Mundo
10/05/2008 - 15h58

Libaneses em fuga lotam hotéis sírios; Hizbollah anuncia trégua no conflito

Colaboração para a Folha Online

Milhares de libaneses fogem da onda de violência que assola o país e se refugiam na Síria, cuja capital, Damasco, está com seus hotéis quase 100% lotados, indicaram neste sábado vários responsáveis do setor.

"A situação no Líbano fez aumentar a ocupação hoteleira em quase 100%", afirmou um funcionário de um hotel da capital síria. "São muitas as pessoas que vêm à Síria fugindo dos acontecimentos no Líbano", comentou uma funcionária do hotel Cham.

Neste sábado, homens armados do Hizbollah deixaram as ruas de Beirute, declarando uma trégua no conflito. Os confrontos entre as forças libanesas e a milícia xiita Hizbollah se iniciaram nesta quarta-feira, em uma reação da milícia ao discurso do líder xiita Hassan Nasrallah, no qual ele afirmou que as organizações militantes reagiriam com força contra qualquer ataque opositor.

Enquanto o grupo ocupava a capital libanesa, Beirute, milhares de pessoas de diversas nacionalidades, entre eles britânicos, americanos, alemães e muitos trabalhadores sírios no Líbano, se dirigiram à fronteira de Arida para sair do país, de acordo com jornalistas da agência internacional France Presse.

Vários países árabes, como Arábia Saudita, Kuwait e Emirados Árabes Unidos, tentaram evacuar seus cidadãos pela Síria.

O aeroporto internacional de Beirute está paralisado e o porto suspendeu suas atividades como conseqüência dos violentos confrontos que tomaram conta da capital.

Trégua

Encarregado neste sábado pelo primeiro-ministro Fuad Siniora de restabelecer a paz no país, o Exército libanês não acatou as decisões do governo contra o Hizbollah e ordenou a todos os homens armados que se retirem das ruas.

Ao tomar notícia deste anúncio, a oposição anunciou a desmobilização de seus homens armados, embora tenha indicado que mantinha o movimento de "desobediência civil", segundo o deputado do movimento xiita Amal, Ali Hassan Khalil.

Em um pronunciamento à nação, Siniora encarregou neste sábado o Exército de aplicar as decisões tomadas na terça-feira pelo governo libanês contra o Hizbollah, classificadas pelo movimento xiita como uma "declaração de guerra".

Essas deram origem a violentos combates entre partidários da maioria parlamentar anti-síria, apoiada pelo Ocidente e militantes da oposição, liderada pelo Hizbollah e apoiada por Damasco e Teerã, que deixaram pelo menos 29 mortos, nos piores episódios de violência desde o final da guerra civil (1975-1990).

O Exército decidiu que o chefe da segurança do aeroporto de Beirute, Wafic Chukair, apresentado pelo governo como alguém ligado ao Hizbollah, e que foi destituído na terça-feira, "manterá seu posto" pelo menos até que fique esclarecido se estava a par das câmaras de vigilância instaladas pela milícia no aeroporto da capital.

Além disso, o Exército "se encarregará de estudar o relatório sobre a rede de telecomunicações" do Hizbollah, que seria investigada pelo governo por "violação da soberania do Líbano". A formação xiita considera que esta rede é essencial em sua luta contra Israel e "por razões de segurança".

A expectativa é que, com a retirada dos homens do Hizbollah das ruas de Beirute, a cidade volte à normalidade.

Com agências internacionais

 

FolhaShop

Digite produto
ou marca