Cruz Vermelha estabelece ajuda permanente a Mianmar
Colaboração para a Folha Online
Um canal permanente de ajuda aos afetados pelo ciclone Nargis em Mianmar foi estabelecido pela Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, segundo comunicado da instituição desta segunda-feira.
O Nargis deixou cerca de 28.458 mortos e 33.416 desaparecidos, segundo a agência France Presse. Alguns diplomatas ocidentais em Mianmar questionam os dados oficiais e acreditam que o número de mortos se aproxima dos 100 mil.
A ONU teme que outras dezenas de milhares de pessoas morram caso a ajuda necessária para socorrer cerca de dois milhões de desabrigados não chegue imediatamente.
Dez vôos aterrissaram na cidade Yangun desde quarta-feira (7), dos quais seis levaram 35 toneladas de suprimentos.
Os vôos que chegaram a Mianmar representam o início de uma operação de logística massiva em curso, segundo Igor Dmitryuk, chefe da unidade de logística da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho em Kuala Lumpur, Malásia.
"Isso é apenas o começo e nós estamos trabalhando contra o relógio para identificar qualquer outra rota para entrar no país", declarou Dmitryuk. "Mas começamos a sentir [o estabelecimento de] um ritmo [na chegada de ajuda]."
Segundo o chefe de logística, ao menos dois vôos chegarão a Yangun por dia durante esta semana. Até sexta-feira (16), a associação deve enviar 17 vôos, com um total de 130 toneladas de suprimentos.
Dificuldades
Os vôos são a forma mais viável de se chegar ao país já que o principal porto de Mianmar está fechado desde que dois guindastes caíram em sua entrada. No entanto, a organização continua a procurar outras rotas para entregar mais ajuda ao país.
Uma viagem de cinco dias a partir de Bancoc, na vizinha Tailândia, até o delta do Irrawaddy, região mais afetada, é repleta de problemas de segurança --saques são um risco constante a partir do momento em que a fronteira tailandesa é cruzada.
Transportar a partir de Bangladesh, onde a organização tem estoques de suprimentos, também é difícil por causa das condições das estradas do país.
"Pedimos a algumas companhias de transporte e elas negaram", disse Dmitryuk, ao comentar negociações com as empresas da região. "Eles disseram que nunca ninguém havia tentado, nem sabiam se era possível", afirmou. "Eles disseram que em alguns lugares as estradas são, na verdade, caminhos de burros."
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