ONG descarta risco de epidemia após terremoto na China
MÁRCIA SOMAN
Colaboração para a Folha Online
O terremoto de 7,9 graus na escala Richter que atingiu na última segunda-feira (12) no sudoeste do país não representa risco de epidemias nas cidades afetadas, de acordo com Filipe Ribeiro, diretor de operações da organização Médicos Sem Fronteiras.
"Não há risco epidêmico, segundo as primeiras avaliações da equipe da MSF no local. Em nossa experiência atuando no auxílio às vítimas de catástrofes naturais, nós nunca vimos epidemias surgirem nestes primeiros momentos", afirmou Ribeiro em entrevista à Folha Online. Por precaução, o governo chinês imunizou os feridos contra doenças contagiosas.
| Arte Folha Online |
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Segundo o diretor da ONU, nestes primeiros dias após a catástrofe --que deixou ao menos 19.500 mortos e outros milhares de soterrados e desabrigados-- não há sinais de focos de doenças contagiosas causados pelas más condições após a destruição das casas atingidas.
A organização enviou nesta terça-feira duas equipes formadas por três médicos, dois técnicos em logísticas e um administrador para avaliar a situação das regiões atingidas pelo terremoto e organizar, junto às autoridades chinesas, uma força-tarefa para tratar os feridos.
"A primeira resposta é local. Não podemos chegar e agir sem falar com as forças locais, o governo e os agentes de saúde. Ninguém terá um impacto positivo no local se atuar sem avaliação prévia e sem uma boa coordenação", explica Ribeiro, dizendo que, nestes primeiros dias após a catástrofe, a prioridade está em salvar o maior número possível de vítimas.
Segundo ele, as primeiras avaliações das equipes que foram à Província de Sichuan não trazem surpresas: "Falta abrigo para as pessoas que perderam suas casas, remédios, equipamentos médicos e acesso à água potável". Nesta quinta-feira, um novo balanço divulgado pelo vice-governador de Sichuan, Li Chengyun indica que os mortos ultrapassam 19,5 mil.
Ajuda externa
Enquanto as equipes avaliam a situação no local, os escritórios centrais da MSF em Tóquio, no Japão e em diversas capitais européias preparam equipes e material médico para enviar à China, assim que obtiverem autorização.
Contudo, a autorização do governo chinês para os trabalhos de equipes internacionais exige sempre negociação, feita pelo administrador que foi enviado com a equipe médica. "As equipes relatam, por enquanto, uma colaboração tranqüila. Mas isso não garante nada, porque a avaliação é sempre aceita, o problema está na fase de operação. Nós podemos não ter a mesma idéia sobre as necessidades locais, e isso exige muita negociação", explica.
Até agora o governo chinês havia rejeitado as ofertas de envio de equipes de emergência estrangeiras. Hoje, a China aceitou a oferta do Japão de participar das operações de ajuda no sudoeste da China e uma ajuda no valor de 500 milhões de ienes (cerca de US$ 5 milhões).
A MSF tem um histórico de boa colaboração com o país. Membros da organização trabalham em diversas regiões desde 1988 e, em 2003, iniciaram um trabalho voltado aos portadores do vírus HIV.
No momento do terremoto, uma equipe trabalhava em Nanning, na Província de Guangxi.
Prioridades
| David Gray/Reuters |
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| Equipes de resgate procuram sobreviventes nos escombros de um prédio que desabou |
Após esta missão exploratória, que deve durar até esta quinta-feira, as equipes da MSF atuarão no tratamento emergencial de feridos nas tendas hospitalares montadas nas cidades destruídas e nos hospitais de Províncias próximas, para onde os feridos foram transferidos.
"Depois de 48 horas é mais difícil encontrar pessoas vivas. Se não encontram em três ou quatro dias, podemos ter a certeza de que estão mortas. Por isso, nossa prioridade a partir deste momento é tratar os feridos", diz Ribeiro.
Após a autorização do governo chinês, a MSF deve dedicar-se aos feridos que não receberam tratamento adequado. "O trabalho dos nossos médicos consiste em fazer uma segunda avaliação nos feridos que não conseguiram tratamento médico, ou naqueles que não foram adequadamente tratados pelo volume de pacientes nos hospitais", disse Ribeiro.
Ainda nesta primeira fase da operação, a organização cuida da logística da entrega de suprimentos de primeira necessidade, como abrigos, equipamentos médicos, garrafas de água, cobertores e lâminas com cloro, para higienização da água encontrada no local.
"Depois de tratados os feridos, investimos na reconstrução e limpeza das casas e hospitais. e no abrigo àqueles que perderam seus lares. Depois de todos os esforços para salvar o máximo de vidas, é preciso garantir que a vida recomece nas áreas destruídas", diz Ribeiro.
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