Mundo
06/05/2008 - 18h39

Médicos Sem Fronteiras atende vítimas do ciclone Nargis em Mianmar

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da Folha Online

Equipes da organização humanitária Médicos Sem Fronteiras conseguiram ter acesso à população de Yangun e tentam chegar a outras regiões fora da cidade muito atingidas pelo ciclone Nargis, que devastou Mianmar no último sábado (3).

Arte Folha Online

A junta militar que comanda o país normalmente impede a presença de organizações e autoridades internacionais, mas a gravidade da situação fez com que os militares pedissem ajuda externa para lidar com as conseqüências do ciclone.

Quatro dias após a passagem do Nargis, que devastou várias regiões de Mianmar --deixando ao menos 22 mil mortos e 1 milhão de desabrigados--, grande parte da população continua sem acesso a água potável, alimentos e abrigos. Até o momento, equipes da MSF conseguiram ter acesso a áreas de Yangun, a maior cidade do país, e tentam chegar a outras regiões do país que seguem isoladas.

As equipes da MSF em Yangun começaram a estabelecer a primeira resposta emergencial, que inclui distribuição de comida, lâminas de plástico e kits para clorar a água.

Resposta

Em Daala e Twante, duas vilas com uma população total de 300 mil pessoas, as equipes da MSF afirmam que 80% das casas foram destruídas e, em alguns lugares, o nível da água chega a um metro. Sob essas circunstâncias, doenças infecciosas como o cólera podem se espalhar rapidamente. Nessas duas áreas, a MSF está organizando a primeira resposta de emergência através da distribuição de comida, água e itens de primeira necessidade para 5.000 pessoas.

A organização também tem quatro clínicas funcionando a longo prazo em outras vilas de Yangun, com foco no tratamento materno e infantil, doenças sexualmente transmissíveis (HIV/Aids) e deixou todas essas clínicas à disposição de qualquer pessoa com problemas de saúde relativos ao ciclone.

AP
Vista aérea da devastação causada pelo Nargis em local desconhecido em Mianmar, quatro dias após sua passagem
Vista aérea da devastação causada pelo Nargis em local desconhecido em Mianmar, quatro dias após sua passagem

Em Mianmar, a MSF atende mais de 16 mil pacientes com Aids e tem mais de 8 mil pacientes em tratamento com anti-retrovirais. A organização teme que alguns dos pacientes tenham seu tratamento interrompido, seja porque não conseguem ter acesso às clínicas ou porque perderam seus remédios durante o ciclone.

As famílias que tiveram as suas casas destruídas agora estão vivendo em estruturas públicas que resistiram à passagem do ciclone, como templos e escolas. A prioridade é fornecer água potável, alimentos e itens de primeira necessidade.

O preço dos alimentos básicos, incluindo o arroz, já dobrou nos últimos dias, o que é bastante preocupante para uma população que já vivia sob condições de vida precárias antes do ciclone.

 

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