Restrição à imigração na Itália gera confrontos com romenos
Colaboração para a Folha Online
Dois acampamentos ciganos próximos a Nápoles (sul da Itália) foram incendiados nesta quarta-feira, em meio a uma onda de violência desencadeada após o governo declarar que irá restringir a imigração no país.
Os dois acampamentos, formados por barracas e casas rústicas, ficavam em Ponticelli, uma pequena cidade próxima a Nápolis. Os vizinhos dos ciganos atearam fogo nos acampamentos como reação à tentativa frustrada de seqüestro de um bebê de seis meses por uma jovem cigana.
Os bombeiros haviam acabado de apagar o primeiro incêndio quando outro começou a poucos metros de distância. No momento do incêndio, os ciganos não estavam no local: fugiram com receio de serem procurados por autoridades italianas.
Segundo a polícia, os incêndios, que não deixaram feridos, foram provocados para evitar que os ciganos regressem aos acampamentos quando a tensão se aliviasse.
Imigração
Na terça-feira, foi organizada uma incursão dos habitantes de Ponticelli contra os ciganos, a maioria de origem romena, alguns munidos de coquetéis molotov.
Várias organizações de assistência aos imigrantes denunciaram o clima de violência contra os ciganos e romenos em toda a Itália, onde o novo governo de direita liderado por Silvio Berlusconi prometeu endurecer as leis contra a imigração clandestina.
| Ciro Fusco /Efe |
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| Grupos de ciganos romenos deixam acampamentos em Nápolis após incêndios |
O novo ministro das Relações Exteriores da Itália, Franco Frattini, assegurou na segunda-feira que a Itália vai adotar medidas "firmes mas não racistas" contra a imigração.
"Os cidadãos italianos não exigem do governo de Silvio Berlusconi um comportamento racista ou xenófobo, algo que jamais se aceitará, mas sim uma atitude firme contra a imigração clandestina", afirmou Frattini em um programa de rádio.
"Os italianos exigem uma mudança e pedem antes de tudo que se apliquem as medidas que já existem para todos aqueles que violam as leis", assegurou o chanceler.
Vários protestos espontâneos foram registrados em diferentes cidades italianas devido a roubos e assassinatos cometidos por imigrantes, entre eles romenos e ciganos, o que tem gerado uma onda de xenofobia.
A direita italiana prometeu durante a campanha eleitoral garantir a segurança dos italianos e espera reduzir a entrada de romenos no país, que podem entrar livremente no país por serem integrantes da União Européia.
O novo ministro do Interior, Roberto Maroni, membro do partido xenófobo Liga Norte, está preparando um pacote de medidas contra a imigração clandestina, que facilitará as expulsões e exigirá visto para os romenos.
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