Liga Árabe envia delegação para mediar conflito no Líbano
da Folha Online
A Liga Árabe disse neste domingo que irá enviar uma missão de alto escalão a Beirute para mediar um acordo que coloque fim ao conflito interno no Líbano, o pior em 18 anos, desde a guerra civil (1975-1990). No entanto, analistas se mostram céticos quanto aos resultados que tal esforço possa ter.
A organização, com sede no Cairo, disse que chanceleres árabes, em reunião de emergência, haviam escolhido o premiê do Qatar, xeque Hamad bin Jassim bin Jabr al Thani, e Amr Moussa, chefe da Liga Árabe, para liderar a delegação.
Ao menos 53 pessoas morreram nos confrontos que tiveram início quando o grupo xiita Hizbollah, apoiado por Irã e Síria, brevemente tomou controle de Beirute após o governo --apoiado por EUA e Arábia Saudita-- decidir remover o chefe de segurança do aeroporto de Beirute, que seria ligado ao Hizbollah, e desmantelar a rede de telefonia do grupo. Ao menos 150 pessoas ficaram feridas nos cinco dias de combates.
"Queremos resgatar o Líbano", declarou Moussa em coletiva após a reunião. O chefe da Liga Árabe afirmou que os ministros condenavam "o uso da violência para atingir objetivos políticos".
Mais cedo, a Liga Árabe havia declarado que a delegação viajaria a Beirute imediatamente, mas Moussa disse que a data seria estabelecida após contatos com líderes libaneses.
Impasse
As tensões diminuíram em Beirute neste domingo após guerrilheiros do Hizbollah se retirarem de áreas que haviam tomado no lado oeste da capital. Porém, a violência se espalhou para regiões de montanhas a oeste de Beirute, com confrontos entre o Hizbollah e seguidores do líder druso pró-governo Walid Jumblatt.
O Líbano enfrenta um impasse político há 18 meses que deixaram o país sem presidente desde novembro. Moussa tenta há meses chegar a um acordo entre governo e oposição, que quer maior poder, sem sucesso.
Analistas dizem duvidar que a missão árabe possa ajudar a resolver o conflito em um país que vêem como campo de batalha entre os EUA e seus aliados árabes contra Irã e Síria.
"Talvez eles consigam uma solução temporária, mas a situação explodirá novamente se as questões não forem tratadas em profundidade", disse Ahmed Mahe, ex-chanceler egípcio, à agência Reuters. "A situação no Líbano só pode ser resolvida dentro de um contexto regional."
Propostas
A delegação da Liga Árabe também incluirá os chanceleres da Jordânia, Omã, Bahrein e Emirados Árabes. A organização disse ter convidado líderes da oposição, incluindo Sayyed Hassan Nasrallah, chefe do Hizbollah, e os principais membros do governo, para conversas com a delegação.
As conversas terão como foco esboçar uma iniciativa da Liga Árabe que pede pela eleição do chefe do Exército, Michel Suleiman, como presidente, a formação de um gabinete de unidade nacional e a criação de uma nova lei eleitoral, de acordo com a Liga.
A Arábia Saudita e o Egito, ambos preocupados com a crescente influência do Irã na região, pediram pela reunião deste domingo. A Síria, aliado do Irã, disse que a crise no Líbano é um assunto interno.
O analista político Emad Gad disse que as divisões entre os árabes tornam a tarefa da delegação mais difícil. "Quando a Liga Árabe teve sucesso em pôr fim a uma crise em qualquer país árabe?", questiona Gad.
Com Reuters
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