Mundo
09/05/2008 - 13h54

Líbano corre risco de nova guerra civil, diz embaixador brasileiro

MARIANA CAMPOS
da Folha Online

O embaixador do Brasil no Líbano, Eduardo Seixas, afirmou nesta sexta-feira à Folha Online que a situação no país --onde há três dias são registrados confrontos entre partidários do governo e da oposição, com o registro de 11 mortes-- é grave. Ele admitiu a existência do risco de que a situação evolua para uma guerra civil.

"Risco sempre há", disse ele, questionado sobre a possibilidade de uma guerra civil. "A situação no campo [de batalha], às vezes, pode tornar-se incontrolável. Mas não vejo que alguém possa imaginar-se vitorioso em uma guerra", afirmou Seixas em entrevista por telefone de sua casa nos arredores de Beirute.

Khalil Hassan/Reuters
Fumaça cobre estação de TV incendiada por homens armados; Líbano corre risco de guerra
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"O Líbano viveu essa experiência durante os 15 anos de sua história, na qual ficou comprovada a enorme dificuldade de uma comunidade submeter outra comunidade militarmente. A escalada da situação atual, que é grave, teria conseqüências muitos sérias para o país como um todo. Não vejo que nenhuma das partes envolvidas tenha interesse nisso", completou.

De acordo com o embaixador, os confrontos envolvem apenas partidários xiitas e sunitas. Até o momento não foram registrados choques em áreas cristãs, ou entre grupos cristãos.

"Há combates entre partidários do Movimento Futuro, que é o principal partido da maioria parlamentar, de base sunita, e entre os dois grandes partidos de base xiita, que são o Hizbollah e o Amal. A informação que temos é que, ao longo desta madrugada, os integrantes do Hizbollah tomaram Beirute oeste", disse.

Seixas afirmou que há necessidade da "retomada do diálogo entre as partes, da liberação das áreas ocupadas e do restabelecimento da confiança entre os diversos setores políticos do país".

"Todos têm consciência da gravidade da situação. Não há dúvida que essa consciência em si gera preocupação em todos os níveis", disse. "A situação é grave, mas, por enquanto, localizada. Eu tenho a esperança de que ela não degenere em uma escalada maior, porque o Líbano e todos os partidos políticos perderiam", completou.

Golpe de Estado

Procurado pela Folha Online, o cônsul-geral do Brasil em Beirute, Michael Gepp, disse não acreditar na possibilidade de evolução para uma guerra civil. "No momento, diria que ainda não. Vamos ver o que vai acontecer. A última notícia que recebi é que o governo cairia através de um golpe de Estado provocado pelo Hizbollah e pelo Amal, com o endosso do Exército, que ficaria de braços cruzados", disse. "Mas isso são boatos, não há nenhuma informação confirmada".

Mahmoud Tawil/AP
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Gepp afirmou ainda que não recebeu solicitações feitas por brasileiros em áreas de risco. Segundo ele, a única informação é sobre a mulher e a filha de um diplomata brasileiro, que estavam em Beirute e não conseguiram pegar o avião de volta ao Brasil porque o aeroporto estava fechado. Segundo ele, a menina havia participado de um torneio de tênis ao lado de outras 19 adolescentes de outros países.

De acordo com as informações que recebeu, os organizadores do torneio pensaram em retirar a delegação por meio de uma viagem rodoviária até a Síria, mas desistiram da idéia com os boatos de que a estrada e a fronteira estavam fechadas. Ele disse que a tentativa, a partir de então, seria sair do país por meio do Chipre.

O cônsul disse também que, apesar da situação de confronto em parte de Beirute, ele não se sentiu ameaçado e inseguro em nenhum momento. "Fui ao shopping assistir a um filme ao sair do consulado", disse ele. "Não me senti em nenhum momento privado de locomoção", afirmou.

 

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