Mundo
07/05/2008 - 22h31

Em coma há 2 anos, ex-premiê Ariel Sharon liderou retirada de Gaza

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da Folha Online

Nascido em 27 de fevereiro de 1928 em Kfar Malal, o ex-premiê Ariel Sharon pode ser considerado uma das figuras políticas mais marcantes de Israel desde a criação do Estado, em 1948.

Ele serviu às Forças de Defesa de Israel por mais de 25 anos --tendo comandado operações militares cruciais que influenciaram fortemente a trajetória israelense-- e se formou em Direito pela Universidade Hebraica de Jerusalém.

27.jan.1971 - Reuters
Ariel Sharon (à esq.) fala com o ex-primeiro-ministro Ben Gurion durante viagem em Israel
Ariel Sharon (à dir.) fala com o ex-primeiro-ministro Ben Gurion durante viagem em Israel

Conhecido como "Arik" entre os amigos, o premiê israelense foi casado duas vezes. Sua primeira mulher, Margalith, morreu em um acidente de carro em 1962. Com ela, Sharon teve um filho, Gur, que morreu em 1967 após alvejar-se acidentalmente quando brincava com o rifle do pai. Ele então, casou-se com a sua cunhada Lily, irmã mais nova de Margalith, mãe de seus dois outros filhos Omri e Gilead. Lily morreu em 2000.

A entrada de Sharon no mundo militar se deu aos 14 anos, quando se incorporou à Hagana (força paramilitar que deu origem às Forças de Defesa de Israel). Ele comandou operações importantes e participou, entre outras ações, da Guerra da Independência (1948), Guerra dos Seis Dias (1967) e Guerra de Iom Kipur (1973).

Em dezembro de 1973, Sharon foi eleito membro do Knesset (Parlamento), renunciando um ano depois para servir como assessor de segurança do então primeiro-ministro Yitzhak Rabin (1974-1977 e 1992-1995), em 1975. Em 1977, Sharon foi reeleito para o Kneset.

Dentro do governo, Sharon ocupou os ministérios da Agricultura, da Defesa, da Indústria e Comércio, Construção e Habitação, e Infra-estruturas.

Em outubro de 1998, ele foi designado ministro das Relações Exteriores, conduzindo negociações até um acordo final com a ANP (Autoridade Nacional Palestina). Ele também acompanhou o então primeiro-ministro Benjamin Netanyahu até Wye River Plantation --local nos EUA onde foram realizadas conversas de paz entre líderes palestinos e israelenses--, tendo atuado como chefe da negociação.

Como ministro das Relações Exteriores, manteve contatos com líderes americanos, europeus, palestinos e árabes para conseguir avanços no processo de paz.

Depois da eleição de Ehud Barak (1999-2001) como primeiro-ministro, em maio de 1999, Sharon foi eleito líder interino do partido direitista Likud. Logo depois, em setembro, ocupou o cargo de chefe do partido.

Plano de segurança

Sharon foi eleito primeiro-ministro de Israel no dia 6 de fevereiro de 2001.

17.ago.2003 - Jim Hollander/Efe
Ex-primeiro-ministro Ariel Sharon, em Jerusalém; ele renunciou em 2005 e está em coma há 2 anos
Ariel Sharon, em Jerusalém; o ex-primeiro-ministro renunciou em 2005

Sharon também desenvolveu um arrojado plano que asseguraria um alto grau de segurança para os israelenses e melhoraria as vidas dos palestinos. Para isso, Israel deveria agir unilateralmente para garantir sua segurança e reduzir a violência.

Este plano, conhecido como plano de retirada, propunha uma retirada completa das tropas israelenses e dos colonos da faixa de Gaza, assim como o desmantelamento de todos os assentamentos na área, incluindo quatro assentamentos no norte de Samaria.

Entre 16 de agosto e 30 de agosto de 2005, Israel retirou com segurança mais de 8.500 colonos e no dia 11 de setembro de 2005, soldados israelenses deixaram Gaza, colocando fim a uma presença israelense de 38 anos na área.

A implementação do plano de retirada foi vista como um sucesso pela maioria do povo de Israel, apesar de ter espalhado protestos dos ministros do Likud (partido do Sharon), causando uma divisão no partido.

Renúncia

Enfrentando problemas no Likud, Sharon formalmente renunciou ao partido para formar um novo partido de centro, Kadima, no dia 21 de novembro de 2005.

Ele esboçou os objetivos de seu próprio partido e um deles, disse, era seguir com atenção o plano de paz apoiado pelos EUA. Sharon declarou que não haveria mais retiradas unilaterais da Cisjordânia e insistiu que os grupos terroristas palestinos fossem desarmados e desmantelados.

Em dezembro de 2005, Sharon passou dois dias no hospital após sofrer um pequeno derrame, que os médicos disseram não ter causado nenhuma lesão cerebral irreparável.

