Zimbábue condiciona presença de observadores ao final de sanções
da Efe, em Harare
O governo do Zimbábue não convidará observadores eleitorais de "nações hostis" para o segundo turno das eleições presidenciais caso não sejam suspensas as sanções internacionais contra o regime de Robert Mugabe, informou hoje um jornal governamental.
Em declarações reproduzidas pelo "The Herald", o ministro da Justiça e porta-voz do partido governante União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (Zanu-PF), Patrick Chinamasa, afirmou que os "países ocidentais não serão convidados, pois são parte envolvida" no processo eleitoral no Zimbábue.
"Os consideraremos favoravelmente caso interrompam as sanções, e até que isto não ocorra não há razão para ter relações com eles", declarou Chinamasa.
A União Européia, os Estados Unidos e outras nações mantêm sanções contra as principais figuras do regime de Mugabe, no poder desde 1980, que os impedem de viajar para estes países e terem ativos financeiros nestas localidades.
Também existe uma proibição de vender armas ou material que possa ser usado para reprimir a população. O segundo turno das eleições presidenciais não foi convocado ainda.
O primeiro ocorreu no dia 29 de março passado como parte de pleitos gerais nos quais o partido governante perdeu a maioria parlamentar que conservava desde 1980.
No primeiro turno, o regime do Zimbábue só permitiu a entrada de observadores de países amigos. A oposição pediu que no segundo turno não existam restrições para a participação de observadores eleitorais internacionais.
O opositor Movimento para a Mudança Democrática (MDC) pediu no último fim-de-semana que o segundo não vá além de 23 de maio, quando será completado o prazo legal de 21 dias desde que foram divulgados os resultados do primeiro turno.
Nesta votação participarão o líder opositor Morgan Tsvangirai e Mugabe.
Nas declarações publicadas hoje pelo "The Herald", Chinamasa afirmou que a lei permite que a Comissão Eleitoral amplie o prazo do segundo turno.
A oposição acusa o governo de ampliar os prazos eleitorais para desenvolver uma onda de repressão contra os simpatizantes do MDC e, por meio do medo, forçá-los a votar a Mugabe no segundo turno.
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