Olmert diz que continua no cargo para liderar conversas de paz
da Folha Online
O premiê de Israel, Ehud Olmert, afirmou neste sábado sua intenção de continuar no cargo, liderando as conversas de paz com os "inimigos e adversários" de Israel, apesar da crescente pressão para que ele renuncie em meio a um escândalo de corrupção.
O líder de Israel, sob investigação policial, nega as suspeitas de que tenha recebido centenas de milhares de dólares de um empresário americano de forma ilícita.
Na quinta-feira, Olmert declarou que renunciaria se indiciado, medida vista como um revés ao esforço do presidente dos EUA George W. Bush para garantir um acordo de paz antes do fim de seu mandato, em janeiro.
| 7.mai.05 - Michel Euler/AP |
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| Ehud Olmert e o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmud Abbas |
Porém, em discurso à ala jovem do seu partido Kadima, de centro, durante evento perto de Tel Aviv, Olmert disse que iria liderar os esforços para garantir a segurança de Israel.
"Queremos liderar o Estado de Israel a uma situação onde ele possa (...) pôr fim aos sangrentos conflitos que acompanham nossa vida neste país desde seu estabelecimento e mesmo antes", declarou o premiê.
"É a nossa agenda e (...) não iremos ceder, iremos trabalhar com toda a nossa força, e eu irei liderar porque não há opção."
Olmert não mencionou o escândalo de corrupção que domina as manchetes da imprensa israelense. O premiê afirmou que irá continuar a combater o lançamento de foguetes a partir da faixa de Gaza --controlada pelo Hamas-- contra Israel e alertou os militantes, a quem apenas se refere de "o outro lado" iria sofrer um "forte e doloroso golpe" enquanto os ataques continuarem.
Na sexta-feira, um foguete lançado de Gaza matou um civil Israelense. Em seguida, uma série de ataques aéreos mataram cinco membros do Hamas na faixa de Gaza.
"Continuaremos a fazer tudo que for necessário para garantir a força militar israelense e sua capacidade defensiva", afirmou Olmert.
A renúncia de Olmert pode levar a eleições que, conforme indicam as pesquisas, seriam vencidas pela direita, colocando no cargo Benjamin Netanyahu, que se opõe às negociações com os palestinos.
Olmert tem a opção de tirar uma licença, sendo seu cargo transferido à chanceler Tzipi Livni, que lidera as negociações de paz com os palestinos.
O Partido Trabalhista, de centro-esquerda, tradicionalmente na vanguarda dos esforços de paz, pode sair da coalizão de Olmert e concorrer nas próximas eleições. Tamanha mudança na política israelense pode se refletir na faixa de Gaza e na Cisjordânia, os dois territórios palestinos divididos entre o radical Hamas e o secular Fatah, de Mahmud Abbas, desde violentos confrontos em junho de 2007.
Com Reuters
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