Conflito no Líbano deixa ao menos 4 mortos; líder governista pede diálogo
Colaboração para a Folha Online
Ao menos quatro pessoas morreram e outras oito ficaram feridas nesta quinta-feira durante os confrontos que ocorreram entre os sunitas partidários do governo e os xiitas opositores no Líbano, segundo informações da agência Associated Press. Para a agência Reuters, o número de mortos já chega a seis.
Os confrontos se intensificaram após uma videoconferência do secretário-geral do Hizbollah, Hassan Nasrallah, que afirmou considerar a decisão do governo de acabar com a rede xiita de telecomunicações "uma declaração de guerra" contra a milícia.
| Jamal Saidi/Reuters |
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| Soldados libaneses em tanques de guerra fazem ronda em Beirute, a capital libanesa |
O líder da maioria no parlamento, o sunita Saad al Hariri, convidou Nasrallah a pôr um ponto final à "situação" de confronto em Beirute.
"Exijo um fim da atual situação em Beirute, do bloqueio ao aeroporto e dos homens armados nas ruas", afirmou Hariri em discurso televisionado. "Beirute não abaixará a cabeça perante ninguém. Beirute não se submeterá", acrescentou.
Hariri também pediu a instauração do diálogo nacional e a eleição de um candidato de consenso para a presidência do país, sugerindo o nome do chefe do exército, Michel Sleimane.
O Líbano atravessa a crise política mais grave desde o final da guerra civil, em 1990. O país está sem presidente desde 24 de novembro, já que os partidos políticos não conseguiram chegar a um acordo.
Crise
A crise libanesa, que se arrasta desde 2006, ganhou novo fôlego após o início das investigações por autoridades libanesas sobre uma suposta rede de telecomunicações instalada pelo Hizbollah no país. O grupo xiita justifica a existência da rede como uma "resistência contra Israel", usada por razões de segurança.
| Hussein Malla/AP |
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| Líder xiita Hassan Nasrallah fala de seu esconderijo para a imprensa, em vídeo |
As autoridades ligadas ao governo sunita substituíram o chefe da segurança do aeroporto de Beirute, por ser ligado ao movimento xiita. A decisão do governo confrontou o Hizbollah, que rejeitou a decisão.
Vários combates violentos foram registrados nesta quinta-feira em Beirute pouco depois de um discurso do líder do Hizbollah libanês, Hassan Nasrallah.
Nasralah disse que as decisões tomadas pelo governo libanês contra a formação xiita foram uma "declaração de guerra".
"Estas decisões são uma declaração de guerra, é o princípio de uma guerra lançada pelo governo (...) para beneficiar os Estados Unidos e Israel", acrescentou Nasrallah durante uma videoconferência de imprensa em Beirute, no sul do país, onde a maioria é xiita.
"Nossa reposta a esta declaração de guerra é nosso direito de defesa, para defender nossa resistência, nossas armas e nossa existência", acrescentou Nasrallah.
Confronto
A crise se agravou na quarta-feira, quando aliados do Hizbollah bloquearam estradas na capital do Líbano para reforçar uma greve organizada por sindicatos, que protestavam contra as políticas econômicas do governo e pediam melhores salários.
A greve logo se tornou um confronto entre os grupos divergentes. Dezenas de pessoas foram feridas, mas não houve registro de mortos.
Além disso, aliados do Hizbollah mantiveram bloqueada a estrada para o único aeroporto internacional do país pelo segundo dia seguido.
Os combates, em que foram utilizados foguetes e armas automáticas, ocorreram em bairros mistos, onde vivem sunitas e xiitas, como Basta, Nuairi e Ras el Nabeh.
ONU
| Hussein Malla/AP |
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| Manifestante xiita queima pneus e fecha a estrada em direção ao aeroporto internacional |
O Conselho de Segurança da ONU expressou seu apoio às instituições estatais do Líbano e pediu calma e a reabertura das estradas do país.
"Os membros do Conselho de Segurança estão profundamente preocupados com os enfrentamentos e os atuais problemas no Líbano, incluindo os bloqueios das estradas e do aeroporto internacional de Beirute", declarou o embaixador do Reino Unido, John Sawers, em nome do Conselho.
Segundo o emissário da ONU no Oriente Médio, Terje Roed-Larsen, o Hizbollah dispõe de uma estrutura "paramilitar" que ameaça a paz e a segurança regional.
O governo da França afirmou considerar "preocupante" a situação libanesa, em comunicado divulgado pelo ministério das Relações Exteriores.
Paris "reitera seu apoio ao governo do Líbano assim como ao exército em suas missões e prerrogativas constitucionais, em particular na preservação da estabilidade e da segurança do país", divulgou o ministério.
A Casa Branca pediu para que o Hizbollah pare imediatamente de "semear a violência" no Líbano.
"O Hizbollah precisa tomar uma dessas opções: ou ser uma organização terrorista ou ser um partido político, mas deve deixar de tentar ser ambas", disse o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional americano, Gordon Johndroe.
Com Associated Press, Efe, France Press e Reuters
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