Israel (1948-1949), Rabin comandou a brigada Harel, no fronte de Jerusalém.

Ele chegou a ser oficial de operações do Palmach, membro da delegação para as conversações de cessar fogo em Rhodes e Comandante de Operações na Brigada do Neguev.

26.out.1994 - Jaacov Saar/Reuters
Rei Hussein, da Jordânia, acende cigarro de Yitzhak Rabin após assinar acordo de paz
Rei Hussein, da Jordânia, acende cigarro de Yitzhak Rabin após assinar acordo de paz

Nos próximos 20 anos, serviu às Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) no comando do norte (1956-1959), como Chefe de Operações (1959-1964) e como Chefe de pessoal (1964-1968).

Em 1967, o general Rabin se tornou Comandante-chefe das forças terrestres, aéreas e navais, que lutam e vencem a Guerra dos Seis Dias, contra a Palestina.

No dia 1º de janeiro de 1968, aposentou-se do serviço militar e foi nomeado embaixador de Israel nos Estados Unidos. Durante os cinco anos como embaixador, promoveu e consolidou os laços entre o seu país e os EUA.

Em 1973, Rabin retornou a Israel e se tornou membro ativo do Partido Trabalhista. Ele foi eleito membro do Knesset (Parlamento de Israel) em dezembro de 1973 e quando Golda Meir estruturou o seu novo governo em 1974. Após a eleição do 8º Knesset, Rabin foi nomeado ministro do Trabalho.

Após a renúncia de Meir, ainda em 1974, devido às críticas de despreparo para enfrentar a Guerra de Yom Kipur --contra Egito, Síria e Iraque--, Rabin foi eleito presidente do Partido Trabalhista e primeiro-ministro.

Governo

Durante sua gestão, deu ênfase especial à economia, dedicou-se à melhora das questões sociais e reforçou o IDF. Com a mediação norte-americana, assinou acordos de desengajamento com o Egito e com a Síria (1974), seguidos por um acordo interino com o Egito em 1975. No mesmo ano, o primeiro Memorando de Entendimento foi assinado entre os governos de Israel e dos Estados Unidos.

Em junho de 1976, o governo de Rabin e o Exército lideraram a Operação Jonathan em Entebbe (Uganda) e libertam os passageiros da companhia aérea Air France, que haviam sido capturados por terroristas enquanto estavam a caminho de Paris.

18.dez.2002 - AP
Yigal Amir, o ortodoxo que matou Rabin por se opor à retirada de Israel da Cisjordânia
Yigal Amir, o estudante ortodoxo que matou o premiê Yitzhak Rabin

Em 1977, Rabin renuncia devido a um suposto envolvimento com um escândalo financeiro e o líder do Likud, Menachem Begin, torna-se premiê.

Ele se torna membro de oposição do Knesset pelo Partido Trabalhista, onde permanece até a formação do governo de União Nacional, em setembro de 1984. O ex-primeiro-ministro também foi membro do Comitê de Assuntos Externos e do Comitê de Defesa do Knesset.

No governo de União Nacional (1984-1990), Rabin serviu como ministro da defesa. Em janeiro de 1985, ele apresentou a proposta de retirar as forças militares de Israel do Líbano e estabelecer uma zona de segurança para garantir a paz nos terrenos da fronteira norte de Israel. Como ministro da Defesa, em 1987, comandou a repressão à Intifada, a rebelião palestina nos territórios ocupados.

Em fevereiro de 1992, Rabin foi eleito presidente do Partido Trabalhista e levou sua legenda à vitória nas eleições do Knesset do mesmo ano.

Acordos de paz

Em julho de 1992, ele voltou a ser primeiro-ministro e formou o 25º governo de Israel.

Em 1993, no mês de setembro, Rabin assinou com o líder da Organização para Libertação da Palestina (OLP), Iasser Arafat, o termo conjunto de Declaração de Princípios Israelense-Palestino, em Washington.

Em 1994, assinou o acordo de Autonomia Palestina na faixa de Gaza e em Jericó, e o acordo de paz entre Israel e Jordânia, que também assinado pelo rei Hussein da Jordânia, na presença do ex-presidente norte-americano Bill Clinton (1993-2001).

Em dezembro do mesmo ano, Rabin, o atual presidente israelense, Shimon Peres, e o líder palestino Iasser Arafat receberam o Prêmio Nobel da Paz por seus esforços pela paz no Oriente Médio.

