Análise: Em que Hillary errou?
STEPHEN COLLINSON
da France Presse, em Washington
A aspiração da ex-primeira-dama Hillary Clinton de chegar à Casa Branca e governar os Estados Unidos era possível diante de sua experiência política, mas agora a possibilidade perdeu força frente a Barack Obama, que se tornou símbolo de mudança para os americanos.
Já se pede que a senadora de Nova York abandone a corrida pela candidatura democrata urgentemente, após as primárias de terça-feira (6) em que perdeu para Obama na Carolina do Norte e ganhou, por pouco, em Indiana.
Durante semanas, a equipe da ex-primeira-dama apostava que os americanos, cansados da prolongada guerra no Iraque, descontentes com a resposta do governo de George W. Bush ao furacão Katrina e receosos perante uma possível recessão econômica, apostariam em sua política trabalhadora e décadas de experiência.
No entanto, Obama, a um passo de ser o candidato à presidência democrata, conquistou uma nova geração de jovens eleitores, dominou o voto dos negros e ganhou a simpatia dos brancos acomodados, com sua promessa de renovação das políticas de Washington.
A proposta de Obama se baseia na esperança e a mudança foi vital. Sua posição favorável perante Hillary é conseqüência de uma inteligente estratégia de captação de delegados e assombrosa arrecadação de fundos.
Focar a campanha de Hillary em sua experiência fez sentido, já que não poderia se mostrar como uma alternativa nunca antes vista, pois durante oito anos foi a primeira-dama dos Estados Unidos, enquanto seu marido Bill Clinton era presidente.
Mas esta decisão a deixou vulnerável a questões sobre se sua experiência como primeira-dama seria relevante para ocupar a Casa Branca.
Obama encontrou um ponto fraco quando perguntou o que importa mais, a experiência ou o juízo, lembrando que Hillary votou a favor da Guerra do Iraque.
Outro fator negativo que assombra a senadora é o fato de ter mudado o slogan de sua campanha freqüentemente, enquanto Obama se manteve fiel aos seus: "esperança e mudança".
Além disso, a campanha de Obama foi visivelmente mais bem organizada, captando delegados em Estados tradicionalmente pouco cortejados, enquanto que Hillary tentou dar o golpe nas primárias dos Estados convencionais.
"A campanha de Obama foi estrategicamente astuta", disse Julian Zelizer, professor de história da Universidade Princeton.
"Viram como funcionava o sistema das assembléias dos eleitores e como se manejava o sistema proporcional de votos, no qual apesar de perder em um Estado pode-se obter delegados", destacou Zelizer.
Obama também superou Hillary nas determinantes operações de arrecadação de fundos, por meio de uma rede de pessoas que doavam as vezes até menos de US$ 100 (R$ 169), e muitas vezes mais.
A senadora teve dificuldades para inserir seu marido na campanha eleitoral e, ainda que a tenha ajudado, foi mais um ponto negativo.
Mesmo que perca para Obama, Hillary poderá dizer que foi a mulher que conseguiu ir mais longe em uma corrida política nos Estados Unidos e que ganhou milhões de votos nas primárias.
Leia mais
- Blog Toda Mídia: Obama prioriza revistas de celebridade
- Veja repercussão da eleição dos EUA na imprensa internacional
- Mesmo com candidatura certa, McCain arrecada menos que democratas
- Hillary vai apoiar Obama se corrida pela candidatura continuar incerta
- Obama busca o apoio de superdelegados; Hillary diz seguir na disputa
Livraria
- Obras da série "Folha Explica" discutem política e eleições
- Livro explica mudanças que marketing eleitoral trouxe às eleições; leia capítulo
Especial


Ela possui Vários pontos fortes :
foi torturada por anos assim como McCain e
sobreviveu, o que a torna apta para combater os
terroristas, é mulher como hillary e fala espanhol.
Se fosse negra e multidões escutassem seus discursos a eleiçao já estava ganha.
avalie fechar
avalie fechar
Soube passar pelo Oriente e manteve discrição sobre o conflito árabe-israelense, mas manteve firme a postura dos EUA com relação a seu aliado Israel.
Embora seja um político, nesse momento ele lembra muito o Papa João Paulo II.
avalie fechar