Mundo
13/05/2008 - 09h14

Hillary espera se manter na corrida com a votação na Virgínia Ocidental

da Associated Press, em Washington
da Folha Online

A pré-candidata democrata à Casa Branca Hillary Clinton espera que uma vitória ampla nas primárias desta terça-feira na Virgínia Ocidental diminua o ritmo da caminhada de seu rival, Barack Obama, rumo à nomeação, mas ele já está desenhando a estratégia para sua campanha presidencial contra o provável candidato republicano John McCain.

O Estado abriu as urnas às 6h (7h em Brasília) para que os eleitores democratas participem de mais uma etapa da acirrada corrida pela nomeação do Partido Democrata. A votação vai até às 19h (20h em Brasília).

Enquanto Hillary está atrás em delegados, superdelegados e votos populares, a melhor chance da ex-primeira-dama para reverter o cenário negativo é conseguir mais tempo na disputa e levar a decisão da nomeação para a convenção democrata nacional, em 25 de agosto, quando os 796 superdelegados dão seu voto para os candidatos.

11mai08 Elise Amendola/AP
Texto: Democratic presidential hopeful Sen. Hillary Rodham Clinton, D-N.Y., greets supporters in the rain outside a campaign event in Grafton, W. Va., Sunday, May 11, 2008. (AP Photo/Elise Amendola)
Senadora Hillary Clinton cumprimenta eleitores na Virgínia Ocidental

Assim, Hillary espera que uma vitória ampla na Virgínia Ocidental --onde as pesquisas de opinião mostram uma vantagem de 36 pontos percentuais (60% das intenções de voto contra 24% de Obama)-- dê ânimo para sua campanha e para seus assessores para defender sua candidatura até o fim do ciclo de primárias, que incluiu mais cinco votações.

Outra aposta de Hillary está na reunião do Comitê Nacional Democrata em 31 de maio que considerará as propostas de Michigan e Flórida para validarem seus delegados. Em janeiro, quando os dois Estados adiantaram a votação contra as determinações do Partido, a cúpula democrata anulou os resultados e proibiu que os seus delegados fossem à convenção nacional.

Caso estes delegados sejam colocados de novo na disputa pela nomeação, o número mínimo de delegados para garantir a candidatura subirá de 2.025 para 2.209, afastando Obama de uma vitória antecipada.

Na época, obedecendo à determinação do partido, Obama não fez campanha nos Estados e, em Michigan, nem ao menos colocou seu nome na cédula de votação. Assim, a grande maioria destes delegados iria para Hillary, que ganhou por larga margem.

"Nós precisamos ir bem em todos os lugares", disse o estrategista-chefe da campanha de Hillary, Howard Wolfson. "Nossa esperança é que os superdelegados olharão os resultados em alguns destes Estados e reconhecerão que Hillary Clinton é a melhor candidata contra John McCain", completou.

Mesmo com as probabilidades cada vez menos favoráveis, Hillary mantém o discurso determinado. Em discurso em Charleston, Virgínia Ocidental, ela afirmou: "Eu continuarei falando às pessoas, nenhum democrata ganhou a Casa Branca desde 1916 sem ganhar na Virgínia Ocidental".

Cálculos

Mesmo uma vitória tão ampla para Hillary não é suficiente para modificar as poucas chances na disputa nacional. Segundo a rede de televisão CNN, Hillary continua atrás da corrida democrata com 1.697 delegados contra 1.869 de Obama.

Isso significa que ela precisa conquistar 172 dos 217 delegados restantes nestas últimas seis primárias --incluindo Virgínia Ocidental. Pela matemática do processo eleitoral norte-americano --na qual os delegados são divididos proporcionalmente ao voto popular obtido por cada candidato--, as chances são muito poucas de que ela reverta o quadro.

Pelo mesmo cálculo, Obama também não deve conseguir mais 156 delegados para alcançar os 2.025 necessários para garantir a nomeação democrata neste ciclo de primárias. A disputa passa então para ela para os superdelegados, os 796 líderes partidários e políticos eleitos que votam independentemente da votação popular.

E aí, mais uma evidência de que a disputa democrata já determinou seu vencedor. No começo do ano, Hillary --em muito influenciada pelos dois mandatos de seu marido, o ex-presidente Bill Clinton-- contava com uma margem de mais de cem superdelegados.

