Mundo
10/05/2008 - 11h04

Primeiro comboio de ajuda da ONU chega a Mianmar

da Folha Online

O primeiro comboio de ajuda humanitária da Organização das Nações Unidas (ONU) chegou a Mianmar na manhã deste sábado por via terrestre. Os dois caminhões com material de primeira necessidade para o 1,5 milhão de afetados pelo ciclone Nargis no país chegaram pela fronteira com a Tailândia, segundo informou o Alto Comissionado da ONU pra os Refugiados (Acnur).

Os dois caminhões transportavam 20 toneladas de material de primeira necessidade e cruzaram a fronteira de Mianmar sem encontrar nenhum obstáculo, informou ainda o Acnur, em um comunicado divulgado em Genebra.

"Esperamos que [este comboio] abra um corredor humanitário para permitir que a ajuda internacional chegue mais amplamente às vítimas do ciclone", afirmou Raymond Hall, representante do Acnur na Tailândia.

Membros do Acnur, presentes na fronteira de Mianmar, supervisionaram o carregamento do material nos caminhões e acompanharam o comboio até Rangún.

Ao mesmo tempo, o primeiro avião fretado pelo Acnur decolou neste sábado, em Dubai, com cem toneladas de material a bordo. Entre os itens, barracas de acampamento, mantas e instrumentos de cozinha, todos para socorrer o 1,5 milhões de pessoas que perderam suas casas na catástrofe que matou mais de 23 mil pessoas.

No começo da semana que vem, dois outros comboios com material de primeira necessidade serão enviados pelo Acnur ao país.

Dificuldades

A oposição democrata de Mianmar afirmou que o número de mortos pelo ciclone Nargis aumenta "dia a dia" devido às restrições que a junta militar impõe à assistência humanitária e pediu que a ONU envie ajuda "por todos os meios".

"As autoridades impõem muitos tipos de restrições à ajuda internacional, especialmente à das Nações Unidas, ainda que o número de mortos aumente a cada dia", afirmou em um comunicado a Liga Nacional pela Democracia (LND), da prêmio Nobel da Paz, Aung San Suu Kyi.

"A LND reitera seu pedido à comunidade internacional e à ONU, em nome da população, para que enviem ajuda e especialistas humanitários por todos os meios e coloquem em prática um sistema de socorro o quanto antes", segundo a nota.

A Junta Militar que governa Mianmar recusou inicialmente a ajuda internacional, o que incitou críticas de órgãos e países de todo o mundo.

Nesta sexta-feira, o governo anunciou que o país está pronto a aceitar a ajuda, mas não a presença de voluntários e equipes de resgate estrangeiras. Em um comunicado publicado pela imprensa, o Ministério do Exterior afirmou que o governo está aberto a doações e ajuda de emergência, mas vai controlar a distribuição desta ajuda.

O comunicado foi feito depois que a ONU (Organização das Nações Unidas) aumentou a pressão sobre a junta para acelerar a emissão de vistos para especialistas estrangeiros em ajuda pós-desastres. Há informações de que dezenas de enviados da ONU aguardam vistos na vizinha Tailândia, mas a Embaixada de Mianmar está fechada até terça-feira, por causa de um feriado.

Pelo menos 23 mil pessoas morreram, mais de 42 mil continuam desaparecidas e 1,5 milhão ficaram desabrigadas após a passagem do ciclone que, há uma semana, devastou o sul do país.

Com France Presse

 

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