Mundo
07/05/2008 - 22h49

"Dama de ferro" de Israel, Golda Meir fundou o Estado em 1948

Publicidade

Colaboração para a Folha Online

Golda Meir dedicou-se à causa sionista e foi uma das fundadoras de Israel. Pelas posições que adotou quando primeira-ministra, em 1969, foi descrita como "dama de ferro" antes de o termo ser usado para descrever a ex-premiê britânica Margareth Thatcher.

David Ben Gurion, líder do movimento sionista (pela unificação do povo judeu) e primeira premiê do país, afirmou que Meir era "o único homem" da equipe de seu governo, em alusão ao seu estilo firme e convicto de fazer política quando foi embaixadora do país em Moscou.

26.fev.1973 - Bob Daugherty/AP
A ex-premiê de Israel, Golda Meir, fala para jornalistas em Washington
A ex-premiê de Israel, Golda Meir, fala para jornalistas em Washington

Golda Meir é originária de uma família humilde de Kiev (Ucrânia), que, vivendo dificuldades econômicas, emigrou para Wisconsin, nos Estados Unidos. Lá, enquanto cursava o ensino médio americano, entrou para um grupo sionista e em 1921 deixou o país para viver em um kibutz (cooperativa rural) na Palestina, região à época sob controle britânico.

Jovem, participou de atividades políticas e sindicais e aderiu ao "Histadruth" (Confederação Geral do Trabalho), onde, em 1928, tornou-se secretária do conselho de mulheres trabalhadoras.

Na década seguinte esteve à frente do "Histadruth" como ativista política e administradora de variadas funções na vida pública local e internacional, sendo a representante da confederação nos EUA.

Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), foi chefe do departamento político da Agência Judaica --a maior autoridade na Palestina sob administração britânica-- e da Organização Mundial Sionista.

Depois disso, assumiu cargos executivos: foi ministra do Bem-Estar Social e ministra do Exterior e entre 1969 e 1974 assumiu o mais alto cargo na hierarquia política do Estado, tornando-se primeira-ministra.

Expansão

Neste período Israel vivia um momento de triunfo expansivo como resultado da Guerra dos Seis Dias, em 1967, quando o país executou "ataques preventivos" contra o Egito e Jordânia e terminou por anexar a seu país os territórios da Cisjordânia, faixa de Gaza, Península do Sinai e Colinas de Golã.

Meir consagrou sua trajetória política neste momento de "glória" para seu povo e "humilhação" dos povos árabes vizinhos, mas também foi sob seu mandato que os mesmos árabes executaram sua vingança.

O país foi surpreendido por tropas da Síria e do Egito na Guerra de Yom Kippur, ou Guerra do Yon Kippur, em 1973. O Yon Kippur, o "dia do perdão" judaico (data de comemoração religiosa) foi escolhido para o ataque para surpreender Israel, já que seu povo estava em celebração e desprevenido.

As tropas egípcias e sírias atacaram Israel pela península do Sinai e colinas do Golã, com o objetivo de obter o controle do canal de Suez.

Sob a liderança de Meir, após três semanas de baixas o Exército de Israel, sempre com o fundamental apoio dos Estados Unidos, reverteu o quadro, expulsou os árabes e chegou a bombardear Damasco --capital da Síria.

Crise

Mas a guerra teve um efeito colateral drástico, a "crise do petróleo", quando os países árabes cortaram o fornecimento de petróleo aos EUA e outros países que apoiavam Israel.

Na posição de primeira-ministra, Meir foi muito criticada pelas perdas da guerra de 1973 diante dos povos árabes, e demitiu-se no ano seguinte. Ela voltou à cena como dirigente do Partido Trabalhista em 76, ano em que escreveu sua biografia intitulada "A minha vida".

Meir foi casada e teve dois filhos, mas separou-se para se dedicar integralmente à vida política. A líder sionista morreu de câncer em Jerusalém, aos 80 anos de idade.

