Guerrilheiros do Hizbollah saem de Beirute e violência se espalha
da Folha Online
Os homens armados do Hizbollah saíram das ruas de Beirute neste sábado, atendendo a uma ordem do Exército, após os militantes xiitas mostrarem seu poder em violentos confrontos contra forças pró-governo. Porém, ao menos 12 pessoas morreram durantes combates em outras cidades do pais.
O premiê Fuad Siniora, em sua primeira declaração pública desde o início dos confrontos na quarta-feira, disse que o Líbano não pode mais tolerar que o Hizbollah tenha armas. Ele pediu ao Exército que restaure a lei e a ordem e retire os homens armados da ruas.
| Lefteris Pitarakis/AP |
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| Soldados libaneses patrulham Beirute; membros do xiita Hizbollah colocam fim à presença armada na cidade e violência se espalha |
Apesar de suas palavras, Siniora fez uma concessão-chave à oposição liderada pelo Hizbollah, desistindo das duas medidas do governo que deram início aos combates.
O lado ocidental de Beirute, de maioria muçulmana, estava relativamente calmo um dia após o Hizbollah e seus aliados tomarem controle de bairros sunitas, leais ao governo. A maioria dos homens do Hizbollah saiu das ruas, deixando pequenos grupos de seu aliado Amal patrulhando as ruas.
Enquanto as tensões na capital pareciam estar diminuindo, a violência se espalhou e se intensificou em outras partes do país.
Ao menos 12 pessoas morreram e outras 20 ficaram feridas quando grupos pró e contra o governo se confrontaram em uma remota região do norte do Líbano, segundo autoridades do país e funcionários de um hospital. Foi o maior número de mortos em um só confronto desde a escalada da violência no país.
Ao menos 37 pessoas morreram nos quatro dias de confrontos --a pior violência sectária no país desde a guerra civil (1975-1990).
Impasse
O conflito armado é um desdobramento do impasse político entre o governo e a oposição, que entregou os ministérios que comandava há 17 meses, demandando poder de veto sobre as decisões do governo. A disputa pelo poder paralisou o país, que está sem presidente desde novembro de 2007.
O impasse político se transformou em violência após o governo bater de frente com o Hizbollah no início desta semana, dizendo que iria retirar o chefe de segurança do aeroporto por supostas ligações com o Hizbollah e declarou a rede privada de telefonia do grupo ilegal e uma ameaça à segurança.
| Adel Karroum/EFE |
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| Homens armados da facção pró-governo Futuro invadem sede do partido xiita Baath em Trípoli, no norte do país, neste sábado |
Na quinta-feira, o líder do Hizbollah, Hassan Nasrallah, disse que as decisões correspondiam a uma declaração de guerra e demandou a revogação das mesmas. Suas forças xiitas então passaram a controlar a maior parte do lado oeste de Beirute.
A derrota dos sunitas foi um golpe para Washington, que classifica o Hizbollah de grupo de terrorista e condena suas ligações com a Síria e o Irã. A administração Bush tem apoiado fortemente o governo de Siniora e seu Exército nos últimos três anos.
A demonstração da força xiita aumentou os temores no Oriente Médio e no Ocidente da crescente influência do Irã e suas intenções na região. Siniora acusou o Hizbollah de tentar dar um golpe de Estado, cercando e isolando a capital e "envenenado" o sonho de democracia no Líbano.
"O governo não declarou guerra ao Hizbollah. O Hizbollah declarou guerra e a realiza com a intenção de mudar o equilíbrio de poderes local, regional e internacional", declarou.
Após o discurso do premiê, o Exército pediu a retirada dos homens armados das ruas de Beirute e reabriu ruas bloqueadas.
Exército
Na tentativa de interromper a guinada do país em direção ao colapso e à guerra civil, os militares ordenaram suas unidades a "continuarem a tomar medidas no solo para estabelecer a segurança, difundir a autoridade estatal e prender seus transgressores".
Siniora disse que deixaria para o Exército resolver o confronto iniciado por causa do chefe de segurança do aeroporto e da rede de telefonia do Hizbollah.
O Exército ofereceu um acordo ao Hizbollah --disse que o chefe de segurança não seria removido e recomendou ao governo reverter a decisão sobre a rede de telefonia.
Mas o compromisso não satisfez por completo as demandas da oposição de que o governo revogue oficialmente as duas decisões.
O Exército havia se mantido fora dos confrontos. Porém, nas últimas 24 horas os militares foram enviados em grande número às regiões de Beirute tomadas pelos xiitas, posicionando blindados em esquinas e estabelecendo postos de controle.
Em algumas áreas, soldados passaram a proteger líderes das facções pró-governo, o líder da maioria no Parlamento Saad al Hariri e seu aliado, o líder druso Walid Jumblatt.
O comando do Exército é respeitado pelo Hizbollah e uma declaração da oposição afirmou que iria retirar todos seus homens de Beirute, conforme o pedido do Exército.
No entanto, a oposição disse que manteria a campanha de "desobediência civil" até que suas demandas sejam atendidas. Minutos após o anuncio, os guerrilheiros do Hizbollah se retiraram das ruas, ativistas da oposição colocaram fogo em um viaduto do centro, e combates foram registrados em Trípoli, no norte.
A oposição não afirmou se as forças do Hizbollah iriam retirar os bloqueios das vias ao redor de Beirute, incluindo um que corta o acesso ao aeroporto de Beirute desde quarta.
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