Feministas dos EUA se dividem entre os pré-candidatos democratas
Colaboração para a Folha Online
Os movimentos feministas norte-americanos estão divididos entre os pré-candidatos democratas à Presidência dos EUA, mesmo com a histórica candidatura de Hillary Clinton.
Por enquanto, a campanha de Hillary Clinton sobrevive principalmente em razão do apoio de 60% das eleitoras brancas, contra 30% do rival Barack Obama na média das primárias ocorridas até terça-feira (6).
| 7.mai.2008 - AP |
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| Eleitores feministas norte-americanas se dividem entre os candidatos à nomeação democrata Barack Obama e Hillary Clinton |
Porém, entre mulheres brancas com alto nível educacional --a maior parte das feministas--, a vantagem da senadora é muito menor, 54% contra 43%, de acordo com pesquisas da agência Associated Press e de redes de televisão.
A diferença de gerações é um dos fatores que influencia o voto das mulheres. Entre as jovens feministas, a tendência é apoiar Obama, enquanto as mais velhas apóiam Hillary.
A senadora por Nova York freqüentemente menciona em campanha as mulheres idosas que nasceram antes do voto feminino ser permitido e confidenciaram a ela pensar que nunca veriam uma mulher eleita presidente.
Gloria Steinem, 74, um ícone do movimento feminista nos EUA, afirmou apoiar Hillary e criticou as feministas pró-Obama, por se posicionarem a favor do persistente "sistema sexual de castas" norte-americano.
Já Ariel Garfinkel, estudante do segundo ano da faculdade Mount Holyoke (Massachusetts), escreveu muitos argumentos contrários em sua coluna online, criticando a estratégia de Hillary que, segundo a estudante, estaria utilizando o fator raça e prejudicando as visões patrióticas de Obama.
"Esse padrão de política antigo e a adesão a valores não feministas é parte e parcela da campanha que Hillary Clinton tem feito", escreveu Garfinkel. "Nesta disputa, Barack Obama é o verdadeiro feminista".
Outra jovem feminista, Hannah Seligson, de Nova York, apóia Hillary e afirma se sentir isolada no mundo com suas amigas favoráveis a Obama.
"Eu evito as conversas com elas", afirmou Seligson, 25. "Elas são tão passionais e fazem muito sarcasmo contra Hillary".
Por todas essas divisões entre as mulheres, houve um conflito no grupo feminista mais conhecido dos EUA, a Organização Nacional para Mulheres (National Organization for Women, em inglês) antes que seu comitê político apoiasse Hillary em março de 2007.
De acordo com Kate Michelman, ex-líder de um grupo pró-aborto e eleitora de Obama, a campanha democrata deixou os movimentos feministas em uma encruzilhada.
"Nós estamos em um tempo e lugar onde não temos que basear tudo o que pensamos em termos de sexo, e isso pe um sinal de progresso", afirmou Michelman. "Esta visão rígida que nós temos que apoiar quando qualquer mulher está na disputa, é contraditória ao que eu considero ser o feminismo", acrescentou.
A ex-presidente de uma organização pela saúde da mulher e eleitora de Hillary, Gloria Feldt, afirmou que o movimento feminista não deve ter uma opinião única, mas disse temer que as disputas entre Hillary e Obama acabem com a influência que as feministas poderiam ter nas eleições se agissem como um grupo.
"Nós estamos afastando uma oportunidade de sermos vistas como um bloco estratégico para as eleições", afirmou.
Com Associated Press
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