Mundo
12/05/2008 - 18h02

Hillary planeja como sair fortalecida da disputa, diz assessor de Obama

Colaboração para a Folha Online

A matemática do sistema eleitoral norte-americano mostra que as chances da pré-candidata democrata à Casa Branca Hillary Clinton são quase nulas e ela agora, segundo um proeminente assessor de seu rival, Barack Obama, planeja um modo de sair da corrida pela nomeação sem parecer que simplesmente se rendeu.

"Hillary está tentando descobrir como pousar o avião sem parecer uma rendição", disse o assessor, que não quis se identificar, à rede de televisão CNN.

Na prática, isso significaria encerrar sua campanha nas próximas semanas e ao mesmo tempo estabelecer a posição mais fortalecida possível para abrir caminho para uma chapa conjunta com Obama.

Segundo Carl Bernstein, analista político da CNN, amigos e assessores próximos de ambos os pré-candidatos democratas estão convencidos de que, se efetivamente perder a corrida democrata, Hillary vai lutar com a mesma garra pela vice-Presidência.

Veja a íntegra, em inglês

O tema é ainda delicado e são poucos os que se arriscam a declarações sobre a chapa, já que, oficialmente, Hillary ainda disputa bravamente pela nomeação. Uma pessoa próxima a Hillary --que também não quis se identificar-- apresentou o seguinte cenário. O Partido Democrata deve declarar Obama como o nomeado na primeira semana de junho, logo após o fim das primárias, mas Hillary continuará lutando com todo mundo, o comitê de regras, os líderes partidários, e argumentando que é a melhor candidata para garantir a vitória nas eleições gerais.

11mai08 Elise Amendola/AP
Texto: Democratic presidential hopeful Sen. Hillary Rodham Clinton, D-N.Y., greets supporters in the rain outside a campaign event in Grafton, W. Va., Sunday, May 11, 2008. (AP Photo/Elise Amendola)
Senadora Hillary Clinton cumprimenta eleitores na Virgínia Ocidental

"Ela dirá, 'eu ganhei nos Estados mais importantes, eu tenho quase a metade dos delegados, eu tenho fortes eleitorados que ele não tem; eu sou a "senhora dos trabalhadores" [...] e ele não poderá ganhar sem minha parceria na chapa'", afirmou a fonte.

Outra fonte influente no Partido Democrata ouvida pela CNN acrescenta que a saída da ex-primeira-dama não será tranqüila. "Obama está numa posição terrível. Ele marcha em um ritmo diferente. Ele não quer ela na chapa, mas talvez ele tenha que aceitar [...] mesmo depois de todos os ataques dela e de Bill Clinton", conta.

Do outro lado, muitos democratas importantes que apóiam a candidatura de Obama prevêem que ele, e sua mulher Michelle, vão resistir vigorosamente a qualquer esforço de Hillary de formar uma chapa conjunta.

Em sua coluna no jornal "Chicago Sun-Times", o jornalista conservador Robert Novak afirma que Hillary não será vice-presidente porque Michelle sente grande hostilidade pela ex-primeira-dama. Questionado em um comício, Obama respondeu em tom sério: "Minha mulher não fala com Bob Novak freqüentemente".

Para esta parte dos democratas, o cenário mais provável é que Obama convença Hillary a permanecer como senadora por Nova York ou a aceitar uma outra posição em seu governo, caso seja eleito presidente.

Saída

O Partido Democrata espera que Hillary desista da corrida democrata pela nomeação após as primárias de 3 de junho, evitando uma convenção nacional de muita disputa. Contudo, há ainda muitas dúvidas sobre como a ex-primeira-dama deixará a campanha a qual se dedica há mais de um ano.

Isso pode acontecer de maneira habilidosa e tranqüila, parando de vez com os ataques à candidatura de Obama e restaurando a união do Partido Democrata.

Pode ser também uma saída explosiva, deixando para John McCain um legado de novos ataques e revelações bombásticas de Obama para serem usadas na campanha presidencial. Mas, com uma reputação a manter no partido, especialistas acham difícil que Hillary intensifique os ataques ao rival democrata.

De qualquer forma, Hillary continua determinada a permanecer na disputa pela nomeação até o final das primárias e investe agora nos delegados de Michigan e Flórida --que tiveram suas primárias anuladas por adiantar a data da votação-- como último argumento de que pode sim ser a candidata democrata a enfrentar com sucesso McCain nas urnas no dia 4 de novembro.

Comentários dos leitores
Manoel De Castro (1) 24/07/2008 13h59
Manoel De Castro (1) 24/07/2008 13h59
MANAUS / AM
O Atual presidente dos EUA, Mr. George W.Bush, Vem sofrendo uma errada reprovação por suas Decisões, Ele busca a Proteção de sua Nação e de seus Alidos, e de Nações Amigas, Ele é um homem Decido, isto nao significa que todos devem Aprova-lo. Esta fazendo de tudo para Eleger Mr. Jonh McCain, Vamos ver o outro Candidato, quer Tirar a Tropa Americado do Centro do Terrorismo hoje, Imaginem A retirada, onde ficariam os Terrorista que Explodem o seu Próprio Povo. Será que também se retirariam do Iraque. De vez se querer Tirar as tropas que ajudamna segurança do Iraque, Por que O Candidato Democrata não Tenta tirar Os terrorista do Iraque. sem opinião
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Rogério Athayde (112) 24/07/2008 12h55
Rogério Athayde (112) 24/07/2008 12h55
CURITIBA / PR
O candidado Barack Obama deve se ater a sua campanha política dentro do seu País e não se atirar muito no Oriente Médio onde a questão lá é muito mais complexa que ele possa imaginar. Até hoje os EUA nunca conseguiram intermediar um acordo de paz eficiente naquela região, pois os Palestinos não abrem mão de seu território, e diga-se de passagem, uma luta justa. O que não se justifica é tamanha violência na luta pelo que lhe é de direito, pois milhares de inocentes morrem sem ao menos opinar sobre o assunto. O candidato em questão ainda não é Presidente americano, ele poderá ser ou não ser, portanto, ele que faça a sua campanha onde deve fazer e não lá no Oriente Médio, arriscando até sua própria vida. A crise da maioria compacta já está implantada no mundo e não será ele que irá mudar isso. Para que Israel e Palestina façam as pazes, é necessário empenho do mundo todo e não apenas dos norte americanos. O que aconteceu no Iraque p. exemplo, e ainda está acontecendo, é a mais alta falta de competência para acordo de Paz. Invadir um País sob pretexto de se buscar armas químicas foi uma loucura tão grande quanto a 2ª Guerra Mundial. O mundo ficou perplexo com tal atitude norte americana, ou alguém tem a coragem de dizer que isso foi correto? Aqui na América do Sul, a invasão da Colômbia num pequeno espaço do Equador já deu a maior confa, agora imagine o que aconteceu no Iraque? Chegará um dia em que o poder do dinheiro destruirá a humanidade, inclusive eles. sem opinião
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Gustavo Pereira (38) 24/07/2008 10h44
Gustavo Pereira (38) 24/07/2008 10h44
Antes de mudar de topico, gostaria de colocar mais uma mensagem a respeito do problema com as pesquisas eleitorais aqui nos EUA, devido ao numero de disparates entre algumas pesquisas estaduais eleitorais divulgadas nas ultimas semanas. Salvo quando um verdadeiro escandalo eh revelado, pesquisas eleitorais tendem a ser relativamente estaveis. Mudancas de opiniao normalmente ocorrem de forma gradual e progressiva. Entretanto, as pesquisas em alguns Estados tem demonstrado supostas volatilidades que sao evidentemente absurdas. Vou citar dois exemplos recentes em Missouri e Ohio. Ambos os Estados tem notoriedade por serem extremamente competitivos e os vencedores nesses Estados geralmente ganham por margens bem pequenas. Contudo, dois Institutos realizaram pequisas em Ohio e em Missouri na mesma semana. No Missouri um dizia que McCain tinha uma vantagem de 5% sobre Obama, enquanto que o outro Instituto apontava o mesmo numero, mas no sentido reverso. Nessa semana, uma pesquisa revelou Obama com uma vantagem de 8%, no dia seguinte outra pesquisa dizia que McCain tinha uma vantagem de 10%. Isso eh uma aberracao causada, provavelmente, por essas formulas caseiras que mencionei antes. Logo, eh melhor redobrar-se a cautela quanto a criar-se qualquer expectiva do que acontecera nesses Estados chave. sem opinião
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