Mundo
08/05/2008 - 10h37

Em estado de alerta, Israel comemora 60 anos de nascimento

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da Folha Online

Os 60 anos da fundação de Israel são celebrados oficialmente a partir desta quinta-feira. A independência foi proclamada em 14 de maio de 1948, mas, segundo o calendário judaico (lunar), o feriado ocorre a cada ano em diferentes datas, entre abril e maio.

Os festejos ocorrem em meio a um estado de alerta. A preocupação com a segurança é a base desse Estado que já nasceu em guerra com os vizinhos árabes e vê seu crescimento econômico esbarrar em gastos militares cada vez maiores.

Por causa do ancestral belicismo com os vizinhos árabes, Israel ser tornou ao mesmo tempo um Estado laico, religioso e militar. Desde a segunda metade dos anos 70 também é potência nuclear, embora nunca tenha reconhecido isso de forma oficial. Em mais um paradoxo, o mesmo belicismo que assusta é também o mesmo que levou o país a ser uma das pontas de lança da tecnologia mundial.

Moti Milrod/AP
Fogos de artifício explodem em Tel Aviv na festa dos 60 anos de fundação; Israel comemora 60 anos em estado de alerta
Fogos de artifício explodem em Tel Aviv na festa dos 60 anos da fundação do Estado; Israel comemora 60 anos em estado de alerta

"Terra", "história" e território são causa e efeito de praticamente todos os conflitos em que o país se envolveu desde maio de 48. Israel nasceu num mundo pós-guerra ainda chocado com a barbárie nazista, disposto a reparar tais atrocidades criando um espaço no qual judeus de qualquer parte do mundo pudesse migrar, um lugar onde não se sentissem mais perseguidos.

O idealismo sionista se materializou numa ação coordenada mundial bem sucedida, que culminou na aprovação pela ONU, em 47, na criação de dois países na região conhecida como Palestina histórica: judeus e muçulmanos deveriam conviver lado a lado. Os árabes rejeitaram a decisão e foram à guerra, mas de forma atabalhoada. Enfrentaram um oponente que vinha se armando silenciosamente há pelo menos duas décadas, com homens organizados e ferozes.

A derrota militar árabe foi avassaladora, e Israel aproveitou para incorporar fronteiras cada vez maiores, em nome de sua própria segurança. Tal política também é atacada há 60 anos, acusada de desumana e até criminosa. Israel nega, mas a colonização de territórios destinados a árabes-palestinos jamais parou.

A Folha Online lança um conteúdo especial com essa saga, conflito, história e cultura.

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Comemorações

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, é um dos chefes de Estado que estará nas comemorações em Israel. Ele terá também reuniões com o presidente Shimon Peres, e com o premiê israelense, Ehud Olmert. A expectativa é de que Bush ainda discurse perante o Knesset (Parlamento).

O ex-premiê britânico e atual enviado especial do Quarteto para o Oriente Médio, Tony Blair, e o ex-líder soviético Mikhail Gorbachev também confirmaram presença. Entre os presidentes que visitarão o país em razão da data estão Victor Yushtchenko, (Ucrânia), Bamir Topi, (Albânia), Valdis Zatlers (Latvia), Lech Kaczynski (Polônia), Paul Kagame (Ruanda), Michael Saakashvili (Georgia), Stjepan Mesic (Croácia), Danilo Türk (Eslovênia), Tommy Remengesau Jr (Palau) e Blaise Campoare (Burkina Fasso). Lula não deve participar, mas enviará representante.

Ariel Schalit/AP
Aviões da força aérea israelense fazem show em evento que marca os 60 anos
Aviões da força aérea israelense fazem show em evento que marca os 60 anos; país comemora aniversário de fundação

O grupo de personalidades que visitará o país inclui também o prêmio Nobel da Paz Elie Wiesel, o magnata da mídia Rupert Murdoch, os fundadores do Google e do Facebook, Sergey Brin e Mark Zuckerberg, respectivamente, o ex-secretário de Estado dos EUA Henry Kissinger e o presidente do grupo indiano Tata, Ratan Tata.

