Mundo
12/05/2008 - 00h41

Campos de refugiados pelo tufão Nargis são administrados como prisões

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da Efe, em Bancoc
da Folha Online

A Junta Militar de Mianmar (ex-Birmânia) administra os campos de refugiados pelo tufão Nargis como prisões fortemente vigiadas, cujos "reclusos" têm visitas controladas e não podem sair do recinto para procurar seus parentes desaparecidos.

Fontes da dissidência e testemunhas informaram que os refugiados estão vestidos com roupa similar à carcerária e um número de registro que devem mostrar sempre, e só podem ser visitados por um membro de sua família credenciado com um documento oficial.

Qualquer pacote de comida deve ser entregue às autoridades do campo, cujos responsáveis obrigam as aldeias próximas a fazer "doações voluntárias" de água potável, arroz, cobertores e roupas.

Membros do exílio birmanês em Bancoc denunciaram que os postos de controle do Exército no delta do rio Irrawaddy confiscam das ONGs internacionais a metade de cada carga de material de emergência que levam para a região.

Neste domingo, o primeiro barco de carga que transportava material de ajuda da Cruz Vermelha às vítimas do ciclone Nargis afundou ao se chocar contra um tronco de árvore no Delta do Irrawaddy (sudoeste), segundo informações da organização.

"A tripulação navegava para uma ilha, mas a embarcação afundou rapidamente. Todos os membros da tripulação, entre eles quatro membros da Cruz Vermelha de Mianmar, conseguiram se salvar", afirmou a organização em um comunicado.

O barco carregava suprimentos para mais de mil pessoas, incluindo 100 sacos de arroz, cinco mil litros de água potável, 10 mil tabletes de purificação da água e 30 caixas de roupas, além de mil barras de sabão, 800 luvas de borracha e mil máscaras cirúrgicas.

As agências de ajuda humanitária têm receio do critério de divisão da assistência por parte das autoridades da Junta Militar, que insiste em se encarregar de forma exclusiva da distribuição da ajuda.

Ao menos 23 mil pessoas morreram, mais de 42 mil continuam desaparecidas e 1,5 milhão ficaram desabrigadas após a passagem do ciclone que, há uma semana, devastou o sul do país.

 

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