"Dama de ferro" de Israel, Golda Meir fundou o Estado em 1948
Colaboração para a Folha Online
Golda Meir dedicou-se à causa sionista e foi uma das fundadoras de Israel. Pelas posições que adotou quando primeira-ministra, em 1969, foi descrita como "dama de ferro" antes de o termo ser usado para descrever a ex-premiê britânica Margareth Thatcher.
David Ben Gurion, líder do movimento sionista (pela unificação do povo judeu) e primeira premiê do país, afirmou que Meir era "o único homem" da equipe de seu governo, em alusão ao seu estilo firme e convicto de fazer política quando foi embaixadora do país em Moscou.
| 26.fev.1973 - Bob Daugherty/AP |
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| A ex-premiê de Israel, Golda Meir, fala para jornalistas em Washington |
Golda Meir é originária de uma família humilde de Kiev (Ucrânia), que, vivendo dificuldades econômicas, emigrou para Wisconsin, nos Estados Unidos. Lá, enquanto cursava o ensino médio americano, entrou para um grupo sionista e em 1921 deixou o país para viver em um kibutz (cooperativa rural) na Palestina, região à época sob controle britânico.
Jovem, participou de atividades políticas e sindicais e aderiu ao "Histadruth" (Confederação Geral do Trabalho), onde, em 1928, tornou-se secretária do conselho de mulheres trabalhadoras.
Na década seguinte esteve à frente do "Histadruth" como ativista política e administradora de variadas funções na vida pública local e internacional, sendo a representante da confederação nos EUA.
Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), foi chefe do departamento político da Agência Judaica --a maior autoridade na Palestina sob administração britânica-- e da Organização Mundial Sionista.
Depois disso, assumiu cargos executivos: foi ministra do Bem-Estar Social e ministra do Exterior e entre 1969 e 1974 assumiu o mais alto cargo na hierarquia política do Estado, tornando-se primeira-ministra.
Expansão
Neste período Israel vivia um momento de triunfo expansivo como resultado da Guerra dos Seis Dias, em 1967, quando o país executou "ataques preventivos" contra o Egito e Jordânia e terminou por anexar a seu país os territórios da Cisjordânia, faixa de Gaza, Península do Sinai e Colinas de Golã.
Meir consagrou sua trajetória política neste momento de "glória" para seu povo e "humilhação" dos povos árabes vizinhos, mas também foi sob seu mandato que os mesmos árabes executaram sua vingança.
O país foi surpreendido por tropas da Síria e do Egito na Guerra de Yom Kippur, ou Guerra do Yon Kippur, em 1973. O Yon Kippur, o "dia do perdão" judaico (data de comemoração religiosa) foi escolhido para o ataque para surpreender Israel, já que seu povo estava em celebração e desprevenido.
As tropas egípcias e sírias atacaram Israel pela península do Sinai e colinas do Golã, com o objetivo de obter o controle do canal de Suez.
Sob a liderança de Meir, após três semanas de baixas o Exército de Israel, sempre com o fundamental apoio dos Estados Unidos, reverteu o quadro, expulsou os árabes e chegou a bombardear Damasco --capital da Síria.
Crise
Mas a guerra teve um efeito colateral drástico, a "crise do petróleo", quando os países árabes cortaram o fornecimento de petróleo aos EUA e outros países que apoiavam Israel.
Na posição de primeira-ministra, Meir foi muito criticada pelas perdas da guerra de 1973 diante dos povos árabes, e demitiu-se no ano seguinte. Ela voltou à cena como dirigente do Partido Trabalhista em 76, ano em que escreveu sua biografia intitulada "A minha vida".
Meir foi casada e teve dois filhos, mas separou-se para se dedicar integralmente à vida política. A líder sionista morreu de câncer em Jerusalém, aos 80 anos de idade.
Fontes: Jewish Virtual Library, BBC Brasil, Encyclopedia Britannica
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