Mundo
14/05/2008 - 22h50

Restrição à imigração na Itália gera confrontos com romenos

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Colaboração para a Folha Online

Dois acampamentos ciganos próximos a Nápoles (sul da Itália) foram incendiados nesta quarta-feira, em meio a uma onda de violência desencadeada após o governo declarar que irá restringir a imigração no país.

Os dois acampamentos, formados por barracas e casas rústicas, ficavam em Ponticelli, uma pequena cidade próxima a Nápolis. Os vizinhos dos ciganos atearam fogo nos acampamentos como reação à tentativa frustrada de seqüestro de um bebê de seis meses por uma jovem cigana.

Os bombeiros haviam acabado de apagar o primeiro incêndio quando outro começou a poucos metros de distância. No momento do incêndio, os ciganos não estavam no local: fugiram com receio de serem procurados por autoridades italianas.

Segundo a polícia, os incêndios, que não deixaram feridos, foram provocados para evitar que os ciganos regressem aos acampamentos quando a tensão se aliviasse.

Imigração

Na terça-feira, foi organizada uma incursão dos habitantes de Ponticelli contra os ciganos, a maioria de origem romena, alguns munidos de coquetéis molotov.

Várias organizações de assistência aos imigrantes denunciaram o clima de violência contra os ciganos e romenos em toda a Itália, onde o novo governo de direita liderado por Silvio Berlusconi prometeu endurecer as leis contra a imigração clandestina.

Ciro Fusco /Efe
ROM01 NÁPOLES (ITALIA) 14.05.08 Un grupo de nómadas, escoltado por la policía, abandona su campamentoen Ponticelli, en Nápoles (Italia), el 14 de mayo de 2008. Un grupo de personas prendieron fuego a un campamento después de que una niña de 16 años fuese descubierta intentando secuestrar a un niño en Ponticelli el 11 de mayo de 2008. EFE/Ciro Fusco
Grupos de ciganos romenos deixam acampamentos em Nápolis após incêndios

O novo ministro das Relações Exteriores da Itália, Franco Frattini, assegurou na segunda-feira que a Itália vai adotar medidas "firmes mas não racistas" contra a imigração.

"Os cidadãos italianos não exigem do governo de Silvio Berlusconi um comportamento racista ou xenófobo, algo que jamais se aceitará, mas sim uma atitude firme contra a imigração clandestina", afirmou Frattini em um programa de rádio.

"Os italianos exigem uma mudança e pedem antes de tudo que se apliquem as medidas que já existem para todos aqueles que violam as leis", assegurou o chanceler.

Vários protestos espontâneos foram registrados em diferentes cidades italianas devido a roubos e assassinatos cometidos por imigrantes, entre eles romenos e ciganos, o que tem gerado uma onda de xenofobia.

A direita italiana prometeu durante a campanha eleitoral garantir a segurança dos italianos e espera reduzir a entrada de romenos no país, que podem entrar livremente no país por serem integrantes da União Européia.

O novo ministro do Interior, Roberto Maroni, membro do partido xenófobo Liga Norte, está preparando um pacote de medidas contra a imigração clandestina, que facilitará as expulsões e exigirá visto para os romenos.

 

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