Argentina enviará ajuda a Mianmar; Rice pede abertura a militares
Colaboração para a Folha Online
O governo argentino lamentou nesta quarta-feira as milhares de mortes ocasionadas pelo ciclone Nargis no sul de Mianmar, ao anunciar que enviará como ajuda comprimidos que servirão para tornar potável um milhão de litros de água.
"O governo argentino lamenta a perda de vidas humanas e a devastação causada pelo ciclone Nargis, em Mianmar, e deseja fazer chegar a seu povo seu profundo pesar pela atual situação que atravessa, na esperança de que, em breve, possa ser superada", disse a chancelaria argentina em comunicado.
A Argentina disse que o envio dos comprimidos acontecerá "tendo em vista a morte de mais de 22.500 pessoas e o desaparecimento de mais de 44.000, número que poderia ser ainda maior, e em resposta ao chamado das Nações Unidas solicitando ajuda para os sobreviventes".
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A representante dos Estados Unidos em Mianmar, Shari Villarosa, declarou que o ciclone que devastou o país asiático no fim de semana passado pode ter matado mais de 100 mil pessoas.
"Poderia haver mais de 100 mil mortos na área do delta" do rio Irrawaddy, declarou a diplomata, citando uma ONG cujo nome não revelou.
Condoleezza Rice
No final da tarde, a secretária de Estado dos EUA Condoleezza Rice fez um novo apelo à junta militar que governa Mianmar para que autorize a entrada de ajuda internacional ao país para atenuar os danos deixados pela passagem do Nargis.
Rice declarou à imprensa que o que falta para a entrada da ajuda internacional "é a permissão do governo de Mianmar".
"Deveria ser algo muito simples, não é uma questão política", disse. Segundo a secretária de Estado, os danos deixados pelo ciclone "são o tipo de desastre que sem ajuda externa só tende a piorar".
Até o momento, o regime militar birmanês rejeitou os pedidos dos EUA e de outras nações para permitir a entrada no país de equipes de ajuda que possam avaliar os danos e as necessidades criadas após a passagem do ciclone este fim de semana.
O Departamento de Defesa dos EUA enviou um avião de carga à Tailândia e outro se encontra a caminho, à espera que a junta birmanesa autorize a entrada de ajuda.
ONU
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, também pediu à Junta Militar de Mianmar que facilite a entrada no país da ajuda humanitária que a comunidade internacional deseja enviar aos desabrigados pelo ciclone.
A porta-voz da ONU, Marie Okabe, assegurou que Ban "está muito preocupado com a tragédia contínua" que vive o país asiático.
"Dada a magnitude do desastre, o secretário-geral pede ao governo de Mianmar que responda ao movimento de assistência e solidariedade internacional facilitando ao máximo a chegada de voluntários e a autorização de entrada de material humanitário", disse.
Okabe destacou que Ban considera que as atuais circunstâncias constituem "um momento crítico para o povo de Mianmar" e que uma flexibilização dos trâmites de entrada "ajudarão o governo em sua resposta a esta tragédia".
Okabe acrescentou que Ban Ki-moon recebe com agrado as informações que chegam da região em que será permitida, na quinta-feira, a entrada de alguns especialistas em desastres das Nações Unidas para avaliar a situação e determinar que tipo de assistência deve receber prioridade.
A ONU considera que a lentidão na tramitação de vistos e a autorização de entrada de material humanitário se transformou em um obstáculo para socorrer os quase um milhão de afetados pelo ciclone, que devastou o sul de Mianmar.
O regime militar que governa Mianmar desde 1962 permitiu, até o momento, a chegada a conta-gotas de assistência internacional.
Com Agências Internacionais
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