Primeiro-ministro do Líbano nega declaração de guerra ao Hizbollah
da Folha Online
O primeiro-ministro do Líbano, Fouad Siniora, disse neste sábado (10) que seu governo não declarou a guerra contra o Hizbollah e não fará isso. Entretanto, ele pediu que o Exército cumpra "suas responsabilidades e liberar as ruas de homens armados".
O pior conflito interno do Líbano desde a guerra civil (1975-1990) teve início nesta semana depois de o governo decidir desmantelar a rede de comunicações do braço militar da milícia xiita do Hizbollah. O grupo afirmou então que o governo havia declarado guerra.
Neste sábado, mais 11 pessoas foram mortas nos confrontos entre as duas partes. Com isso, as vítimas do conflito já chegam a 29, o que forçou Siniora a fazer um pronunciamento oficial.
"Peço ao Exército que imponha a segurança para todos e em todas as regiões e retire os homens armados das ruas imediatamente", declarou Siniora, em um discurso à nação no Palácio de Governo em Beirute.
Siniora disse que "o Estado libanês não cairá", e denunciou as ações armadas do Hizbollah xiita no oeste de Beirute. "A democracia foi apunhalada no coração, mas o Estado libanês não cairá frente aos golpistas", assegurou Siniora.
"Não declaramos guerra ao Hizbollah e não vamos fazê-lo. Mas suas milícias e as do Amal invadiram casas e bairros de Beirute e não vamos tolerar isso", acrescentou.
Trata-se do primeiro pronunciamento do primeiro-ministro desde que o Hezbollah tomou o controle esta semana do oeste da capital, ao término de violentos combates contra partidários da maioria parlamentar.
A milícia xiita do Hizbollah apoiada pelo Irã tomou o controle da metade muçulmana de Beirute na sexta-feira (9), no que a coalizão governista apoiada pelos EUA classificou de "um sangrento golpe armado".
O confronto
A violência ocorre após 17 meses de impasse entre a oposição liderada pelo Hizbollah, que demanda maior poder no governo, e a coalizão governista. A disputa pelo poder paralisou o país e o deixou sem presidente desde novembro passado.
Em cenas que lembram a guerra civil, homens com rifles circulam pelas ruas entre carros destruídos e construções em chamas.
A intensidade dos confrontos diminuiu quando simpatizantes armados do governo, muitos deles leais ao líder sunita Saad al Hariri, entregaram suas armas e cargos ao Exército, que tenta se manter neutro no conflito.
Síria
A coalizão governista anti-Síria disse que o "sangrento golpe armado" têm como objetivo aumentar a influência do Irã e restaurar a da Síria, forçada a retirar suas tropas do país em 2005.
Um porta-voz do Departamento de Estado dos EUA disse que a secretária de Estado havia telefonado aos seus homólogos francês e saudita e ao secretário-geral da ONU, Ban ki-Moon, para discutir "o que o sistema internacional pode fazer para apoiar o governo libanês (...) frente aos atos ilegais das gangues armadas".
"As ligações que sabemos que existem e continuam, entre o Hizbollah e a Síria e o Irã, começam a se manifestar na crise atual", afirmou. "Vemos algumas evidências de que esse grupos ligados à Síria (...) têm um papel muito mais ativo em atiçar as chamas da violência".
Diplomacia
Um porta-voz da Casa Branca afirmou: "Os EUA estão consultando outros governos na região e no Conselho da Segurança da ONU sobre medidas que devem ser tomadas para conter os responsáveis pela violência em Beirute".
A Síria afirmou que o conflito é assunto interno do Líbano, enquanto o Irã culpou 'as interferências aventureiras' dos EUA e de Israel pela violência.
Com France Presse, Efe e Reuters
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