Mundo
14/05/2008 - 12h20

Em visita a Israel, Bush diz querer novo acordo de paz com palestinos

Publicidade

Colaboração para a Folha Online

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, afirmou nesta quarta-feira que os 60 anos de democracia em Israel são motivo de otimismo para a democracia em todo o Oriente Médio. Bush e sua mulher, Laura, viajaram nesta quarta-feira para Israel para as comemorações dos 60 anos da sua fundação.

"O que aconteceu aqui é possível em qualquer lugar", disse Bush, em uma viagem em que ele fará novos pedidos por acordos de paz entre israelenses e palestinos.

"Eu suspeito que se você voltasse 60 anos e tentasse adivinhar onde Israel estaria agora, seria difícil imaginar uma terra tão próspera e cheia de esperanças", disse Bush, durante um encontro com o presidente israelense Shimon Peres. "Sem dúvida as pessoas diriam que a terra estaria cercada de forças hostis", completou Bush.

Guo Lei/AP
Texto: U.S. President George W. Bush, center right, shakes hands with Israeli President Shimon Peres as he arrives for a meeting at the President's Residence in Jerusalem, Wednesday, May 14, 2008. Bush is visiting Israel on the occasion of the 60th anniversary of the founding of the state. (AP Photo/Guo Lei, Xinhua,Pool)
Presidente dos EUA, George W. Bush, chega à casa do presidente de Israel, Shimon Peres

No encontro com Peres, Bush expressou seu otimismo por um novo acordo de paz entre os povos ainda durante seu mandato --que acaba no final do ano-- e um grande avanço nas conversações ainda durante sua visita ao país.

Peres, que ganhou o premio Nobel da Paz em 1994 por sua participação nos acordos de paz com os palestinos, apoiou o otimismo de Bush e afirmou que os israelenses querem trabalhar com os palestinos.

"Nós não somos seus inimigos. Nós gostaríamos de ver os palestinos vivendo juntos. Eles sofreram muito em suas vidas e a separação é uma tragédia para eles e para todos nós", disse Peres.

Bush e Peres conversaram após uma breve caminhada pelos jardins atrás da casa presidencial israelense. Eles sentaram-se com assessores em uma área repleta de árvores e flores.

60 anos

Em referência a celebração dos 60 anos de Israel, Bush brincou com o fato do país ter um ano a menos que ele: "Como uma pessoa com 61 anos, isso não parece muito tempo".

Bush falou também dos julgamentos e críticas enfrentados por Israel e afirmou saber quão difícil foi para emergir como uma nação próspera e cheia de esperança.

Ao comentar a relação entre os dois países, seu compromisso pela democracia e a "aliança duradoura contra os terroristas e os tiranos", Bush disse que "os americanos e os israelenses podem estar orgulhosos de seu passado".

"O melhor meio de honrar nossos fundadores é seguir a obra que começaram", afirmou.

Bush antecipou ainda que no discurso que fará quinta-feira na Knesset (Parlamento israelense), falará sobre como "nossos países podem seguir avançando em nossos ideais e imaginar os próximos 60 anos de colaboração com confiança e esperança".

Nove deputados que representam a comunidade árabe, que reúne os descendentes dos 160 mil palestinos que ficaram sem suas terras após a criação do Estado de Israel, anunciaram que boicotarão o discurso de Bush.

Primeira-dama

Gary Hershorn /Reuters
Texto: U.S. first lady Laura Bush (L) arrives with Aliza Olmert (R), wife of Israel's Prime Minister Ehud Olmert at the Tipat Chalav Well-Baby Clinic in Jerusalem, May 14, 2008. REUTERS/Gary Hershorn (JERUSALEM)
Laura Bush chega a berçario na companhia da mulher do primeiro-ministro, Aliza Olmert

Laura Bush, acompanhada de Aliza Olmert, mulher de Ehud Olmert e da mulher do embaixador norte-americano em Israel, Noa Meridor, visitou uma clínica governamental que oferece vacinas e outros serviços médicos a baixo custo.

As mulheres, escoltadas por dezenas de agentes dos serviços secretos de Israel e dos EUA, dirigiram-se depois a escola "Mão a Mão", uma das poucas escolas judaica-árabes de Jerusalém.

Em homenagem a Laura, os estudantes cantaram músicas nas duas línguas mais faladas no país --hebraico e árabe-- e apresentaram danças tradicionais israelenses e árabes. Pouco antes, a primeira-dama visitou um berçário.

Ainda no roteiro da visita, a primeira-dama norte-americana visitou o Muro das Lamentações, um dos mais importantes pontos turísticos do país. O Muro de pedras é o único resquício do segundo templo construído após a destruição do primeiro pelos romanos, em 70 a.C. Lá, judeus e fiéis de todas as religiões cristãos peregrinam para fazer orações e deixar pedidos escritos em pedaços de papel.

A visita de Laura ao santuário sagrado para os judeus foi guiada pelo rabino Shmuel Rabinovitz, que explicou a história do lugar. Depois, Laura seguiu pelos túneis baixos da cidade velha de Jerusalém, cuja escavação levantou fortes protestos da população palestina no final dos anos 90 por temor de que poderiam prejudicar a estrutura dos templos muçulmanos construídos no local.

Agenda

A agenda de viagem do presidente dos EUA inclui ainda a presença, às 20h (14h de Brasília), de Bush e Olmert e suas respectivas esposas em um evento no Centro de Exposições e Congressos de Jerusalém, que conta ainda com a participação de outros doze chefes de Estado.

A conferência de três dias, inaugurada na terça-feira, reúne 3.500 convidados, entre eles dezenas de líderes políticos, econômicos e sociais, como o ex-primeiro-ministro do Reino Unido e atual enviado do Quarteto (EUA, Reino Unido, ONU e União Européia), Tony Blair, o artífice da perestroika (abertura política e reestruturação econômica), Mikhail Gorbachev, e o ex-premiê espanhol José María Aznar.

O objetivo da conferência é analisar em 35 painéis os desafios da sociedade global e o futuro do povo e do Estado de Israel no contexto internacional.

Bush deve pronunciar um discurso sobre os laços de amizade entre EUA e Israel, que é considerado o principal ato do evento.

Amanhã, Bush fará um pronunciamento aos deputados da Knesset, o Parlamento israelense.

O presidente americano não deve viajar à cidade cisjordaniana de Ramallah para se reunir com Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Nacional Palestina.

Na sexta-feira (16), Bush deixará Israel para continuar sua viagem de cinco dias pelo Oriente Médio, que inclui Arábia Saudita e Egito.

Com France Presse

 

FolhaShop

Digite produto
ou marca