Conflito se agrava no Líbano após discurso de líder do Hizbollah
Colaboração para a Folha Online
Vários combates violentos foram registrados nesta quinta-feira em Beirute entre partidários do governo e da oposição, pouco depois de um discurso do líder do Hizbollah libanês, Hassan Nasrallah.
Testemunhas e oficiais de segurança consultados pela agência Associated Press afirmaram que xiitas ligados ao Hizbollah libanês e sunitas que apóiam o governo aliado aos EUA entraram em conflito nas ruas de Beirute, com armas automáticas e granadas.
| Hussein Malla/AP |
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| Líder xiita Hassan Nasrallah fala de seu esconderijo para a imprensa, em vídeo |
Os últimos conflitos seguiram o discurso do líder xiita Hassan Nasrallah, no qual ele afirmou que as organizações militantes reagiriam com força contra qualquer ataque opositor.
Nasralah disse que as decisões tomadas pelo governo libanês contra a formação xiita foram uma "declaração de guerra".
"Estas decisões são uma declaração de guerra, é o princípio de uma guerra lançada pelo governo (...) para beneficiar os Estados Unidos e Israel", acrescentou Nasrallah durante uma videoconferência de imprensa em Beirute, no sul do país, onde a maioria é xiita.
A crise libanesa, que já dura desde 2006, ganhou novo fôlego após o início das investigações por autoridades libanesas sobre uma suposta rede de telecomunicações que teria sido instalada pelo Hizbollah no país.
| Hussein Malla/AP |
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| Manifestante xiita queima pneus e fecha a estrada em direção ao aeroporto internacional |
As autoridades ligadas ao governo substituíram o chefe da segurança do aeroporto de Beirute, por ser ligado ao movimento xiita. A decisão do governo confrontou o Hizbollah, que rejeitou a decisão.
"Nossa reposta a esta declaração de guerra é nosso direito de defesa, para defender nossa resistência, nossas armas e nossa existência", acrescentou Nasrallah.
O líder do Hizbollah também afirmou que a crise, iniciada a 17 meses e agravada nesta semana, só se resolverá quando o governo aceitar participar de negociações com os xiitas.
Confrontos
A crise se agravou nesta quarta-feira, quando aliados do Hizbollah bloquearam estradas na capital do Líbano para reforçar uma greve organizada por sindicatos, que protestavam contra as políticas econômicas do governo e pediam melhores salários.
A greve logo se tornou um confronto entre os grupos divergentes. Dezenas de pessoas foram feridas, mas não houve registro de mortos.
| Jamal Saidi/Reuters |
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| Soldados libaneses em tanques de guerra fazem ronda em Beirute, a capital libanesa |
Além disso, aliados do Hizbollah mantiveram a estrada para o único aeroporto internacional do país bloqueada pelo segundo dia seguido.
O confronto também se espalhou para outras partes do país, mas os principais confrontos ocorrem em Corniche al Mazraa, o bairro que se tornou uma linha de separação entre os lados xiita e sunita da localidade de Ras el Mabeh.
Não há registros das conseqüências do embate, mas oficiais entrevistados pela agência Associated Press sob condição de anonimato afirmaram que quatro pessoas estão feridas.
Os combates, em que foram utilizados foguetes e armas automáticas, ocorreram em bairros mistos, onde vivem sunitas e xiitas, como Basta, Nuairi e Ras el Nabeh.
O confronto traz à tona a memória da guerra civil que devastou o Líbano entre 1975 e 1990. Em novembro de 2007, os grupos xiitas e sunitas não conseguiram chegar a um governo de consenso e, desde então, o país segue sem presidente.
O primeiro-ministro, Fouad Siniora, é ligado aos sunitas, mas sua liderança não é reconhecida pelos xiitas desde 2006, quando os ministros do partido se retiraram do governo após terem uma exigência de poder de veto negada pela administração do país.
Com Associated Press, France Presse e Reuters.
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