China aumenta esforços de resgate em áreas mais afetadas por tremor
da Folha Online
O governo chinês enviou mais helicópteros e ajuda às áreas devastas pelo terremoto da segunda-feira, enquanto estradas destruídas, tremores secundários, os mais de 15 mil mortos e milhares de soterrados e desabrigados desafiam cada vez mais os esforços de resgate.
Quase 26 mil pessoas continuam presas sob escombros de construções destruídas pelo tremor de magnitude 7,9, e o número de mortos deve subir conforme as equipes de resgate chegam à região do epicentro, na montanhosa Província de Sichuan.
O terremoto causou deslizamentos de terra e de pedras, bloqueando as estradas que levam aos locais mais afetados.
Ao todo, cerca de dez milhões de pessoas foram diretamente afetadas pelo tremor, segundo a agência de notícias oficial Xinhua.
Nesta quinta foram encontrados corpos de 270 alunos de uma escola na região, que desabou depois que o dormitório público de 3 andares foi atingido pelo terremoto, segundo a Xinhua.
| Arte Folha Online |
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Apesar de os esforços de resgate terem um bom momento nesta quarta-feira --favorecido pela melhora do tempo após dois dias de chuvas--, a ajuda que dezenas de milhares de desabrigados necessitam aumentou a pressão sobre os recursos do governo.
Desabrigados imploravam por ajuda à beira de estradas, e as pessoas passaram a terceira noite em campos de refugiados. Em Hanwang, cidade em um dos Condados mais afetados, sobreviventes brigavam para chegar perto dos carros que passavam, na esperança de receber algum tipo de ajuda.
"Em um minuto, a cidade que eu conhecia sumiu, nunca imaginei que isso pudesse acontecer", disse He Lixia, professora em Dujiangyan, onde muitos habitantes dormiram nas ruas, com medo de novos desabamentos.
"Meu pai e minha mãe morreram. Meu filho ficou esmagado sob sua escola. O escritório da minha mulher desabou e o telefone dela não funciona", disse um homem que andava do lado de fora de um acampamento na cidade.
Em Shifang, outra pequena cidade em Sichuan que abrange várias vilas, 30 mil dos 430 mil habitantes estão desaparecidos ou sem contato, de acordo com autoridades citadas pela Xinhua.
Reunião
A cúpula do Partido Comunista se reuniu na noite desta quarta-feira para avaliar o desastre que ofuscou os preparos das Olimpíadas de Pequim, em agosto.
| Reuters |
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| Soldado chinês oferece água a mulher ferida no Condado de Beichuan, a cerca de 160 km de Sichuan, o epicentro do terremoto |
O encontro resultou no envio de mais soldados para ajudar, e o governo anunciou que outros 90 helicópteros --além dos 20 já enviados-- tentarão chegar às áreas isoladas por terra.
"Enquanto houver o mínimo de esperança, não economizem esforços nos resgates", afirmou a liderança do partido, segundo a Xinhua,
No entanto, três dias após o tremor, diminuem as esperanças de retirar mais pessoas vivas dos escombros de casas, escolas e fábricas.
Um militar que chegou a Wenchuan, no epicentro, disse à TV Sichuan que 30% das casas desabaram e mais de 90% estão danificadas.
Represas
A represa Zipingpu, danificada pelo tremor, ameaça as comunidades em terrenos mais baixos que ainda tentam resgatar seus habitantes soterrados. Cerca de 2.000 soldados foram enviados à represa. Rachaduras de mais de oito centímetros podiam ser vistas no alto da barragem, e vários deslizamentos de terra foram registrados em seu entorno.
Apesar de o governo declarar que a represa está segura na terça-feira, após inspeção, parte da água está sendo liberada para diminuir a pressão sobre a barragem.
O Ministérios de Recursos Hídricos emitiu comunicado ordenando a avaliação dos reservatórios por todo o país, enquanto a agência de planejamento afirmou que cerca de 400 represas, a maioria pequena, foi danificada pelo tremor. Centenas de rios cortam o montanhoso platô tibetano antes de chegar à bacia do Sichuan.
O grupo ativista International Rivers Network esteve envolvido em uma campanha em 2001 e 2002 para protestar contra a criação da represa Zipingpu devido à sua proximidade a falhas geológicas, disse Aviva Imhoff, diretor de campanha do grupo.
Imhoff afirmou que o grupo obteve trechos de uma reunião do governo de 2000 na qual sismologistas alertaram autoridades sobre os riscos de se construir a represa e a possibilidade de ser danificada em um terremoto, declarou Imhoff.
A gigantesca represa Três Gargantas, a cerca de 560 km, não foi afetada, segundo o governo.
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