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07/05/2008 - 22h29

Premiê Ehud Olmert defende novas fronteiras para Israel

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Colaboração para a Folha Online

Ehud Olmert nasceu em 30 de setembro de 1945 em Nahalat Jabotinsky, uma comunidade turca perto de Binyamina (norte de Tel Aviv). Seus pais, Bellah e Mordechai Olmert eram membros do grupo militante judeu Irgun Zvai Leumi, que lutou pela independência do domínio britânico sobre os territórios palestinos.

Nas décadas de 50 e 60, seu pai serviu como membro do Knesset (Parlamento) da ala direitista do partido Herut, resultado do crescimento do Irgun e um precursor de Likud, um partido político de Israel que congrega partidários de centro e de direita e no qual Ariel Sharon iniciou sua carreira política.

David Silverman/AP
Primeiro-ministro israelense Ehud Olmert participa de cerimônia em cemitério militar
Primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert participa de cerimônia em cemitério militar

Ehud cresceu em um ambiente muito politizado e ideologicamente de direita. Ganhou destaque local pela primeira vez aos 21 anos, quando, como estudante de direito e ativista, foi até uma convenção do partido Herut e exigiu que Menachem Begin, influente líder do Irgun e Herut, renunciasse ao cargo depois de ter perdido a sexta eleição nacional consecutiva.

Serviu na infantaria das Forças de Defesa israelenses e, em 1973, formou-se como advogado pela Universidade de Jerusalém. No mesmo ano, se tornou o mais jovem deputado do Knesset, onde entra pelas listas do Likud (ainda liderado por Begin) e estabelece sua reputação política como combatente da corrupção nos esportes e do crime organizado.

Ironicamente, a partir de meados dos anos 80, ele foi alvo de inúmeros escândalos de corrupção, acusado de utilizar a sua posição no governo para facilitar negócios de amigos seus. Contudo, no único caso em que foi efetivamente indiciado, Olmert foi absolvido.

Durante sua trajetória política, Olmert opôs-se inúmeras vezes à liderança de Begin. Em 1978, ele votou contra os Acordos de Camp David, acordos de paz assinados pelo então primeiro-ministro Begin e o presidente do Egito Anwar Sadat em um encontro patrocinado pelo então presidente dos EUA, Jimmy Carter (1977-81). Olmert não apenas opôs-se aos acordos de paz como pediu a queda de Begin.

Sua carreira política deslancha quando Begin é substituído por Yitzhak Shamir no cargo de primeiro-ministro, em 1983. Como membro do grupo de jovens "príncipes" do Likud e muito próximo ao novo líder, Olmert, na época com 42 anos, foi indicado para o ministério das Relações entre Israel e Árabes. Em 1990, dois anos depois, torna-se ministro da Saúde.

Prefeitura de Jerusalém

Quando Benjamin Netanyahu foi eleito líder do Likud, em 1993, Olmert deixou a política nacional para concorrer nas eleições municipais de Jerusalém. Em um resultado inesperado, ele derrotou o prefeito Teddy Kollek, que concorria a seu sétimo mandato.

Olmert foi reeleito em 1998 e teve seu nome ligado ao aumento da população de judeus ortodoxos na cidade e à abertura do túnel perto da Esplanada das Mesquitas. Também investiu boa parte dos recursos municipais no desenvolvimento do sistema rodoviário da cidade e na infra-estrutura de água e agosto.

Neste tempo na prefeitura, Olmert muda de postura política da direita para o centro-direita. Ele justificou a mudança dizendo ter sido influenciado pela experiência na prefeitura de Jerusalém, uma cidade que, defende, deve ser partilhada pelos dois povos. Os seus apoiadores dizem que a mudança foi influência de sua mulher Aliza, escritora e artista pacifista com quem tem quatro filhos biológicos e uma adotiva.

Vice-ministro de Sharon

Em 2003, o então primeiro-ministro Ariel Sharon convocou Olmert de volta ao cenário nacional para assumir no cargo de ministro da Indústria e Comércio de Israel e vice-ministro.

Michel Euler/AP
Texto: President of the Palestinian Authority Mahmoud Abbas, also known as Abu Mazen, right, shakes hands with Israel's Vice Prime Minister Ehud Olmert during a bilateral meeting at a EuroMed summit in Barcelona, Spain, Sunday Nov. 27, 2005. European Union leaders arrived in Barcelona Sunday for a two-day summit with their Mediterranean neighbors, keen to improve cooperation and boost democratic standards by linking aid and trade to political reforms. (AP Photo/Michel Euler)
Como vice-ministro, Ehud Olmert se encontra com o líder palestino, Mamhoud Abbas

No cargo, Olmert tornou-se muito próximo a Sharon e um dos principais arquitetos de sua política de retirada dos israelenses de todas as áreas ocupadas na faixa de Gaza e mais quatro assentamentos na Cisjordânia.

A decisão de retirar os assentamentos israelenses causou grande discussão no meio político de Israel. Na época, Olmert escreveu um artigo no jornal "Yediot Aharonot" que a retirada era o único caminho para Israel continuar democrata e judeu.

Ele alertou que a alta taxa de natalidade dos palestinos significava que a população árabe iria em breve superar o número de judeus nos territórios controlados por Israel. Para que Israel permanecesse como Estado judeu, afirmou ainda, uma nova fronteira deveria ser criada, com o maior número possível de judeus no lado de Israel.