Com as vitórias constantes de Obama e sua popularidade crescente, muitos destes líderes, incluindo amigos de longa data da família Clinton, mudaram de lado e apostaram seu voto no jovem senador por Illinois.

Na semana passada, Obama deu mais uma prova de sua força na disputa e, pela primeira vez em mais de um ano e meio de campanha, superou Hillary no número de superdelegados. Agora, segundo a CNN, Obama tem 277 superdelegados contra 273 de Hillary.

Campanha presidencial

Enquanto Hillary mantém o discurso de pré-candidata, Obama é cauteloso em não se declarar nomeado democrata antes da hora e arriscar perder não só o apoio de Hillary, mas de seus superdelegados e eleitores.

Mas sua campanha já foca na disputa pelas eleições gerais com McCain. Na segunda feira, Obama aproveitou seu comício em Charleston para combater as críticas de que ele não é patriota e que não está pronto para ser presidente. Os comentários surgiram empate porque ele não serviu o Exército --enquanto McCain desenhou uma longa carreira na Marinha-- e em parte porque ele não costuma usar o broche com a bandeira dos EUA e se opôs à Guerra no Iraque desde o início.

Com o broche da bandeira nacional, Obama falou que o patriotismo significa mais do que saudar bandeiras e fazer paradas e criticou McCain por se opor a legislação proposta pelos democratas para expandir os benefícios de educação para veteranos.

"Em uma época na qual estamos enfrentando a maior volta para casa [dos soldados norte-americanos no Iraque e Afeganistão] desde a Segunda Guerra Mundial [1938-1945], o verdadeiro teste de patriotismo é se nós serviremos os nossos soldados tão bem quanto eles nos serviram", afirmou Obama.

Sua equipe de campanha anunciou nesta segunda-feira que ele visitará o Condado de Macomb, em Michigan, local que tradicionalmente é associado aos democratas de Reagan, referência ao ex-presidente republicano dos EUA Ronald Reagan.

Michigan é um Estado visto pelos republicanos como muito competitivo. Embora Obama tenha a preferência dos democratas, ele tem pouco apelo entre os trabalhadores brancos de classe média que forma grande parte do eleitorado local.

Nos planos de Obama, a viagem para Michigan é uma oportunidade de fazer campanha pela primeira vez e ser conhecido pelos eleitores locais.

Seguindo esta estratégia, na próxima semana Obama parte para a Flórida, para estabelecer seu nome e plataforma eleitoral para os democratas locais que votaram em massa por Hillary.

"Nossa agenda reflete o fato de nós ainda estarmos lutando por votos e delegados nos Estados restantes, mas também que nós vamos a lugares que serão competitivos nas eleições de 4 de novembro", disse Bill Burton, assessor de Obama.

Para Burton, McCain está fazendo sua campanha sem nenhum tipo de competição por muito tempo. "E nós vamos ter certeza que os eleitores em Estados competitivos saibam que a escolha desta eleição é entre uma mudança em Washington e o terceiro mandato das políticas de George Bush, que é o que McCain oferece", afirma Burton, em um discurso típico dos democratas.

Comentários dos leitores
Ingmar Trindade (2) 04/09/2008 14h55
Ingmar Trindade (2) 04/09/2008 14h55
Joel Stevão,
Para saber mais sobre os bastidores da politica americana, sugiro que assista a dois documentários: Why We Fight e Zeitgeist. O segundo é encontrado no Google Video.
Abs
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Robson Pedroza (5) 04/09/2008 14h41
Robson Pedroza (5) 04/09/2008 14h41
Nunca ví uma convenção republicana onde se falou tanto no candidato democrata, parece que a "obamania" afetou a eles também.
Sara Pallin foi brilhante, mas muito articial, não se defendeu de nenhuma das criticas, apenas acusou.
Não consigo acreditar que exista um povo no mundo que vá votar pela continuidade do status atual do governo americano.
1 opinião
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Roberto Souza (127) 04/09/2008 12h58
Roberto Souza (127) 04/09/2008 12h58
O discurso de Sarah Palin foi brilhante, profundo e verdadeiro. Huckabee, Giuliani e Romney foram excelentes. Os Republicanos impressionaram, e têm tudo para a vitória de novembro. 13 opiniões
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