Fontes: Jewish Virtual Library, BBC Brasil, Encyclopedia Britannica

Comentários dos leitores
Rogério Clemente (2) 13/02/2009 19h49
Rogério Clemente (2) 13/02/2009 19h49
Uma coisa que sempre citam quando o assunto é sobre a Terra Santa (imagine se fosse terra amaldiçoada) é sobre o terrorismo. Mas o que é realmente terrorismo? Israel pratica terrorismo de estado e os palestinos lutam contra a ocupação. Então a partir daí podemos dizer que os israelenses é quem são terroristas, e os palestinos são anti-terroristas.
Também tem a questão do holocausto, sendo usado como recurso para vitimizar os judeus e colocar os palestinos como substitutos dos alemães. Isso obviamente é irônico, pois inverte os papéis da vítima e do algoz.
Falar em holocausto lembra revisionismo, mentirosamente chamado de negação do holocausto. Não se nega o holocausto e sim se revisa. O máximo que se nega é a versão oficial.
Há um projeto de lei, do Dep. Marcelo Itajiba, que pretende criminalizar a negação do holocausto (e obviamente sua revisão). Se o revisionismo é algo inválido, bastariam simples explicações para desmentir. Só. Mas o fato de criarem lei proibindo pensar, duvidar, indagar, já é motivo para se desconfiar. E não é a toa, pois o revisionismo não só apresenta outra versão, mas também denuncia a chamada industria do holocausto, onde o sofrimento das vítimas seria usado como forma de lucro fácil, além de ter ajudado a forçar a criação do estado de Israel. Só a mentira precisa de censura, e comparar revisionismo com apologia ao nazismo é no mínimo covardia de quem quer fugir de dar explicações e responder certas questões.
21 opiniões
avalie fechar
Rogério Clemente (2) 13/02/2009 19h06
Rogério Clemente (2) 13/02/2009 19h06
Não creio que a criação de Israel foi algo tardio, mas não deveria ter sido criado nunca.
Os palestinos estavam lá e os judeus simplesmente foram chegando, tendo o antigo testamento como escritura de terras. Ao invés de uma justificativa, deram uma desculpa, de que seus ancestrais ali viveram a milênios, portanto as terras são suas.
Israel assassinou inocentes, até crianças. Claro que os palestinos não ficariam sem fazer nada. Não só podem como DEVEM lutar contra invasores. Desejar o fim do estado de Israel é o mínimo, tendo em vista que este estado está promovendo o fim do povo palestino.
E é bom deixar claro algumas coisas: Hamas, Hezbollah e Fatah não são grupos terroristas, como a mídia teima em afirmar. O Brasil oficialmente os reconhece como partidos políticos. Do ponto de vista palestino, Kadima e Likud é que seriam grupos terroristas.
Também tem a questão do holocausto. Usar isso como desculpa para matar palestinos é absurdo. Querem compensar o holocausto judeu com um holocausto palestino? Por isso digo que os sionistas fizeram um curso de genocídio na faculdade de Auschwitz, com o professor Menguele, cujo reitor era Adolf Hitler. Dali sairam com diploma de mestrado e doutorado.
Se os judeus tinham algum direito àquelas terras, deveriam simplesmente ir chegando com bons modos, respeitando seus anfitriões. Pelo que fizeram aos inocentes palestinos, já perderam o direito de estar ali a muito tempo. Portanto, não reclamem depois se ocorrer uma nova diáspora.
19 opiniões
avalie fechar
Claudio Roberto (3) 07/01/2009 19h07
Claudio Roberto (3) 07/01/2009 19h07
Acerca do que ocorre na Faixa de Gaza, independente dos recursos bélicos disponíveis do lado israelense e do número de militantes que engrossem as fileiras do Hamas, é a população civil de ambas as partes que sairá derrotada e pior a diplonacia, na medida em que as potâncias ocidentais não impuserem sanções mais pesadas para os dois lados e retomarem os diálogos sobre a paz na região, a muito esquecidos com a 'cruzada anti-terror" do senhor Bush, que não teve quaisquer resulados positivos e o governo israelense atual, infelizmente resolveu adotar. 10 opiniões
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (46)
Termos e condições
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca