Mundo
07/05/2008 - 23h35

ONU pressiona militares de Mianmar a abrir país à ajuda externa

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da Efe

A ONU pressionou hoje o regime militar de Mianmar a abrir o país à ajuda internacional que se acumula em suas fronteiras, perante o temor de que mais demoras na distribuição de assistência aumente o saldo de mortos do ciclone Nargis.

As agências das Nações Unidas e organizações humanitárias internacionais estão há três dias esperando que a burocracia birmanesa conceda vistos a seus voluntários e permita a entrada de carregamentos com materiais de primeira necessidade para os mais de um milhão de desabrigados.

O subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários, John Holmes, advertiu hoje de que os números de 22 mil e 40 mil mortos divulgados pelo Governo até o momento "muito provavelmente aumentarão".

"Estamos diante de uma catástrofe de grandes proporções e, portanto, é de extrema importância que enviemos o máximo de ajuda no menor tempo possível", ressaltou em entrevista coletiva.

Holmes indicou, por sua parte, que a ONU somente pôde enviar até o momento à zona o pessoal e o material que já tinha no país quando o ciclone atingiu no sábado passado o sul de Mianmar.

Autorização

As autoridades birmanesas concederam hoje a autorização para que se distribua 800 toneladas de arroz que o Programa Mundial de Alimentos (PMA) tinha armazenado há dias em Yangun.

Até quinta-feira não se espera que seja permitida a entrada em Yangun de um avião da ONU com alimentos e de quatro integrantes de uma equipe de especialistas em desastres da organização que estavam em Bancoc à espera de autorização para viajar para a capital do país, disse Holmes.

A ONU calculou que o Governo birmanês tenha recebido cerca de 100 pedidos de visto das Nações Unidas e de organizações privadas, mas não há a certeza de que já tenham outorgado algum.

"Precisamos de pessoas com conhecimentos e experiência de trabalho neste tipo de grandes desastres", explicou Holmes.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, insistiu hoje diretamente com a Junta Militar birmanesa que facilite a chegada de voluntários e material humanitário ao país.

Segundo dados da ONU, pelo menos 24 países ofereceram até agora US$ 30 milhões em ajuda humanitária a Mianmar, e o fundo de emergências do organismo internacional deve fornecer US$ 10 milhões.

A organização espera apresentar na sexta-feira uma solicitação urgente de fundos à comunidade internacional com a informação de que sua equipe de especialistas consiga entrar no país, apontou Holmes.

Apesar dos atrasos, o subsecretário-geral da ONU assegurou que os esforços do Governo birmanês e da comunidade internacional "estão bem encaminhados" e considerou que a resposta das autoridades está até agora "à altura". "As tarefas de assistência já começaram, mas ainda não são as adequadas", admitiu.

Por isso, considerou que poderia ser contraproducente a idéia sugerida hoje pelo ministro de Exteriores francês, Bernard Kouchner, de que o Conselho de Segurança da ONU "obrigue" Mianmar a aceitar a ajuda internacional. "Não acho que uma invasão de Mianmar seja a solução adequada", sustentou.

Ao mesmo tempo, perante os temores de que o regime militar utilize a ajuda com fins políticos, Holmes assegurou que a ONU não aceitará que haja discriminação entre os desabrigados.

 

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