Senadora colombiana Piedad Córdoba diz que governo quer prendê-la
da Efe, em Caracas
A senadora colombiana Piedad Córdoba disse nesta segunda-feira (12) ao canal estatal VTV da Venezuela que o governo do presidente Álvaro Uribe quer prendê-la, o que segundo ela poderia acontecer na próxima semana.
"Tenho cinco denúncias penais na Suprema Corte (...) e fora disso estão anunciado que me prenderão na próxima semana, não sei qual dia", declarou sem divulgar mais detalhes sobre o assunto.
Após classificar o país de "paramilitar e mafioso", a senadora repetiu que poderão capturar ou matar, mas que não desistirá de suas denúncias sobre a parapolítica --como chamam em seu país os supostos vínculos de políticos colombianos com forças paramilitares de direita.
No processo da parapolítica mais de 60 congressistas, a maioria pertencente à coalizão de governo, estão sendo investigados pela justiça e 33 deles estão na prisão.
"Entrei na luta política (...), sou uma lutadora social e vou ficar aqui (...), vou dar a cara e brigar até o final e não vou sair correndo como fez o primo do presidente que pediu asilo na embaixada da Costa Rica após ser envolvido com os paramilitares", acrescentou a parlamentar.
Parapolítica
A afirmação de Córdoba faz referência ao caso de Mario Uribe, primo do presidente da Colômbia, que pediu asilo na embaixada da Costa rica depois de ser vinculado com o processo da parapolítica.
Entre as acusações que enfrenta, de acordo com Piedad, uma a classifica como traidora da pátria e outra como terrorista e chefe de uma facção urbana das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia).
"Querem desviar a atenção" para minimizar a crise aberta no governo de Uribe por sua parapolítica, insistiu Córdoba.
Um de seus entrevistadores na VTV, o ex-ministro da Educação Aristóbulo Isturiz, disse acreditar que a crise colombiana não é conjuntural, mas estrutural, e que "com 10% do que está acontecendo na Colômbia o governante de qualquer outro país latino-americano já teria caído".
"O que acontece na Colômbia, por que o povo não reage, por que o povo não está nas ruas, por que Uribe se mantém no governo?", interrogou Istúriz.
Em resposta, a senadora disse que tudo o que ele disse está "muito certo", mas que na Colômbia o povo está sendo submetido a uma "perseguição espantosa e violentíssima".
"Há muito medo, aqui há muito pânico, muito terror e somos muito poucos os que nos arriscamos a denunciar", completou a senadora.
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