Mundo
15/05/2008 - 10h05

Em Israel, Bush visita ruínas da cidade histórica de Massada

da Folha Online

O presidente dos EUA, George W. Bush, visitou nesta quinta-feira as ruínas de Massada --consideradas um símbolo nacional da revolta de um grupo de judeus contra o Império Romano.

A visita precedeu um discurso no Parlamento israelense no qual, de acordo com um texto divulgado previamente, Bush deve reforçar o elo de seu país com Israel e elogiar o país do Oriente Médio, na semana que marca os 60 anos da fundação do Estado, em 1948.

Um teleférico foi usado para elevar Bush ao local exato onde cerca de 960 judeus --entre eles, homens, mulheres e crianças-- cometeram suicídio para não se renderem às forças romanas, em um ato histórico ocorrido no século 1 que deu origem a uma rebelião na antiga Judéia.

Ele visitou as ruínas ao lado da mulher, Laura Bush, e do premiê israelense, Ehud Olmert.

Haraz N. Ghanbari/AP
O presidente dos EUA, George W. Bush (à dir.) ao lado do premiê de Israel, Ehud Olmert
O presidente dos EUA, George W. Bush (à dir.) ao lado de Olmert

O presidente americano --cuja visita deve durar três dias-- chegou à região de deserto ao sul de Jerusalém horas antes que milhares de palestinos foram às ruas para marcar o Nakba, ou Dia da Tragédia, como se referem ao dia da fundação de Israel, quando perderam as terras.

Em Ramallah, sede do governo da Autoridade Nacional Palestina (ANP) de Mahmoud Abbas, manifestações lembraram os 700 mil palestinos que foram forçados a deixar suas casas.

"Há dois povos vivendo nesta terra --os que celebram a independência e os que lembram sua dor em memória da Nakba", disse Abbas. "É hora de dar fim ao Nakba do povo palestino".

Há poucos sinais de progresso nas negociações de um acordo de paz entre Israel e ANP, que tiveram início em 27 de novembro passado em uma conferência em Annapolis (EUA).

No mais recente contratempo para um acordo, Olmert teve seu nome envolvido em denúncias de corrupção por aceitar dinheiro ilegalmente quando era prefeito de Jerusalém. Ele negou as acusações, mas prometeu renunciar caso seja indiciado, o que minaria os esforços de paz.

Violência

A violência na faixa de Gaza --controlada pelo grupo radical islâmico Hamas desde junho de 2007-- também prejudica as tentativas de um acordo de paz. Ontem, um foguete Qassam atingiu um shopping center na cidade de Ashkelon, no sul de Israel, deixando vários feridos.

Posteriormente, um ataque aéreo israelense matou dois integrantes do Hamas.

Em Gaza, o grupo convocou palestinos a protestarem contra o embargo de Israel à região.

Irã

A ameaça de um Irã com capacidade nuclear, que o dirigente israelense qualificou em coletiva conjunta como de um "perigo do mais alto nível para a segurança na região", foi o principal tema da conversa entre Bush e Olmert nesta quarta-feira.

"Israel unirá suas forças com os EUA para tentar frear os iranianos de seus contínuos esforços (de fabricar armas nucleares), que são um claro perigo e uma ameaça para a estabilidade do mundo", disse Bush.

Bush disse que seu país estará ao lado de Israel "contra a ameaça de um Irã nuclear" e qualificou o Estado de Israel como "uma democracia que, como outras, está sendo ameaçada por extremistas e terroristas que usam a violência para impor sua obscura visão do mundo".

 

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