Ministros se reúnem para encontrar soluções para a crise no Líbano
Colaboração para a Folha Online
Ministros de Relações Exteriores da Liga Árabe se reuniram neste domingo para encontrar uma solução para a crise no Líbano, que causou a morte de ao menos 40 pessoas, segundo informações da BBC.
A agência de notícias Reuters e a rede CNN de televisão confirmam a morte de ao menos 44 pessoas durante os confrontos que representam a crise mais séria no Líbano desde a guerra civil (1975-90).
"É verdade que os partidos libaneses são capazes de resolver os problemas, mas a fase que estão passando prevê graves conseqüências", afirmou Mahamoud Ali Youssouf, o ministro de relações Exteriores da República do Djibouti (África), cujo país está na presidência rotativa da Liga Árabe.
Youssouf disse na sessão de abertura do encontro que os desentendimentos políticos devem ser solucionados pacificamente "porque, ao fim, será a população libanesa que vai pagar o preço terrível" dos embates.
Um oficial da Liga Árabe em Cairo afirmou à agência Reuters que os ministros devem pedir um acordo imediato para a formação de um governo libanês de união nacional, com a eleição do general Michel Suleiman, chefe das forças armadas, como presidente.
O país está sem presidente desde novembro de 2007, devido à falta de consenso entre os partidos sunita e xiita.
Os ministros, que se encontraram em uma reunião fechada, também devem pedir para que uma equipe de "políticos, intelectuais e partidos neutros" trabalhem em uma nova lei eleitoral após a eleição de Suleiman, de acordo com o oficial, que falou em condição de anonimato.
O ministro das Relações Exteriores da Síria, Walid al Meualem, não esteve presente no encontro. A delegação do país --o maior aliado do Hizbollah-- foi representada por seu embaixador na Liga Árabe.
A reunião foi convocada por Egito e Arábia Saudita, dois aliados do governo do Líbano.
"Talvez haja diferentes visões e essa é a razão de convocar uma reunião de ministros de Relações Exteriores para discutir todos os elementos para colocar um fim na crise", afirmou Hesham Youssef, chefe de pessoal para o secretário geral da Liga Árabe, segundo informações da agência estatal egípcia, Mena.
Papa
O papa Bento 16 condenou neste domingo "os confrontos armados no Líbano" e pediu o diálogo para os líderes libaneses, em pronunciamento feito na Praça São Pedro do Vaticano.
"Exorto os libaneses a abandonar os enfrentamentos que estão levando esse querido país ao irreparável. O diálogo e a compreensão mútua constituem a única via que pode restituir a dignidade e a segurança à população", afirmou o papa diante de milhares de fiéis reunidos na Praça São Pedro.
"O Líbano deve saber responder com coragem a sua vocação de ser, para o Oriente Médio e para o mundo, o símbolo de uma coexistência pacífica entre as diferentes comunidades", concluiu o Papa.
Confrontos
O conflito armado é um desdobramento do impasse político entre governo e a oposição que entregou os ministérios que comandava há 17 meses, demandando poder de veto sobre as decisões do governo. A disputa paralisou o país, que está sem presidente desde novembro de 2007.
O impasse político se transformou em violência após o governo bater de frente com o Hizbollah no início desta semana, dizendo que iria retirar o chefe de segurança do aeroporto por supostas ligações com o Hizbollah e declarou a rede privada de telefonia do grupo ilegal e uma ameaça à segurança.
Na quinta-feira, o líder do Hizbollah, Hassan Nasrallah, disse que as decisões correspondiam a uma declaração de guerra. As forças xiitas então passaram a controlar a maior parte do lado oeste de Beirute.
A derrota dos sunitas foi um golpe para Washington, que classifica o Hizbollah de grupo de terrorista e condena suas ligações com a Síria e o Irã. A administração Bush tem apoiado fortemente o governo do Líbano e seu Exército nos últimos três anos.
Com Reuters e France Presse
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