Mundo
07/05/2008 - 22h32

Política interna de Israel agrava conflito com palestinos, diz analista

MARIANA CAMPOS
da Folha Online

A heterogeneidade da política israelense é um dos grandes obstáculos para solução do conflito israelo-palestino. A opinião é do cientista político Samuel Feldberg, membro do Grupo de Análise de Conjuntura Internacional da USP (Universidade de São Paulo).

Em entrevista à Folha Online, questionado sobre os principais problemas de Israel nesses 60 anos, Feldberg citou dois: a consolidação do Estado e a formação da identidade do Estado.

Segundo o estudioso, até 1967 o principal problema de Israel era a consolidação do Estado. Ou seja, todos os esforços estavam canalizados para estabelecer Israel como um Estado forte e independente. Depois que este objetivo foi alcançado, o foco tornou-se a relação com os palestinos nos territórios ocupados e com as minorias árabes dentro do Estado de Israel.

"Há muitas facetas do ponto de vista da representação da sociedade. Um partido representa os interesses dos aposentados, outros dois partidos que representam os imigrantes russos na sociedade, há partidos das diversas linhas religiosas (...). Todas essas facetas divergem em relação à representação, a recursos, à política externa. Havia uma amenização dessa quando a maior preocupação era com a segurança e a consolidação do Estado", afirmou o professor.

Democracia

29.mai.2007 - Sebastian Scheiner/AP
Primeiro-ministro Ehud Olmert faz discurso durante sessão do Knesset (Parlamento)
Primeiro-ministro Ehud Olmert faz discurso durante sessão do Knesset (Parlamento)

Israel é uma democracia parlamentarista formada pelo poder Legislativo, Executivo e Judiciário. Suas instituições são a Presidência, o Knesset (Parlamento), o governo (gabinete de ministros), o sistema judicial e o Controlador do Estado.

O sistema se baseia no princípio da divisão dos poderes, no qual o poder Executivo (o governo) depende do voto de confiança do poder Legislativo (Knesset) e a independência do poder Judiciário está garantida por lei.

O presidente é o líder do Estado e sua função simboliza a unidade do Estado, acima da política partidarista. Os deveres do presidente, que são em sua maior parte protocolares e formais, estão estabelecidos pela lei. O presidente é eleito por maioria simples do Knesset entre candidatos nomeados com base em sua capacidade pessoal e sua contribuição ao Estado. Uma modificação da legislação, ocorrida em 1998, determina a eleição do presidente por um período de sete anos.

O Knesset é o Parlamento do Estado --conta com 120 membros-- e sua principal função é legislar. Ele é eleito por um período de quatro anos, mas pode se dissolver ou ser dissolvido pelo primeiro-ministro antes do término do período.

Eleições

23.jul.2002 - AP
Ariel Sharon, ex-premiê de Israel, caminha entre assentos vazios do Knesset de Tel Aviv
Ariel Sharon, ex-premiê de Israel, caminha entre assentos vazios do Knesset de Tel Aviv

O primeiro-ministro é eleito de forma direta pelo voto popular. Até as eleições de 1996, a tarefa de formar um governo e encabeçá-lo era indicada pelo presidente ao membro do Knesset que se considerava com melhores probabilidades de formar um governo de coalizão viável.

Atualmente, os principais partidos do Knesset são o Kadima (29 cadeiras); o Partido Trabalhista (19 cadeiras) e o Likud (12 cadeiras).

O Kadima (centro), que foi fundado em novembro de 2005 pelo ex-primeiro-ministro Ariel Sharon, marcou um racha na política de Israel, com a incorporação de líderes do Likud e do Partido Trabalhista no novo grupo.

O Partido Trabalhista, essencialmente social-democrata, e o Likud, basicamente nacional-liberal, têm raízes e tradições anteriores ao estabelecimento do Estado e ambos começaram a formar sua forma atual em 1965.

Fonte: Ministério das Relações Exteriores de Israel

Comentários dos leitores
Ehud Olmert já sai tarde. Um dos mais combalidos Ministros de Israel desde 1948.
Temo pelas novas gerações de políticos que estão chegando, que não fomentam o mesmo sentimento patriótico como foram os de G.Meir, Gurion, Begin, e outros.
Creio que daí para frente o sentimento genuino patriótico Israelense se manifestará no seio dos judeus ortodoxos. Serão eles que manterão firme a convicção de que o Israel moribundo, ou nômade acabou.
Desde a antiguidade a fé judaica nunca esteve tão forte como nesses últimos dias.
sem opinião
avalie fechar
Correções:
(...) FORTALECE (...) e ( ... ) MAIOR número de vítimas...
sem opinião
avalie fechar
Tudo o que começa errado acaba errado.
...
Assim, este atual governo de Israel, certifica a todos que a guerra contra o Líbano em 2006, foi totalmente desnecessária, ceifando vidas e destruindo famílias de ambos os lados.
Receberam seus dois soldados mortos e libertaram um assassino frio que em 1979 matou o pai a queima roupa e sua filha esmagou a cabeça com seu rifle contra uma pedra. Uma menina de 4 anos.
..
Agora é recebido no Líbano como um herói, fortale-se a oposição contra Israel e dificulta eventuais e futuros acordos de paz.
Triste fim para ambos os lados, mas nessa Israel levou a pior, embora o número de vítimas tenha sido do lado libanês.
Que venha logo o Messias prometido, para por fim a todos esses flagelos.
sem opinião
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (42)
Termos e condições
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca