Demonstrações de racismo preocupam a campanha de Obama
Colaboração para a Folha Online
O pré-candidato democrata à Casa Branca Barack Obama escolheu como plataforma eleitoral a superação das diferenças raciais e a união do povo norte-americano para solucionar os problemas do país. Mas sua filosofia não atingiu todos os eleitores e são cada vez mais comuns as histórias de voluntários de sua campanha sobre demonstrações de racismo.
Danielle Ross fazia campanha na rua para arrecadar votos para Obama antes das primárias de Indiana e perdeu a conta de quantas vezes ouviu um 'não' justificado por questões raciais.
"A primeira pessoa que eu encontrei foi assim 'eu nunca votarei em uma pessoa negra'. As pessoas não eram receptivas", lembra Ross, em reportagem publicada pelo jornal norte-americano "The Washington Post".
Mesmo com a crescente popularidade de Obama --que a cada dia desponta mais como o nomeado democrata às eleições gerais--, alguns de seus voluntários encontraram demonstrações de racismo que passaram despercebidas durante esta temporada de primárias.
O foco das questões raciais ficou nos controversos sermões do reverendo Jeremiah Wright que defende que os EUA são um país fundamentalmente racista. Na época, Obama fez um comentado discurso sobre a necessidade de superar a questão racial.
Segundo "Post", muitos voluntários viram portas baterem em suas caras, foram chamados de todos os tipos de ofensas racistas e definidos por estereótipos antiquados de pessoas que não acreditam que Obama pode ser o primeiro presidente negro do país.
Victoria Switzer, professora de estudos sociais aposentada, estava na central telefônica durante a campanha pela Pensilvânia. Ela ficou lá por apenas um dia e fez 60 ligações para eleitores do Condado de Susquehanna, que tem uma população formada por 98% de brancos. "Não é bonito. Um dos eleitores disse que não poderia votar em Obama e disse 'pendure este preto em uma árvore'", contou.
Divisão
A diretora de documentários Rory Kennedy, filha de Robert F. Kennedy, também afirmou ter enfrentado muito racismo enquanto fazia campanha por Obama na Pensilvânia. Um sindicalista de Pittsburgh disse a ele que não votaria em Obama porque ele é negro e um outro eleitor branco afirmou que "pessoas brancas cuidam das pessoas brancas e pessoas negras cuidam das pessoas negras".
A equipe de campanha de Obama diz em comunicado que incidentes como estes são isolados e que a experiência dos voluntários e membros da equipe tem sido extraordinariamente positiva.
O comunicado diz ainda: "Depois de 15 meses de campanha em quase todos os 50 Estados, Barack Obama e sua equipe de campanha ficaram impressionados e encorajados com a decência, gentileza e generosidade dos americanos de todas as partes. O último ano apenas reforçou a visão do senador Obama de que o país não é tão dividido quanto a nossa política sugere".
No dia da eleição em Kokomo, em Indiana, um grupo de estudantes negros estava segurando placas de apoio a Obama em uma via de grande trânsito. Muitos motoristas que passavam pelo grupo baixaram os vidros e gritaram ofensas raciais, segundo assessores de campanha de Obama.
Frederick Murrell, um aluno do colégio de Kokomo, não estava lá na ocasião, mas também viu muitas portas se fecharem enquanto fazia campanha por Obama nas ruas. Ele não ficou surpreso. "Provocar adolescentes em uma via comercial durante a luz do dia? Eu fiquei muito chocado no começo. Mas depois eu não fiquei mais, porque nós temos muito racismo aqui".
Racismo
Recentemente o rapper negro 50 Cent, conhecido por suas letras polêmicas e carregadas de conteúdo sexual, declarou seu apoio a Hillary Clinton e justificou dizendo que o país não está preparado para um presidente negro.
Depois, mudou de opinião dizendo que o discurso de Obama sobre a questão racial foi o motivo. "Eu ouvi o Obama falar. Ele me acertou com aquele 'ele cansou de ver Malcom X [ativista negro]' e eu juro por Deus, eu fiquei 'Yo, Obama'", relatou o rapper à MTV norte-americana.
Contudo, ele ressaltou que ainda não acredita que o país esteja preparado para ter um homem negro na Presidência: "Eu simplesmente não acho que o país esteja preparado para um presidente afro-americano. Isso será um problema, acredite ou não".
Leia mais
- Hillary espera se manter na corrida com a votação na Virgínia Ocidental
- Hillary já planeja como sair fortalecida da disputa, diz assessor de Obama
- Análise: Hillary Clinton está pronta para outra batalha em sua difícil guerra
- Cauteloso, Obama deixa que assessores façam as críticas a McCain
- Ex-deputado republicano Bob Barr anuncia candidatura às eleições dos EUA
- Mesmo sem vitória definida, Obama inicia campanha presidencial
Livraria
- Ensaios de Chomsky analisam política externa americana no final do século 20
- Obras da série "Folha Explica" discutem política e eleições
- Livro explica mudanças que marketing eleitoral trouxe às eleições; leia capítulo
- Folha Explica o dólar e sua importância no mundo globalizado
- Obra desvenda a construção e funcionamento do racismo no Brasil; leia capítulo
Especial


Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
avalie fechar
avalie fechar
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
avalie fechar