Beirute e Trípoli têm trégua enquanto combates ocorrem no Monte Líbano
da Folha Online
A calma voltou neste domingo a Beirute e a Trípoli, principal cidade do norte do Líbano, após os intensos combates das últimas horas. Porém, a violência alcançou o Monte Líbano, a sudeste da capital libanesa.
Nos cinco dias de combates no país, ao menos 53 pessoas morreram e outras 150 ficaram feridas.
Os confrontos entre partidários da coalizão governista e a oposição, liderada pelo xiita Hizbollah, se concentram agora nas proximidades de Aley, região de maioria drusa.
Segundo parte da imprensa libanesa, continuam os combates entre milicianos xiitas e partidários do líder druso Walid Jumblatt, membro da maioria parlamentar, nas localidades de Aitat, Kayfun, Baisun, Maite e em Choueifat.
A emissora Al Jazeera mostrou cenas de intensos tiroteios em Choueifat e de colunas de fumaça em vários pontos da montanha.
Em declarações à TV libanesa, Jumblatt afirmou ter realizado contatos com o presidente do Parlamento, o xiita Nabih Berri, dirigente da oposição, para acabar com a violência na região, onde há vários de seus seguidores.
Segundo Jumblatt, os dois concordaram em encarregar o líder druso Talal Arslan --adversário de Jumblatt e aliado dos xiitas-- da solução do conflito na região do Monte Líbano.
Jumblatt também disse que o que acontece em Aley e Choueifat põe em risco a paz com os "irmãos xiitas". "Digo aos meus simpatizantes que a paz civil, a coexistência e o fim da guerra e da destruição são mais importantes que qualquer outra consideração", afirmou Jumblatt, peça-chave da coalizão governista, em declaração transmitida pela TV.
Em discurso exibido pela TV, Arslan disse ter pedido aos partidários da oposição o final imediato dos confrontos e a entrega das armas e que entrou em contato com o Exército para se posicionar na região.
A emissora libanesa LBC informou que a coalizão governista --apoiada pelos EUA e pela Arábia Saudita-- e a oposição chegaram a um acordo para um cessar-fogo na região, que devia entrar em vigor às 18h (12h em Brasília), porém as imagens feitas no local levantam dúvida sobre a veracidade destas afirmações.
Trípoli
Os combates no sudeste do país eclodiram após o fim dos confrontos em Trípoli, onde foi registrada violência entre a noite de sábado e a manhã deste domingo.
Segundo fontes da polícia, os confrontos foram entre seguidores do líder sunita Saad Hariri, um dos principais dirigentes da maioria parlamentar, e membros do oposicionista Partido Democrata Árabe, integrado majoritariamente por alauítas, seguidores do alauísmo, ramo do xiismo.
As fontes afirmaram que os confrontos aconteceram nos bairros de Bab al Tebane, Kobeh e Jabal Mohsen, no norte de Trípoli, onde há grande presença de alauítas.
Em Beirute, por outro lado, vive-se uma situação de calma após o fim dos enfrentamentos que começaram na última quarta.
No entanto, o aeroporto de Beirute, tomado pelo Hizbollah, ainda permanece fechado, enquanto os milicianos continuam escondidos em alguns becos, apesar de se retirarem ontem das ruas da capital libanesa.
Ao meio-dia deste domingo (hora local) foi feito um minuto de silêncio, convocado pelo governo, em Beirute e outras regiões do país em repúdio à violência.
O primeiro-ministro do Líbano, Fuad Siniora, se reuniu com ministros em frente ao Palácio do governo para respeitar o minuto de silêncio.
Com Efe e Reuters
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