No dia 1º de junho, a capital Washington irá sediar o "Israel@60: Uma Celebração Capital", evento que irá durar o dia todo, com a apresentação de uma banda israelense e de vários artistas, como Regina Spektor e Mandy Patinkin. A cidade de Nova York também comemora no dia 1º de junho, com apresentações de música, mostras de arte, além de outros eventos a serem realizados durante maio e junho.

Desde o dia 4 de maio, banners com imagens mostrando a diversidade da população de Israel foram espalhados por 51 quarteirões ao longo da Quinta Avenida, como parte da campanha "Faces de Israel".

Entre os israelenses que aparecem nos banners estão um refugiado vietnamita que representa um banco israelense em Singapura, o jogador de basquete negro Derrick Sharp, que se mudou dos EUA há 15 anos e joga na seleção israelense, e o diplomata árabe-israelense Rania Jubran.

No Reino Unido, uma parada com com bandas de fanfarra será realizada no dia 29 de junho na Trafalgar Square, em Londres. Alguns eventos comemorativos já foram realizados e continuarão em diversos países, entre eles Austrália, Brasil, França, África do Sul e Itália.

Festa

A festa contará nesta quinta com a apresentação de dez bandas militares, de dez países, em Haifa, num concerto intitulado "Saudando com notas, bandas militares tocam pela paz".

O Dia da Independência começou nesta quarta-feira depois do pôr-do-sol, logo depois do Dia da Memória, que lembre os soldados israelenses mortos em guerras.

As ruas de Jerusalém foram tomadas de pessoas que se aglomeraram para assistir ao show de fogos de artifício nesta quarta-feira.

Os eventos que marcam a data incluem peças de teatro, concertos, competições esportivas, memoriais do Holocausto e a inauguração de uma trilha em volta do mar da Galiléia.

Gaza e Cisjordânia

Durante o feriado, Israel proibiu a entrada de palestinos de Gaza e da Cisjordânia no país, temendo atentados por parte de militantes.

No final de abril, o chefe da Inteligência Militar do país já havia manifestado o temor de algum ataque nas comemorações.

Palestinos realizaram protestos em Gaza e na Cisjordânia contra a criação de Israel, chamada pelos árabes de nakba (tragédia).

Em Belém, cerca de 500 manifestantes seguiram um caminhão que carregava uma chave gigante, que simboliza a esperança dos refugiados de um dia retornarem às suas terras.

No Brasil

Vários eventos também serão realizados pela comunidade judaica no Brasil para marcar a data. O principal deles, chamado "Evento Central de Yom Haatzmaut" e promovido pela Embaixada de Israel no Brasil, pela Confederação Israelita do Brasil (CONIB), pela Federação Israelita do Estado de São Paulo (FISESP) e pela Associação Brasileira A Hebraica de São Paulo, ocorre na segunda-feira (12) às 20h, no Teatro Arthur Rubinstein.

O governador José Serra, o prefeito Gilberto Kassab, e os cônsules dos países a serem homenageados, além de lideranças da comunidade judaica, devem comparecer ao evento. Os convidados serão recebidos pela embaixadora de Israel no Brasil, Tzipora Rimon e pelos presidentes da Conib, Jack Terpins, da Fisesp, Boris Ber e de A Hebraica, Peter Weiss.

Já nesta quinta-feira, às 14h30, no Centro da Cultura Judaica, em SP, ocorre o evento União em Iom Haatzmaut, que contará com atrações para marcar os 60 anos do Estado de Israel.

Na ocasião, haverá apresentação da Orquestra do Lar das Crianças da CIP (Congregação Israelita Paulista), da cantora Regis Karlik e do grupo de dança do Colégio Renascença, além da abertura da exposição de fotos de Israel, coordenada pelo Fundo Comunitário.

