Israel não tem motivos para celebrar, diz primeiro-ministro da ANP
da Folha Online
O primeiro-ministro da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Salam Fayyad, afirmou nesta terça-feira que os israelenses "não têm motivos" para celebrar os 60 anos da criação do Estado de Israel, enquanto tantos palestinos continuam a sofrer devido à ocupação.
Israel deu início às comemorações oficiais na quinta-feira passada (8), quando centenas de milhares foram às ruas para celebrar os 60 anos da fundação do Estado.
A independência de Israel foi proclamada em 14 de maio de 1948, mas, segundo o calendário judaico (lunar), o feriado ocorre a cada ano em diferentes datas, entre abril e maio.
"Eu diria ao povo de Israel, questionaria como eles podem celebrar [os 60 anos] enquanto o povo palestino sofre devido aos assentametos judaicos e aos seus crimes, devido ao confisco de suas terras e às práticas de ocupação do Exército israelense", disse Fayyad em discurso.
As críticas foram feitas por Fayyad em discurso a legisladores e diplomatas estrangeiros a respeito da Nakba, ou Dia da Catástrofe, quando cerca de 700 mil palestinos foram expulsos de suas casas, na ocasião da fundação de Israel, em 1948.
"As celebrações não têm sentido, a não ser que celebremos a paz justa e durável para todos", acrescentou o primeiro-ministro.
Protestos
Palestinos anunciaram nesta terça-feira a realização de manifestações populares na quinta-feira (15) em Gaza e na Cisjordânia para lembrar o 60º aniversário da Nakba.
O movimento radical islâmico Hamas, que controla a faixa de Gaza desde junho de 2007, anunciou a realização de um protesto frente a Erez, principal ponto de passagem entre esse território palestino e Israel.
"É uma medida destinada a romper o bloqueio sionista imposto à população de Gaza há quase dois anos", declarou um porta-voz do Hamas, Achraf Abu Diyyah, em um comunicado.
Israel mantém um bloqueio total à faixa de Gaza desde 17 de janeiro em resposta aos disparos de foguetes em direção ao seu território. Na Cisjordânia, os palestinos lembrarão a Nakba em uma passeata no centro de Ramallah, sede da Autoridade Nacional Palestina.
"Será a resposta ao discurso de Bush e às posições norte-americanas hostis à nossa causa", declarou à agência France Presse Omar Asaf, que preside um comitê encarregado de organizar os eventos lembrando a Nakba.
Bush pronunciará no mesmo dia um discurso no Parlamento israelense, durante uma visita que iniciará amanhã para participar das celebrações dos 60 anos da criação do Estado.
com Reuters e France Presse
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