ONG pede mais pressão para fim das restrições à ajuda em Mianmar
da Efe, em Bancoc
A organização não-governamental HRW (Human Rights Watch) pediu nesta sexta-feira que China, Índia e os países da Asean (Associação de Nações do Sudeste Asiático) pressionem a Junta Militar de Mianmar (antiga Birmânia) para que suspenda as restrições à chegada de ajuda humanitária para as vítimas do ciclone Nargis.
Pelo menos 23 mil pessoas morreram, mais de 42 mil continuam desaparecidas e 1,5 milhão ficaram desabrigadas após a passagem do ciclone que, há uma semana, devastou o sul do país.
"Mediante o bloqueio dos esforços de assistência, o governo birmanês mostra o desprezo que tem em relação a seu próprio povo", indicou em comunicado o diretor para a Ásia da HRW, Brad Adams.
A ONG exigiu que China, Índia e Tailândia, considerados os principais parceiros do regime de Mianmar, obriguem a Junta Miltar a suspender as restrições e permita a distribuição imediata de material de emergência.
Várias agências internacionais de ajuda se queixam da lentidão das autoridades birmanesas para tramitar, em Bancoc, os vistos para seu pessoal.
No fim da noite de ontem, o Programa Mundial de Alimentos da ONU suspendeu seus vôos ao país após saber que a Junta Militar tinha confiscado uma carga de ajuda.
Os generais deram as boas-vindas à assistência, mas não aos voluntários estrangeiros, para a frustração das organizações humanitárias.
"A Junta Militar não é capaz nem está disposta a entregar a assistência aos que mais necessitam", assinalou Adams.
O responsável da HRW também criticou a reação "morna" à tragédia da Asean, que Mianmar integra junto com Brunei, Camboja, Filipinas, Indonésia, Laos, Malásia, Cingapura, Tailândia e Vietnã.
"A resposta desumana do regime birmanês ao ciclone é um novo motivo de vergonha para a Asean", precisou.
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