Comentários dos leitores
Rogério Clemente (2) 13/02/2009 19h49
Rogério Clemente (2) 13/02/2009 19h49
Uma coisa que sempre citam quando o assunto é sobre a Terra Santa (imagine se fosse terra amaldiçoada) é sobre o terrorismo. Mas o que é realmente terrorismo? Israel pratica terrorismo de estado e os palestinos lutam contra a ocupação. Então a partir daí podemos dizer que os israelenses é quem são terroristas, e os palestinos são anti-terroristas.
Também tem a questão do holocausto, sendo usado como recurso para vitimizar os judeus e colocar os palestinos como substitutos dos alemães. Isso obviamente é irônico, pois inverte os papéis da vítima e do algoz.
Falar em holocausto lembra revisionismo, mentirosamente chamado de negação do holocausto. Não se nega o holocausto e sim se revisa. O máximo que se nega é a versão oficial.
Há um projeto de lei, do Dep. Marcelo Itajiba, que pretende criminalizar a negação do holocausto (e obviamente sua revisão). Se o revisionismo é algo inválido, bastariam simples explicações para desmentir. Só. Mas o fato de criarem lei proibindo pensar, duvidar, indagar, já é motivo para se desconfiar. E não é a toa, pois o revisionismo não só apresenta outra versão, mas também denuncia a chamada industria do holocausto, onde o sofrimento das vítimas seria usado como forma de lucro fácil, além de ter ajudado a forçar a criação do estado de Israel. Só a mentira precisa de censura, e comparar revisionismo com apologia ao nazismo é no mínimo covardia de quem quer fugir de dar explicações e responder certas questões.
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Rogério Clemente (2) 13/02/2009 19h06
Rogério Clemente (2) 13/02/2009 19h06
Não creio que a criação de Israel foi algo tardio, mas não deveria ter sido criado nunca.
Os palestinos estavam lá e os judeus simplesmente foram chegando, tendo o antigo testamento como escritura de terras. Ao invés de uma justificativa, deram uma desculpa, de que seus ancestrais ali viveram a milênios, portanto as terras são suas.
Israel assassinou inocentes, até crianças. Claro que os palestinos não ficariam sem fazer nada. Não só podem como DEVEM lutar contra invasores. Desejar o fim do estado de Israel é o mínimo, tendo em vista que este estado está promovendo o fim do povo palestino.
E é bom deixar claro algumas coisas: Hamas, Hezbollah e Fatah não são grupos terroristas, como a mídia teima em afirmar. O Brasil oficialmente os reconhece como partidos políticos. Do ponto de vista palestino, Kadima e Likud é que seriam grupos terroristas.
Também tem a questão do holocausto. Usar isso como desculpa para matar palestinos é absurdo. Querem compensar o holocausto judeu com um holocausto palestino? Por isso digo que os sionistas fizeram um curso de genocídio na faculdade de Auschwitz, com o professor Menguele, cujo reitor era Adolf Hitler. Dali sairam com diploma de mestrado e doutorado.
Se os judeus tinham algum direito àquelas terras, deveriam simplesmente ir chegando com bons modos, respeitando seus anfitriões. Pelo que fizeram aos inocentes palestinos, já perderam o direito de estar ali a muito tempo. Portanto, não reclamem depois se ocorrer uma nova diáspora.
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Claudio Roberto (3) 07/01/2009 19h07
Claudio Roberto (3) 07/01/2009 19h07
Acerca do que ocorre na Faixa de Gaza, independente dos recursos bélicos disponíveis do lado israelense e do número de militantes que engrossem as fileiras do Hamas, é a população civil de ambas as partes que sairá derrotada e pior a diplonacia, na medida em que as potâncias ocidentais não impuserem sanções mais pesadas para os dois lados e retomarem os diálogos sobre a paz na região, a muito esquecidos com a 'cruzada anti-terror" do senhor Bush, que não teve quaisquer resulados positivos e o governo israelense atual, infelizmente resolveu adotar. 10 opiniões
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