Contudo, no dia 4 de janeiro de 2006, Sharon foi levado ao hospital por causa de outro derrame mais sério, sofrendo hemorragia cerebral intensa. As obrigações de primeiro-ministro foram transferidas para Ehud Olmert, que ordenou um encontro de gabinete, no dia 5 de janeiro de 2006, para assinar a transferência de poder.

Olmert foi subsequentemente eleito primeiro-ministro até as eleições de março de 2006.

Autor de um livro e de numerosos artigos em jornais locais e estrangeiros, Sharon é viúvo e, em fevereiro desde ano, completou 80 anos de idade, ainda em coma.

Fontes: Ministério das Relações Exteriores de Israel e Jewish Virtual Library

Comentários dos leitores
Rogério Clemente (2) 13/02/2009 19h49
Rogério Clemente (2) 13/02/2009 19h49
Uma coisa que sempre citam quando o assunto é sobre a Terra Santa (imagine se fosse terra amaldiçoada) é sobre o terrorismo. Mas o que é realmente terrorismo? Israel pratica terrorismo de estado e os palestinos lutam contra a ocupação. Então a partir daí podemos dizer que os israelenses é quem são terroristas, e os palestinos são anti-terroristas.
Também tem a questão do holocausto, sendo usado como recurso para vitimizar os judeus e colocar os palestinos como substitutos dos alemães. Isso obviamente é irônico, pois inverte os papéis da vítima e do algoz.
Falar em holocausto lembra revisionismo, mentirosamente chamado de negação do holocausto. Não se nega o holocausto e sim se revisa. O máximo que se nega é a versão oficial.
Há um projeto de lei, do Dep. Marcelo Itajiba, que pretende criminalizar a negação do holocausto (e obviamente sua revisão). Se o revisionismo é algo inválido, bastariam simples explicações para desmentir. Só. Mas o fato de criarem lei proibindo pensar, duvidar, indagar, já é motivo para se desconfiar. E não é a toa, pois o revisionismo não só apresenta outra versão, mas também denuncia a chamada industria do holocausto, onde o sofrimento das vítimas seria usado como forma de lucro fácil, além de ter ajudado a forçar a criação do estado de Israel. Só a mentira precisa de censura, e comparar revisionismo com apologia ao nazismo é no mínimo covardia de quem quer fugir de dar explicações e responder certas questões.
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Rogério Clemente (2) 13/02/2009 19h06
Rogério Clemente (2) 13/02/2009 19h06
Não creio que a criação de Israel foi algo tardio, mas não deveria ter sido criado nunca.
Os palestinos estavam lá e os judeus simplesmente foram chegando, tendo o antigo testamento como escritura de terras. Ao invés de uma justificativa, deram uma desculpa, de que seus ancestrais ali viveram a milênios, portanto as terras são suas.
Israel assassinou inocentes, até crianças. Claro que os palestinos não ficariam sem fazer nada. Não só podem como DEVEM lutar contra invasores. Desejar o fim do estado de Israel é o mínimo, tendo em vista que este estado está promovendo o fim do povo palestino.
E é bom deixar claro algumas coisas: Hamas, Hezbollah e Fatah não são grupos terroristas, como a mídia teima em afirmar. O Brasil oficialmente os reconhece como partidos políticos. Do ponto de vista palestino, Kadima e Likud é que seriam grupos terroristas.
Também tem a questão do holocausto. Usar isso como desculpa para matar palestinos é absurdo. Querem compensar o holocausto judeu com um holocausto palestino? Por isso digo que os sionistas fizeram um curso de genocídio na faculdade de Auschwitz, com o professor Menguele, cujo reitor era Adolf Hitler. Dali sairam com diploma de mestrado e doutorado.
Se os judeus tinham algum direito àquelas terras, deveriam simplesmente ir chegando com bons modos, respeitando seus anfitriões. Pelo que fizeram aos inocentes palestinos, já perderam o direito de estar ali a muito tempo. Portanto, não reclamem depois se ocorrer uma nova diáspora.
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Claudio Roberto (3) 07/01/2009 19h07
Claudio Roberto (3) 07/01/2009 19h07
Acerca do que ocorre na Faixa de Gaza, independente dos recursos bélicos disponíveis do lado israelense e do número de militantes que engrossem as fileiras do Hamas, é a população civil de ambas as partes que sairá derrotada e pior a diplonacia, na medida em que as potâncias ocidentais não impuserem sanções mais pesadas para os dois lados e retomarem os diálogos sobre a paz na região, a muito esquecidos com a 'cruzada anti-terror" do senhor Bush, que não teve quaisquer resulados positivos e o governo israelense atual, infelizmente resolveu adotar. 10 opiniões
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