Mundo
14/05/2008 - 11h19

Raça e educação influenciaram eleitores na Virgínia Ocidental, aponta pesquisa

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Colaboração para a Folha Online

A ampla vitória da pré-candidata democrata à Casa Branca Hillary Clinton na Virgínia Ocidental foi influenciada por questões de raça, educação, sua proposta para suspensão dos impostos sobre gasolina e até mesmo as controversas envolvendo Jeremiah Wright, ex-pastor de seu rival, Barack Obama, segundo pesquisas de boca-de-urna.

A vitória de Hillary com 67% dos votos contra 26% de Obama deveu-se principalmente ao apelo da ex-primeira-dama diante dos eleitores brancos (que correspondem a 95% do eleitorado) e daqueles com baixo nível de escolaridade.

Segundo pesquisas de boca-de-urna divulgadas na noite desta terça-feira, brancos com diploma universitário eram sete de cada dez eleitores nos colégios eleitorais do Estado. Entre eles, 70% apoiou Hillary, uma de suas melhores performances do ano diante deste eleitorado que a apóia desde o começo da corrida democrata.

Chris Keane/Reuters
Texto: Amy Duke places her vote during the West Virginia Primary in Princeton, West Virginia May 13, 2008. REUTERS/Chris Keane (UNITED STATES) US PRESIDENTIAL ELECTION CAMPAIGN 2008 (USA)
Eleitores votam nas primárias democratas da Virgínia Ocidental, onde Hillary ganhou

Pensando no cenário das eleições gerais, no qual Obama está muito próximo de garantir um lugar, apenas 45% dos brancos sem diploma universitário dizem que apoiariam Obama caso ele fosse o rival do provável candidato republicano John McCain nas eleições de 4 de novembro.

E a sua enorme vantagem entre os trabalhadores brancos sem diploma universitário é um dos maiores argumentos utilizado por Hillary para se manter na disputa e para dizer que é a candidata melhor capacitada para concorrer com McCain.

A raça foi um grande fator de influência para estas eleições, um cenário desfavorável para Obama que tem como plataforma eleitoral a transposição das diferenças raciais e que, se eleito, será o primeiro presidente negro dos EUA. Segundo a sondagem, um em cada cinco eleitores brancos admitiram a influência da questão racial em seu voto, uma das maiores porcentagens entre os Estados que já realizaram suas primárias.

Entre estes eleitores, 80% apóia Hillary, como outros Estados sulistas já demostraram. E apenas um terço deles disseram votar em Obama caso ele compita com McCain pela Casa Branca, o outro um terço votaria em McCain e o outro um terço simplesmente não votaria no dia das eleições gerais, em 4 de novembro.

Reverendo Wright

Embora Obama tenha ido à público condenar os comentários controversos de seu ex-pastor Jeremiah Wright --que defende que os EUA são fundamentalmente racistas e que a Aids foi criada pelo governo para matar os negros--, a sua ligação com o reverendo influenciou a escolha dos eleitores da Virgínia Ocidental.

Metade dos eleitores dizem acreditar que Obama divide muitos pontos de vista com o ex-pastor. Desses, oito em dez apóiam Hillary. A porcentagem de apoio de Hillary é menor, mas ainda muito significativa, entre os eleitores que dizem acreditar que Obama não concorda com Wright, 44%.

Outro fator que ajudou Hillary na votação da Virgínia Ocidental foi o apoio a proposta --inicialmente levantada por McCain-- da suspensão do imposto de cerca de 18% sobre o combustível durante os meses de verão, quando a maioria dos norte-americanos entram de férias e viajam de carro pelo país.

Segundo a pesquisa, seis em cada dez eleitores aprovam a proposta que Obama rechaçou como uma jogada sem efeitos para ganhar votos. Entre os eleitores que aprovam o plano, 75% apóiam Hillary. Já aqueles que disseram que a suspensão tributária era uma má idéia dividem-se igualmente entre os pré-candidatos democratas.

Ao mesmo tempo, 75% afirmou ter decidido seu candidato há um mês ou mais e entre estes, dois terços deles apóiam Hillary.

Outra influência positiva para Hillary foi a participação intensa de seu marido, o ex-presidente Bill Clinton, em sua campanha. De todos os eleitores desta terça-feira, 60% indicou que o fato de Clinton ter feito campanha foi importante na escolha de seu candidato e, dentre estes eleitores, 80% votou por Hillary.

Partido dividido

Em um reflexo da divisão profunda do Partido Democrata --divisão que os líderes partidários teme que possa afetar diretamente as chances democratas nas eleições de novembro--, apenas três em cada dez eleitores disseram que estão satisfeitos com qualquer candidato democrata para as eleições, seja Hillary ou Obama. Porcentagem bem abaixo da média de 46% no cenário de todos os Estados que já votaram.

Além disso, a pesquisa aponta também que mais de 40% dos eleitores da Virgínia Ocidental disse querer apenas Hillary como candidata democrata e apenas 14% indicam que querem apenas Obama como candidato.

Em mais uma indicação dos sentimentos democratas, apenas 54% dos eleitores de Obama disseram que votariam em Hillary caso ela fosse a candidata democrata nas eleições gerais. Repetindo um resultado que já apareceu em outros Estados, os eleitores de Hillary foram ainda mais negativos: apenas 38% disseram que votariam em Obama contra McCain.

Os resultados foram retirados de pesquisas de boca-de-urna realizadas pela Edison Media Research e Mitofsky International a pedido da agência de notícias Associated Press. A sondagem ouviu 1.478 eleitores durante as primárias da Virgínia Ocidental nesta terça-feira e tem uma margem de erro de 4 pontos percentuais para mais ou para menos.

Comentários dos leitores
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
A situação é periclitante, se antigamente se concedia o Nobel da Paz a quem de algum modo, plantava a paz no mundo, hoje (dada a escassez de boa fé geral) se concede o prémio a quem não faz a guerra... Como diria o sábio Maluf: "Antes de entrar queria fazer o bem, depois que entei, o máximo que conseguí foi evitar o mal"
Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
sem opinião
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honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
Considero ecelente vosso noticiario. Obrigado, aos 83 anos de mnha vida, 5 opiniões
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Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Óbvio que não poderiam aceitar,pois não teriam respostas claras para as legítimas questões do presidente iraniano,esse sim um verdadeiro estadista que sabe da verdade dos fatos e não tem receio de buscar responsabilizar os culpados. A política imperialista norte-americana é velha conhecida mas pessoas convenientemente "esquecem" disso - não respeitam a soberania das nações e se arvoram em ser os "defensores da liberdade" - é o país que mais se envolveu em guerras,revoluções,invasões e intervenções da história da humanidade.A única nação que já bombardeou outro país (na verdade cidades,repletas de civis inocentes) utilizando armas nucleares. O apoio norte-americano a Israel é uma vergonha, apoiando todo tipo de atrocidade possível,dando carta branca e fornecendo armas de alta tecnologia.
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
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