Violência prossegue no norte do Líbano, diz embaixador brasileiro
FERNANDA BARBOSA
Colaboração para a Folha Online
Os conflitos entre opositores xiitas e governistas sunitas, que se intensificaram nas montanhas Chouf (a sudeste de Beirute) no domingo, foram controlados pelo Exército do Líbano. No entanto, a violência continua no norte do país, principalmente na cidade de Trípoli, segundo o embaixador brasileiro no país, Eduardo Seixas.
"Estamos agora em compasso de espera, e a expectativa é que a situação se mantenha calma até a chegada da missão da Liga Árabe", disse Seixas em entrevista por telefone à Folha Online de Beirute.
O envio da Liga Árabe foi determinado neste domingo após uma reunião no Cairo (Egito).
A missão, que visa mediar um acordo que dê fim ao conflito no Líbano, conta com a presença de chanceleres árabes, liderados pelo premiê do Qatar, xeque Hamad bin Jassim bin Jabr al Thani e pelo chefe da Liga Árabe, Amr Moussa.
Ao menos 53 pessoas morreram nos confrontos que tiveram início no último dia 7, quando o grupo xiita Hizbollah, apoiado por Irã e Síria, brevemente tomou controle de Beirute após o governo --apoiado por EUA e Arábia Saudita-- decidir remover o chefe de segurança do aeroporto de Beirute, que seria ligado ao Hizbollah, e desmantelar a rede de telefonia do grupo.
No entanto, o número de mortos já chegaria a 81 de acordo com a agência Reuters.
Não há registro de brasileiros feridos durante os choques entre os grupos rivais libaneses, segundo Seixas.
Mortes
Os confrontos desta segunda-feira causaram a morte de ao menos 16 pessoas em Trípoli, segundo oficiais e paramédicos consultados pela agência Associated Press. Ao menos seis pessoas ficaram feridas.
As montanhas Chouf, na região habitada por drusos, seriam um ponto estratégico para o Hizbollah, pois propiciaria uma ampla visão de grande parte do país.
No domingo, houve combates no local entre integrantes do grupo radical islâmico e membros do Partido Socialista Progressista (PSP), liderado por Walid Jumblatt, governista.
O embate matou ao menos 36 pessoas, entre elas 14 integrantes do Hizbollah, segundo a agência Reuters.
Após o envio de tropas do Exército ao local, foi negociada uma trégua temporária, mas os grupos não entregaram suas armas, segundo informações da rede britânica BBC.
Um novo contingente de soldados foi enviado para a região nesta segunda-feira para assegurar a manutenção da trégua.
Brasileira
Em Beirute, as pessoas já "se acostumaram com os choques" e "levam a vida normalmente", de acordo com a jornalista brasileira Rebecca Maatouk, que trabalha na rede Future News, que foi tomada por aliados ao Hizbollah na última sexta-feira (9).
"Eu não estava no escritório, estava no estúdio, que não é no mesmo local. Mas meus colegas me disseram que foram obrigados a sair do prédio. Alguns que demonstraram resistência foram insultados", disse ela por telefone à Folha Online.
No entanto, na região de Chwayfet, os moradores estão com medo de balas perdidas, e ficam grande parte do tempo abaixados no chão de suas casas para não serem atingidos, relata Maatouk.
Segundo a jornalista, as pessoas que vivem nas áreas de conflito esperam que o Exército "traga calma" ao local.
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