Mundo
15/05/2008 - 09h48

Número de mortos na China pode passar de 50 mil, diz agência

da Folha Online

O número de mortos no terremoto que atingiu o sudoeste da China nesta semana pode passar de 50 mil, disse nesta quinta-feira a agência de notícias oficial Xinhua, citando coordenadores do centro de operações das equipes de resgate.

O número de mortes confirmadas divulgado nesta quinta-feira é de 19.509 pessoas, elevando em quase 5.000 o balanço de vítimas do terremoto informado ontem (14). As informações foram passadas pelo vice-governador da Província de Sichuan, Li Chengyun, citado pela agência Xinhua. Cerca de 25 mil pessoas continuam soterradas nas áreas em que as equipes de resgate tentam alcançar.

Arte Folha Online

A liderança do Partido Comunista disse aos oficiais para "assegurarem a estabilidade social" nos esforços de resgate, pois há rumores de que o terremoto tenha ocasionado vazamentos químicos, estourado barragens e provocado cenas de desespero coletivo.

Os responsáveis de segurança pública de Chengdu, no entanto, desmentiram os rumores de que a unidade química de Dujiangyan, localidade devastada pelo tremor, explodiu no terremoto, emitindo gases letais, e que a água de torneira da capital estava contaminada, o que espalhou pânico entre a população.

Mais de 130 mil membros das Forças Armadas chinesas trabalham nas operações de ajuda e resgate nas zonas atingidas pelo terremoto. Segundo a Xinhua, os aviões militares de transporte e helicópteros já fizeram mais de 300 vôos e jogaram do ar alimentos e materiais de emergência.

As equipes militares trabalham com cães em busca de sobreviventes entre os edifícios que desabaram. A agência destacou que a ferrovia é usada em Sichuan para transportar soldados e ajuda de emergência, e veículos particulares foram requisitados para enviar materiais às zonas mais necessitadas.

Apelo

Também nesta quinta-feira, o governo chinês fez um raro apelo público para conseguir equipamentos de resgate, detectores de movimento humano e outros materiais que ajudem no resgate das vítimas do terremoto de 7,9 graus na escala Richter, o pior registrado em três décadas no país.

Em um comunicado, divulgado pela Xinhua, a China publicou uma lista de 31 tipos diferentes de equipamentos, que inclui ferramentas de demolição, martelos, pás, guindastes e botes de borracha.

Os funcionários que trabalham na região do tremor estão usando suas próprias mãos para retirar os escombros de cima das vítimas que permanecem soterradas, o que faz com que o pedido seja de máxima urgência.

Saúde

O vice-ministro da Saúde chinês, Gao Qiang, afirmou nesta quinta-feira que, por enquanto, não há focos de epidemias nas zonas atingidas pelo terremoto que atingiu o sudoeste da China. Apesar disso, os sobreviventes estão sendo imunizados contra algumas doenças.

No entanto, ele acrescentou, em entrevista coletiva em Pequim, que as autoridades continuarão em alerta, já que poderiam ocorrer doenças, devido às condições de insalubridade que surgem após catástrofes.

"Isto é apenas o começo dessa batalha. Há um longo caminho a nossa frente", disse o vice-ministro da Saúde chinês, Gao Qiang. "Para cada fio de esperança, nossos esforços irão aumentar cem vezes mais. Não desistiremos", disse.

Vincent Yu/AP
Imagem mostra escola totalmente destruída após terremoto desta semana na China
Imagem mostra escola totalmente destruída após terremoto desta semana na China

Os trabalhadores das equipes de resgate estão procurando assegurar que as pessoas bebam água com segurança e também estão removendo os corpos dos escombros para prevenir que bactérias se espalhem.

Gao disse que, só na Província de Sichuan, a mais afetada pelo terremoto, os centros hospitalares atenderam até o momento 64.040 feridos, dos quais 12.587 se encontram em estado grave. Ele também afirmou que mais de 10 mil profissionais de saúde trabalham nas zonas mais devastadas pelo tremor.

O governo chinês já destinou US$ 57,14 milhões (R$ 95 milhões) para custear despesas médicas nas áreas atingidas pelo terremoto, disse. Segundo o vice-ministro, a metade desse dinheiro irá para tratamentos médicos aos feridos e a outra metade para equipamento médico de emergência e remédios.

O dinheiro destinado pelo governo chinês para atenuar a catástrofe já chega a US$ 187,3 milhões (R$ 311 milhões), após uma recente quantia de US$ 28,59 milhões (R$ 46 milhões) estipulada pelo Ministério das Finanças, informou a Xinhua.

Ajuda

O primeiro avião taiwanês com ajuda aos desabrigados pelo terremoto partiu nesta quinta-feira com 46 toneladas de alimentos, tendas de campanha, cobertores e outros artigos de primeira necessidade.

A destruição e morte causadas pelo terremoto comoveram os taiuaneses, e o governo independentista da ilha prometeu US$ 50 milhões (R$ 83 milhões) em ajuda aos desabrigados.

David Gray/Reuters
Equipes de resgate procuram sobreviventes nos escombros de um prédio que desabou
Equipes de resgate procuram sobreviventes nos escombros de um prédio que desabou

No entanto, as experientes equipes de resgate e salvamento de Taiwan não puderam viajar à China para participar das operações de salvamento devido aos problemas políticos entre as duas regiões. A inexistência de vôos diretos entre Taiwan e China e os problemas derivados de sua disputa sobre a soberania da ilha dificultam os contatos entre as duas partes.

Segundo a agência japonesa de notícias Kyodo, o Japão enviará à China a primeira equipe estrangeira de resgate para ajudar as vítimas do terremoto depois de Pequim autorizar a oferta.

Os ministérios de Relações Exteriores japonês e chinês estão estudando os detalhes do envio deste grupo de resgate, que será composto por aproximadamente 12 especialistas, segundo fontes oficiais citadas pela Kyodo.

O governo chinês aceitou hoje a oferta do Japão de participar das operações de ajuda no sudoeste da China. Junto à equipe de resgate, o governo japonês ofereceu ajuda de emergência para a China no valor de 500 milhões de ienes (cerca de US$ 5 milhões).

Até agora o governo chinês havia rejeitado todas as ofertas de envio de equipes de emergência estrangeiras. O fato de a China ter aceitado a oferta japonesa pode ser um sinal da recente aproximação entre os dois países, constatada durante a visita oficial na semana passada do presidente chinês, Hu Jintao, ao Japão.

Com agências internacionais

 

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