Médicos Sem Fronteiras atende vítimas do ciclone Nargis em Mianmar
da Folha Online
Equipes da organização humanitária Médicos Sem Fronteiras conseguiram ter acesso à população de Yangun e tentam chegar a outras regiões fora da cidade muito atingidas pelo ciclone Nargis, que devastou Mianmar no último sábado (3).
| Arte Folha Online |
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A junta militar que comanda o país normalmente impede a presença de organizações e autoridades internacionais, mas a gravidade da situação fez com que os militares pedissem ajuda externa para lidar com as conseqüências do ciclone.
Quatro dias após a passagem do Nargis, que devastou várias regiões de Mianmar --deixando ao menos 22 mil mortos e 1 milhão de desabrigados--, grande parte da população continua sem acesso a água potável, alimentos e abrigos. Até o momento, equipes da MSF conseguiram ter acesso a áreas de Yangun, a maior cidade do país, e tentam chegar a outras regiões do país que seguem isoladas.
As equipes da MSF em Yangun começaram a estabelecer a primeira resposta emergencial, que inclui distribuição de comida, lâminas de plástico e kits para clorar a água.
Resposta
Em Daala e Twante, duas vilas com uma população total de 300 mil pessoas, as equipes da MSF afirmam que 80% das casas foram destruídas e, em alguns lugares, o nível da água chega a um metro. Sob essas circunstâncias, doenças infecciosas como o cólera podem se espalhar rapidamente. Nessas duas áreas, a MSF está organizando a primeira resposta de emergência através da distribuição de comida, água e itens de primeira necessidade para 5.000 pessoas.
A organização também tem quatro clínicas funcionando a longo prazo em outras vilas de Yangun, com foco no tratamento materno e infantil, doenças sexualmente transmissíveis (HIV/Aids) e deixou todas essas clínicas à disposição de qualquer pessoa com problemas de saúde relativos ao ciclone.
| AP |
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| Vista aérea da devastação causada pelo Nargis em local desconhecido em Mianmar, quatro dias após sua passagem |
Em Mianmar, a MSF atende mais de 16 mil pacientes com Aids e tem mais de 8 mil pacientes em tratamento com anti-retrovirais. A organização teme que alguns dos pacientes tenham seu tratamento interrompido, seja porque não conseguem ter acesso às clínicas ou porque perderam seus remédios durante o ciclone.
As famílias que tiveram as suas casas destruídas agora estão vivendo em estruturas públicas que resistiram à passagem do ciclone, como templos e escolas. A prioridade é fornecer água potável, alimentos e itens de primeira necessidade.
O preço dos alimentos básicos, incluindo o arroz, já dobrou nos últimos dias, o que é bastante preocupante para uma população que já vivia sob condições de vida precárias antes do ciclone.
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