Em setembro de 1995, Rabin assinou o acordo de entendimento israelense-palestino, expandindo a autonomia palestina na Cisjordânia e faixa de Gaza, inclusive permitindo uma autoridade eleita e um Conselho Palestino.

No dia 04 de novembro de 1995, ele foi assassinado pelo estudante judeu Yigal Amir, logo após uma manifestação em massa em Tel Aviv reunida sob o ideal "Sim à paz, não à violência".

Amir era ortodoxo e se opunha à retirada de Israel da Cisjordânia.

Com Fundação Nobel

Com Ministério de Relações Exteriores de Israel

Com Congregação Judaica do Brasil

Comentários dos leitores
Rogério Clemente (2) 13/02/2009 19h49
Rogério Clemente (2) 13/02/2009 19h49
Uma coisa que sempre citam quando o assunto é sobre a Terra Santa (imagine se fosse terra amaldiçoada) é sobre o terrorismo. Mas o que é realmente terrorismo? Israel pratica terrorismo de estado e os palestinos lutam contra a ocupação. Então a partir daí podemos dizer que os israelenses é quem são terroristas, e os palestinos são anti-terroristas.
Também tem a questão do holocausto, sendo usado como recurso para vitimizar os judeus e colocar os palestinos como substitutos dos alemães. Isso obviamente é irônico, pois inverte os papéis da vítima e do algoz.
Falar em holocausto lembra revisionismo, mentirosamente chamado de negação do holocausto. Não se nega o holocausto e sim se revisa. O máximo que se nega é a versão oficial.
Há um projeto de lei, do Dep. Marcelo Itajiba, que pretende criminalizar a negação do holocausto (e obviamente sua revisão). Se o revisionismo é algo inválido, bastariam simples explicações para desmentir. Só. Mas o fato de criarem lei proibindo pensar, duvidar, indagar, já é motivo para se desconfiar. E não é a toa, pois o revisionismo não só apresenta outra versão, mas também denuncia a chamada industria do holocausto, onde o sofrimento das vítimas seria usado como forma de lucro fácil, além de ter ajudado a forçar a criação do estado de Israel. Só a mentira precisa de censura, e comparar revisionismo com apologia ao nazismo é no mínimo covardia de quem quer fugir de dar explicações e responder certas questões.
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Rogério Clemente (2) 13/02/2009 19h06
Rogério Clemente (2) 13/02/2009 19h06
Não creio que a criação de Israel foi algo tardio, mas não deveria ter sido criado nunca.
Os palestinos estavam lá e os judeus simplesmente foram chegando, tendo o antigo testamento como escritura de terras. Ao invés de uma justificativa, deram uma desculpa, de que seus ancestrais ali viveram a milênios, portanto as terras são suas.
Israel assassinou inocentes, até crianças. Claro que os palestinos não ficariam sem fazer nada. Não só podem como DEVEM lutar contra invasores. Desejar o fim do estado de Israel é o mínimo, tendo em vista que este estado está promovendo o fim do povo palestino.
E é bom deixar claro algumas coisas: Hamas, Hezbollah e Fatah não são grupos terroristas, como a mídia teima em afirmar. O Brasil oficialmente os reconhece como partidos políticos. Do ponto de vista palestino, Kadima e Likud é que seriam grupos terroristas.
Também tem a questão do holocausto. Usar isso como desculpa para matar palestinos é absurdo. Querem compensar o holocausto judeu com um holocausto palestino? Por isso digo que os sionistas fizeram um curso de genocídio na faculdade de Auschwitz, com o professor Menguele, cujo reitor era Adolf Hitler. Dali sairam com diploma de mestrado e doutorado.
Se os judeus tinham algum direito àquelas terras, deveriam simplesmente ir chegando com bons modos, respeitando seus anfitriões. Pelo que fizeram aos inocentes palestinos, já perderam o direito de estar ali a muito tempo. Portanto, não reclamem depois se ocorrer uma nova diáspora.
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Claudio Roberto (3) 07/01/2009 19h07
Claudio Roberto (3) 07/01/2009 19h07
Acerca do que ocorre na Faixa de Gaza, independente dos recursos bélicos disponíveis do lado israelense e do número de militantes que engrossem as fileiras do Hamas, é a população civil de ambas as partes que sairá derrotada e pior a diplonacia, na medida em que as potâncias ocidentais não impuserem sanções mais pesadas para os dois lados e retomarem os diálogos sobre a paz na região, a muito esquecidos com a 'cruzada anti-terror" do senhor Bush, que não teve quaisquer resulados positivos e o governo israelense atual, infelizmente resolveu adotar. 10 opiniões
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