Mundo
09/05/2008 - 12h31

Análise: Em que Hillary errou?

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STEPHEN COLLINSON
da France Presse, em Washington

A aspiração da ex-primeira-dama Hillary Clinton de chegar à Casa Branca e governar os Estados Unidos era possível diante de sua experiência política, mas agora a possibilidade perdeu força frente a Barack Obama, que se tornou símbolo de mudança para os americanos.

Já se pede que a senadora de Nova York abandone a corrida pela candidatura democrata urgentemente, após as primárias de terça-feira (6) em que perdeu para Obama na Carolina do Norte e ganhou, por pouco, em Indiana.

Durante semanas, a equipe da ex-primeira-dama apostava que os americanos, cansados da prolongada guerra no Iraque, descontentes com a resposta do governo de George W. Bush ao furacão Katrina e receosos perante uma possível recessão econômica, apostariam em sua política trabalhadora e décadas de experiência.

No entanto, Obama, a um passo de ser o candidato à presidência democrata, conquistou uma nova geração de jovens eleitores, dominou o voto dos negros e ganhou a simpatia dos brancos acomodados, com sua promessa de renovação das políticas de Washington.

A proposta de Obama se baseia na esperança e a mudança foi vital. Sua posição favorável perante Hillary é conseqüência de uma inteligente estratégia de captação de delegados e assombrosa arrecadação de fundos.

Focar a campanha de Hillary em sua experiência fez sentido, já que não poderia se mostrar como uma alternativa nunca antes vista, pois durante oito anos foi a primeira-dama dos Estados Unidos, enquanto seu marido Bill Clinton era presidente.

Mas esta decisão a deixou vulnerável a questões sobre se sua experiência como primeira-dama seria relevante para ocupar a Casa Branca.

Obama encontrou um ponto fraco quando perguntou o que importa mais, a experiência ou o juízo, lembrando que Hillary votou a favor da Guerra do Iraque.

Outro fator negativo que assombra a senadora é o fato de ter mudado o slogan de sua campanha freqüentemente, enquanto Obama se manteve fiel aos seus: "esperança e mudança".

Além disso, a campanha de Obama foi visivelmente mais bem organizada, captando delegados em Estados tradicionalmente pouco cortejados, enquanto que Hillary tentou dar o golpe nas primárias dos Estados convencionais.

"A campanha de Obama foi estrategicamente astuta", disse Julian Zelizer, professor de história da Universidade Princeton.

"Viram como funcionava o sistema das assembléias dos eleitores e como se manejava o sistema proporcional de votos, no qual apesar de perder em um Estado pode-se obter delegados", destacou Zelizer.

Obama também superou Hillary nas determinantes operações de arrecadação de fundos, por meio de uma rede de pessoas que doavam as vezes até menos de US$ 100 (R$ 169), e muitas vezes mais.

A senadora teve dificuldades para inserir seu marido na campanha eleitoral e, ainda que a tenha ajudado, foi mais um ponto negativo.

Mesmo que perca para Obama, Hillary poderá dizer que foi a mulher que conseguiu ir mais longe em uma corrida política nos Estados Unidos e que ganhou milhões de votos nas primárias.

Comentários dos leitores
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
A situação é periclitante, se antigamente se concedia o Nobel da Paz a quem de algum modo, plantava a paz no mundo, hoje (dada a escassez de boa fé geral) se concede o prémio a quem não faz a guerra... Como diria o sábio Maluf: "Antes de entrar queria fazer o bem, depois que entei, o máximo que conseguí foi evitar o mal"
Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
sem opinião
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honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
Considero ecelente vosso noticiario. Obrigado, aos 83 anos de mnha vida, 5 opiniões
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Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Óbvio que não poderiam aceitar,pois não teriam respostas claras para as legítimas questões do presidente iraniano,esse sim um verdadeiro estadista que sabe da verdade dos fatos e não tem receio de buscar responsabilizar os culpados. A política imperialista norte-americana é velha conhecida mas pessoas convenientemente "esquecem" disso - não respeitam a soberania das nações e se arvoram em ser os "defensores da liberdade" - é o país que mais se envolveu em guerras,revoluções,invasões e intervenções da história da humanidade.A única nação que já bombardeou outro país (na verdade cidades,repletas de civis inocentes) utilizando armas nucleares. O apoio norte-americano a Israel é uma vergonha, apoiando todo tipo de atrocidade possível,dando carta branca e fornecendo armas de alta tecnologia.
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
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