Na época, representantes dos assentamentos judeus acusaram-no de defender o terrorismo.

Contudo, após a controvérsia inicial, a idéia da retirada ficou estabelecida como a política do governo, com uma maioria de israelenses apoiando o processo.

Ele também seguiu Sharon quando o ex-primeiro-ministro fundou, em novembro de 2005, o partido de centro Kadima, após deixar o Likud.

Primeiro-ministro

Como vice, ele viveu um novo momento de grande crescimento dentro do cenário político. Em janeiro de 2006, quando Sharon sofreu uma hemorragia cerebral que o deixou em coma, Olmert assumiu todas as responsabilidades e tarefas do cargo.

Nas eleições de 28 de março de 2006, Olmert levou o Kadima à vitória e foi confirmado como primeiro-ministro em 14 de abril, após seu partido ganhar a maioria das cadeiras do Knesset.

Na época, Aliza confessou que só votou no marido porque ele se apresentou como líder do Kadima e não mais do Likud, onde construiu sua carreira política.

Durante a campanha eleitoral, Olmert prometeu continuar as políticas propostas por Sharon para a desocupação dos territórios e para a determinação de fronteiras permanentes entre Israel e palestinos até 2010.

"O principal desafio do país é determinar as fronteiras permanentes para garantir que a população seja majoritariamente judaica", falou Olmert à época.

Fontes: Ministério de Relações Exteriores de Israel e Enciclopédia Britânica

Comentários dos leitores
Rogério Clemente (2) 13/02/2009 19h49
Rogério Clemente (2) 13/02/2009 19h49
Uma coisa que sempre citam quando o assunto é sobre a Terra Santa (imagine se fosse terra amaldiçoada) é sobre o terrorismo. Mas o que é realmente terrorismo? Israel pratica terrorismo de estado e os palestinos lutam contra a ocupação. Então a partir daí podemos dizer que os israelenses é quem são terroristas, e os palestinos são anti-terroristas.
Também tem a questão do holocausto, sendo usado como recurso para vitimizar os judeus e colocar os palestinos como substitutos dos alemães. Isso obviamente é irônico, pois inverte os papéis da vítima e do algoz.
Falar em holocausto lembra revisionismo, mentirosamente chamado de negação do holocausto. Não se nega o holocausto e sim se revisa. O máximo que se nega é a versão oficial.
Há um projeto de lei, do Dep. Marcelo Itajiba, que pretende criminalizar a negação do holocausto (e obviamente sua revisão). Se o revisionismo é algo inválido, bastariam simples explicações para desmentir. Só. Mas o fato de criarem lei proibindo pensar, duvidar, indagar, já é motivo para se desconfiar. E não é a toa, pois o revisionismo não só apresenta outra versão, mas também denuncia a chamada industria do holocausto, onde o sofrimento das vítimas seria usado como forma de lucro fácil, além de ter ajudado a forçar a criação do estado de Israel. Só a mentira precisa de censura, e comparar revisionismo com apologia ao nazismo é no mínimo covardia de quem quer fugir de dar explicações e responder certas questões.
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Rogério Clemente (2) 13/02/2009 19h06
Rogério Clemente (2) 13/02/2009 19h06
Não creio que a criação de Israel foi algo tardio, mas não deveria ter sido criado nunca.
Os palestinos estavam lá e os judeus simplesmente foram chegando, tendo o antigo testamento como escritura de terras. Ao invés de uma justificativa, deram uma desculpa, de que seus ancestrais ali viveram a milênios, portanto as terras são suas.
Israel assassinou inocentes, até crianças. Claro que os palestinos não ficariam sem fazer nada. Não só podem como DEVEM lutar contra invasores. Desejar o fim do estado de Israel é o mínimo, tendo em vista que este estado está promovendo o fim do povo palestino.
E é bom deixar claro algumas coisas: Hamas, Hezbollah e Fatah não são grupos terroristas, como a mídia teima em afirmar. O Brasil oficialmente os reconhece como partidos políticos. Do ponto de vista palestino, Kadima e Likud é que seriam grupos terroristas.
Também tem a questão do holocausto. Usar isso como desculpa para matar palestinos é absurdo. Querem compensar o holocausto judeu com um holocausto palestino? Por isso digo que os sionistas fizeram um curso de genocídio na faculdade de Auschwitz, com o professor Menguele, cujo reitor era Adolf Hitler. Dali sairam com diploma de mestrado e doutorado.
Se os judeus tinham algum direito àquelas terras, deveriam simplesmente ir chegando com bons modos, respeitando seus anfitriões. Pelo que fizeram aos inocentes palestinos, já perderam o direito de estar ali a muito tempo. Portanto, não reclamem depois se ocorrer uma nova diáspora.
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Claudio Roberto (3) 07/01/2009 19h07
Claudio Roberto (3) 07/01/2009 19h07
Acerca do que ocorre na Faixa de Gaza, independente dos recursos bélicos disponíveis do lado israelense e do número de militantes que engrossem as fileiras do Hamas, é a população civil de ambas as partes que sairá derrotada e pior a diplonacia, na medida em que as potâncias ocidentais não impuserem sanções mais pesadas para os dois lados e retomarem os diálogos sobre a paz na região, a muito esquecidos com a 'cruzada anti-terror" do senhor Bush, que não teve quaisquer resulados positivos e o governo israelense atual, infelizmente resolveu adotar. 10 opiniões
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