Mundo
08/05/2008 - 11h11

Raça e gênero de eleitor democrata define seu voto, diz pesquisa

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Colaboração para a Folha Online

Os pré-candidatos democratas à Casa Branca, Hillary Clinton e Barack Obama, apostam em eleitorados muito específicos, nos quais sabem serem favoritos. A postura política reflete eleitores democratas cada vez mais divididos em sua escolha política por afinidades em questões de raça, gênero e classe econômica.

O que normalmente ficaria restrito aos bastidores da política já é utilizado como tática fundamental de campanha, conhecida por todo o país. Obama é favorito entre jovens, negros e pela elite --embora recuse o título de elitista-- e Hillary ganha entre mulheres, idosos e os trabalhadores de classe média.

As primárias desta terça-feira em Indiana e Carolina do Norte evidenciam esta divisão. Pesquisas de boca-de-urna de Indiana mostram que cerca de 60% dos eleitores com menos de 30 anos votaram em Obama enquanto 70% daqueles com mais de 65 anos preferiram Hillary.

A sondagem mostrou também que 60% dos eleitores brancos votaram em Hillary e, no maior número do favoritismo, 90% dos eleitores negros escolheram Obama diante das urnas.

Similaridades

Tais divisões por gênero, raça e idade podem ser justificados pelo fato de eleitores buscarem em seus candidatos políticos as mesmas características físicas. Assim, as mulheres teriam o desejo de ver Hillary chegar a Casa Branca, a primeira mulher a fazê-lo.

Já os negros querem que Obama seja eleito como o primeiro presidente negro dos Estados Unidos.

Mas quando as diferenças entre os eleitores envolvem a escolaridade --trabalhadores que não terminaram os estudos apóiam Hillary enquanto Obama ganha entre os profissionais mais educados--, os analistas não sabem explicar os motivos.

"Eu acho que é meramente um acidente que a retórica de Obama --que foi planejada para atingir a todos-- teve maior impacto entre aqueles mais sedentos por mudança. E eles tendem a ser elites liberais frustadas com os oito anos da administração [George W.] Bush", disse Chapman Rackaway, professor de ciência política da Universidade de Fort Hays State, no Kansas.

Sem diferença

As divisões entre os eleitores democratas tornam-se interessantes ao se analisar que Hillary e Obama são ambos ricos, estudaram em ótimas universidades e, acima de tudo, dividem posições políticas muito parecidas.

"Quando as políticas são quase idênticas, os eleitores tem que olhar para outros aspectos, e eles tendem a ver coisas como características físicas e passado em comum", afirma James Campbell, professor da Universidade de Nova York-Buffalo e autor do livro "The American Campaign".

Campbell diz acreditar que Obama foi taxado como elite simplesmente porque alguns de seus maiores apoiadores estão em campi de universidades. "Algumas vezes os candidatos tornam-se conhecidos por quem seus apoiadores são, e isso se torna quase sua própria imagem [de candidato]. Então, se você tem um grupo de acadêmicos e crianças de escola em seus comícios, você fica com esta imagem", afirma.

Uma pesquisa recente mostrou que Obama é o candidato com menor apelo entre os trabalhadores brancos com menor escolaridade.

Trabalhadores x Intelectuais

Já Hillary despontou como a defensora da classe trabalhadora para quem ela discursa categoricamente por planos de saúde melhores e o fim dos acordos de livre comércio. "Muito disso vem das raízes de seu marido no Arkansas [Bill Clinton foi governador do Estado] e é assim que ela começou na política", afirma Susan MacManus, professora da Universidade do Sul da Flórida.

Para Bryan Jones, diretor do centro para Políticas Americanas e Política Pública da Universidade de Washington, a divisão entre intelectuais e a classe trabalhadora é um problema de longa data dos democratas.

Assim, Obama, consciente disso, tentou reverter o cenário apelando, desde no início da campanha, a discursos inspirados sobre esperança e a superação das diferenças mas não falou o suficiente sobre os problemas econômicos dos norte-americanos comuns.

"Ele ainda vai ganhar, mas será difícil. Ele começou tarde", disse Jones, sobre a atual mudança na retórica de Obama para atrair os trabalhadores.

Com Reuters

Comentários dos leitores
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
A situação é periclitante, se antigamente se concedia o Nobel da Paz a quem de algum modo, plantava a paz no mundo, hoje (dada a escassez de boa fé geral) se concede o prémio a quem não faz a guerra... Como diria o sábio Maluf: "Antes de entrar queria fazer o bem, depois que entei, o máximo que conseguí foi evitar o mal"
Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
sem opinião
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honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
Considero ecelente vosso noticiario. Obrigado, aos 83 anos de mnha vida, 5 opiniões
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Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Óbvio que não poderiam aceitar,pois não teriam respostas claras para as legítimas questões do presidente iraniano,esse sim um verdadeiro estadista que sabe da verdade dos fatos e não tem receio de buscar responsabilizar os culpados. A política imperialista norte-americana é velha conhecida mas pessoas convenientemente "esquecem" disso - não respeitam a soberania das nações e se arvoram em ser os "defensores da liberdade" - é o país que mais se envolveu em guerras,revoluções,invasões e intervenções da história da humanidade.A única nação que já bombardeou outro país (na verdade cidades,repletas de civis inocentes) utilizando armas nucleares. O apoio norte-americano a Israel é uma vergonha, apoiando todo tipo de atrocidade possível,dando carta branca e fornecendo armas de alta tecnologia.
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
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